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Na passada Terça-Feira, enquanto a grande maioria dos adeptos portugueses dividiam a atenção entre o jogo do SL Benfica na Holanda e o regresso de Cristiano Ronaldo a Manchester, o Metalist Stadium foi palco de uma partida, sempre, interessante.

Paulo Fonseca, um ano depois, voltava a receber Pep Guardiola para um encontro da fase de grupos da Liga dos Campeões. No ano passado, o jogo ficou marcado por uma das exibições mais dominantes que qualquer adversário já realizou frente ao Manchester City FC de Pep. A expectativa, apesar de ser um Shakhtar individualmente mais fraco, era grande.

Após o apito fina, a vitória por 0-3 dos ingleses indica um jogo fácil e tranquilo.

E de facto… foi.

Mas, porque é que o foi?

Pode, uma vitória “rotineira” de 0-3 dar pistas para o futuro dos Citizens na competição?

Paulo Fonseca apresentou o seu tradicional 4-2-3-1.

Fonte: BT Sport

Kovalenko, no 4-2-3-1 o Médio Centro Ofensivo, junta-se ao ponta de lança Moraes. Fernando, Médio Esquerdo Ofensivo, e Nem, Médio Direito Ofensivo, baixam para a linha do duplo pivot Maycon – Stepanenko, criando o tal 4-4-2 em Organização Defensiva.

Ismaily (lateral esquerdo) e Matvyenko (lateral direito), assim como o respetivo médio ofensivo, fecham dentro quando a bola está no corredor oposto, garantindo um bloco compacto, com os jogadores da mesma linha próximos uns dos outros. Apoios defensivos próximos.

Pep Guardiola, com o regresso de Kevin de Bruyne, começou o jogo em 4-3-3.

No papel, ou pelo menos no grafismo que a UEFA apresenta, Laporte e Otamendi eram os centrais, Mendy o lateral esquerdo e Stones o lateral direito.

Para quem já teve a oportunidade ver alguns jogos do Manchester City esta época, começa a ver recorrentemente esta aposta e colocação de Stones em uma lateral e Mendy na outra.

Alguns comentadores televisivos portugueses, falam recorrentemente em um Manchester City “coxo” … Que Stones não é lateral … Que Mendy não casa bem com a forma de jogar do City.

Ora, nos últimos anos aprendi que não são apenas os “clientes que têm sempre razão”, também Pep Guardiola goza desse estatuto.

Afinal, o que quer Guardiola com a colocação destes nomes em campo e não de outros?

Mais do que a colocação de Mendy-Laporte-Otamendi-Stones, é a colocação de Laporte-Otamendi-Stones. Acaba por ser um sistema de 3 centrais, onde Mendy avança agressivamente no terreno, criando várias dinâmicas interessantes com Sterling e Silva.

Neste primeiro momento, vemos Mendy a ocupar o canal, refiro-me ao espaço entre o corredor central e a ala, o que leva a que seja Sterling a ocupar a ala. Finalmente Silva, ocupa o canal em uma posição mais alta, entre o lateral e o central adversário.

Fonte: BT Sport

Muitas vezes, Laporte procura imediatamente Sterling que ao receber inicia a sua condição em direção à baliza adversária, ocupando faseadamente o canal, libertado a ala para a sobreposição de Mendy, que muitas vezes acaba por ser ele a cruzar.

Fonte: BT Sport

Outras vezes é Silva a ocupar a ala e Sterling que ocupa a posição mais avançada no canal, entre o lateral e o central adversário.

Fonte: BT Sport

Ou até Mendy a ocupar a ala, Sterling o canal, em uma posição mais recuada, e Silva o canal em uma posição mais avançada, entre o lateral e o central do adversário.

Fonte: BT Sport

Ou seja, pelo lado esquerdo o City apresenta uma estrutura composta por Mendy-Sterling-Silva que procura combinações curtas como forma de progressão. Na primeira fase de construção dos ataques, Mendy ocupa geralmente a posição no canal e Sterling a da ala. A grande preocupação é garantir que estes dois jogadores nunca estão na mesma linha vertical. Sempre em diagonal um com o outro.

O terceiro homem, geralmente Silva, mantêm-se no canal em uma posição mais alta, fixando o defesa lateral e o central do adversário. Quando a bola entra no último terço adversário, chegando aos pés de Sterling/Mendy na ala, a primeira opção é quase sempre procurar Silva.

O trio de centrais, que já referi, garante o primeiro princípio: Superioridade numérica na primeira fase de construção. Como o Shakhtar organizava-se em 4-4-2, ou seja, com 2 jogadores na primeira linha, o City tinha sempre 3 homens prontos para iniciar a construção, com Fernandinho sempre pronto para responder a eventuais momentos de pressão mais agressivos pelo adversário. Tudo isto, significava não só a manutenção da bola de forma estável, como a progressão da mesma até zonas mais avançadas, através da alocação (nessa primeira fase) do número ótimo de jogadores, nem mais nem menos. O que é absolutamente fundamental.

Primeira Fase 3-2

Se recuarem até à segunda imagem deste artigo, vemos uma primeira linha composta por Stones-Otamendi-Laporte, com Mendy e Fernandinho a comportarem-se como duplo pivot.

Em baixo, observarmos que quando não era Stones, era Fernandinho que ocupava a primeira linha, com o Inglês a avançar para junto de Mendy, no centro do meio campo. Dois laterais, no papel, que são o duplo pivot de construção da equipa, no jogo.

Fonte: BT Sport

Este comportamento dos laterais, de virem constantemente para dentro nos primeiros momentos de construção, abre a linha de passe direta entre o Central e o Extremo, ou seja, Laporte-Sterling e Stones/Otamendi-Mahrez.

A abertura dessa linha de passe, permitiu ao City invadir constantemente o último terço da equipa de Paulo Fonseca. Com a bola nos pés, como já abordei, esses extremos encaravam o adversário, soltando depois quer para Silva/De Bruyne quer, no caso de Sterling, na sobreposição de Mendy.

Com isto, o City podia fazer avançar De Bruyne e David Silva para posições avançadas e mantê-los lá em grande parte do jogo.

Futuro

Ao empurrar a equipa de Paulo Fonseca para dentro do seu meio campo, o City desenhava um 3-1-4-2. Onde Mendy era nada menos que um extremo esquerdo, garantido largura à equipa em todo o instante, semelhante ao que Mahrez fazia do lado direito.

Este posicionamento de Mendy, dava total liberdade a Sterling, que apenas tinha de respeitar a tal regra: Nunca estar na mesma linha vertical que o francês.

David Silva e De Bruyne dominavam os referidos canais, com e sem bola.

Fernandinho, Laporte e o “lateral direito que nunca foi” Stones apoiavam e sustentavam os colegas, permitindo-lhes estar constantemente dentro, bem dentro, do meio campo ucraniano e manter-se lá.

Um lateral esquerdo que é médio organizador e depois extremo esquerdo.

Um lateral direito que é central, médio organizador e trinco.

Um treinador, que se chama Pep Guardiola.

Foto de capa: Manchester City FC

João Mateus
João Mateushttp://www.bolanarede.pt
A probabilidade de o Robben cortar sempre para a esquerda quando vinha para dentro é a mesma de ele estar sempre a pensar em Futebol. Com grandes sonhos na bagagem, está a concluir o Mestrado em Engenharia e Gestão Industrial, pela Uni-Nova e procura partilhar a forma como vê o jogo com todos os que partilham a sua paixão.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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