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Redação Bola na Rede

Pedro Cantoneiro

355 artigos publicados · no Bola na Rede desde 2019

Adepto da discussão futebolística pós-refeição e da cultura de esplanada, de opinião que o futebol é a arte suprema.

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Brasileirão

Martín Anselmi no Glorioso

Martín Anselmi continua a provar ser impossível escapar da tirania do karma. Desde que saiu como saiu do México, a carreira do argentino tem seguido linha trágico-cómica: as peripécias no Dragão, culminadas pela incapacidade colectiva para competir em jogos de grande responsabilidade, repetiram-se no Rio, ao comando dum ‘Glorioso’ Botafogo que com ele ao leme foi tudo menos isso. A aventura durou três meses, 18 jogos dos quais venceu sete e sofreu 21 golos. Lá como cá, as supostas ousadias tácticas revelaram-se maioritariamente como caos impraticável, desorganização, passividade. O Botafogo, já aos cambaleios com Renato Paiva ou Davide Ancelotti, caiu finalmente com Martín ao leme. De ganhar a Libertadores em 2024, passou a eliminado antes da fase de grupos duas edições depois.

Pedro Cantoneiro · 5 min de leitura
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Benfica

É preciso fato de gala | Benfica x Vitória SC

Na mesma noite em que o Sporting abanou a jornada de Champions com uma reviravolta como pouco se havia visto na história da competição, alcançando pela segunda vez os Quartos, o Benfica entregava galardões de mérito na sua festa anual. O máximo anfitrião,  Rui Costa, aproveitou o certame para inflamar o ruído quixotesco que vai mantendo contra os mais altos poderes do futebol luso, classificando de “inqualificável” o castigo aplicado a José Mourinho pelas quezílias no Clássico. Ora, não foi de modas o Conselho de Disciplina: negou o recurso das Águias em relação ao treinador, confirmou os dois jogos de suspensão e a multa, atribuiu mais dois jogos a Dedic pela expulsão em Arouca e suspendeu o director-técnico, Mário Branco, por 30 dias, por ter ido ao balneário do árbitro tirar satisfações. Não foi atípica a semana de preparação benfiquista, que peripécias deste tipo vão-se tornando habituais pelos lados da Luz, em sacrifício do sucesso desportivo. Assim, será novamente João Tralhão a comandar a partir do banco na recepção ao Vitória nortenho. António Silva é baixa por acumulação de amarelos, além do lateral bósnio, obrigando a nova mexida na intermediária, agora já com Otamendi no eixo, regressado.

Pedro Cantoneiro · 5 min de leitura
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Benfica

Manter a chama acesa | Arouca x Benfica

Será útil estrebuchar mais alguma coisa? Perguntará a si próprio José Mourinho, pensando na preparação do embate da Águia com os Lobos, na Serra da Freita. A dúvida impõe-se por duas válidas razões: desde logo, pelo mais recente castigo imposto pelo Conselho de Disciplina após os eventos do Clássico entre Benfica e FC Porto. Pela expulsão e pelo desentendimento com Lucho, dois jogos fora – por isso, como no Bernabéu, estará João Tralhão a comandar as tropas tanto este Sábado como no próximo, na recepção ao Guimarães. É suficiente estrebuchar o comunicado do Benfica? Como se reflictirá isso em campo e no rendimento da equipa? Depois do balde de água fria anímico em que se tornou o debacle da primeira parte com o FC Porto, os bons indícios que a equipa vinha dando foram-se pelo ralo. E talvez por aí seja preciso outro estrebuchar, um abanão – e mesmo que Barreiro e Aursnes estejam, por estas semanas, a reivindicar os seus segundos na box para reentrar em pleno na corrida e no sprint final de época, é imperativo continuar a acumular pressão sobre os rivais, sobretudo num fim-de-semana em que Sporting não joga – preparando a reviravolta contra o Bodo, espera-se… -, podendo o Benfica meter-se a um ponto à condição.

Pedro Cantoneiro · 5 min de leitura
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Resto do Mundo

O NEC Nijmegen de Dick Schreuder

Certamente todos nos lembramos do fantástico Paços de Paulo Fonseca, qualificado para a Champions pelo terceiro lugar conseguido em 2012-13. Do 4-3-3 moderno, de Josué como organizador, a parelha Diogo Figueiras e Manuel José a electrificar o lado direito e Cícero como pivot na frente. A proeza fez-se com futebol pensante, envolvente, de maduros equilíbrios. Foi a última vez que houve surpresa no pódio português. Analisar a nossa Liga pode provocar comparações com o estrangeiro e é sempre óbvio olhar para a congénere neerlandesa, dados os semelhantes índices competitivos e naturais rivalidades em termos de rankings uefeiros. A Eredivisie nunca se fez tão rígida nos protagonistas (oito vencedores desde 1956 contra os nossos quatro) mas PSV, Ajax e Feyenoord serão inevitáveis no favoritismo, época após época. Diz-se que haverá uma classe média mais extensa, com as sucessivas aparições europeias de AZ, Twente ou Heerenveen; mas destronar os Três Grandes no acesso à Champions costuma ser difícil. Até agora.    

Pedro Cantoneiro · 4 min de leitura
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Premier League

O fim da seca de Nick Woltemade

No Nordeste da Albion já se coçavam alguns queixos. Na comunicação social já especulava sobre as reais capacidades do gigante alemão.  Dada a natureza da estatística, não seria de espantar: Nick Woltemade, recrutado em Estugarda por 75 milhões, não fazia golos desde 20 de dezembro ou, melhor pondo, há 14 jogos. A queda abrupta de rendimento divergia completamente da chegada triunfal do alemão ao St James Park, quando marcara cinco vezes nas primeiras seis aparições. Mas mesmo antes dessa fatídica pelada em dezembro, quando bisara ao Chelsea, já as coisas não andavam bem: Woltemade decidiu, uma semana antes, o derby de Tyne-Wear, frente ao Sunderland, com um espectacular… auto-golo, dando a vitória aos rivais Black Cats. Desde aí, só seis titularidades, que Wissa, a outra contratação para tentar colmatar a saída de Isak, voltava de lesão e permitia descanso ao alemão. Mas, como ele, a mesma inoperância como último homem. Problemas do sistema de Eddie Howe?

Pedro Cantoneiro · 4 min de leitura
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Benfica

Ser maior aos 17 | Benfica e o Seixal como base

A repetição do milagre interpretado por Anísio no último jogo do Benfica, marcando ao primeiro toque, sublinha a emergência da vaga seixalista campeã mundial, que se assume nos séniores com a mesma vertigem com que ganhou no Catar. José Mourinho fez questão de dizer logo à chegada que havia talento a nascer das pedras na academia benfiquista. Coerentemente, tem valorizado a juventude caseira e vai introduzindo-a como pode nos trabalhos da primeira equipa, tornando-a sustento e alternativa directa a contrariedades de toda a ordem, com a plena consciência que o Terceiro Anel aprova. Os miúdos agradecem e retribuem. Quantos benfiquistas estiveram no título mundial? Nove. Quantos foram titulares? Cinco. E quantos já Mourinho fez estrear com a águia ao peito? Seis, mas nem todos da tal geração sub-17. E às incidências do pré e pós-jogo, dando a experimentar o banco de suplentes, mais cinco. Há muita vida para lá dos milhões e das comissões, surgindo a natural dúvida quanto à necessidade dos valores gastos.

Pedro Cantoneiro · 3 min de leitura
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Opinião

O regresso de Álvaro Carreras ao Estádio da Luz

Na Luz, Samuel Dahl continua sem fazer esquecer totalmente Álvaro Carreras, que desbrava mundo em Madrid e assume-se como um dos melhores laterais da actualidade. A concorrência de Ferland Mendy e Fran García pulverizou-a naturalmente e regressa agora à Luz como titularíssimo do maior campeão do futebolístico. Dois anos depois da sua estreia de Àguia ao peito, Carreras defronta o clube que o catapultou para a elite com a ingratidão involuntária de poder ser um dos carrascos da continuidade europeia do Benfica. Mas estará só a ser profissional: se aos portugueses é obrigatória a vitória e a bonança das probabilidades, aos de Madrid falta ainda um ponto para assegurar o top 8 e a qualificação directa.  Foi a 24 de Janeiro de 2024, há praticamente dois anos certos, que Álvaro Carreras se fez estrear sob comando de Roger Schmidt, numa meia-final perdida para o Estoril no desígnio dos penalties. Aquele Estoril era osso duro de roer, treinado por Vasco Seabra e com a dupla Mateus Fernandes-Kondredi na intermediária mais Guitane a agitar lá na frente, mas aquele Benfica tropeçava e deixava já antever as dificuldades sentidas até final dessa época. Carreras, vindo do Granada com 20 anos, não tomaria qualquer responsabilidade nessa desilusão, já que só jogaria sete minutos.

Pedro Cantoneiro · 3 min de leitura
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Premier League

Paco Jémez | O novo adjunto de NES

Em Espanha rejubilou-se. Quando Nuno Espírito Santo percebeu que o seu West Ham precisava de algo mais para a acérrima luta pela manutenção e remoeu no seu próprio passado à procura de ajuda, lembrou-se de Francisco "Paco" Jémez, espanhol de 55 anos com quem partilhara balneário no Deportivo, lá na Corunha, entre 1996 e 98. A natural entreajuda entre guarda-redes e defesa-central deve ter proporcionado aos dois relação próxima; Diz-se que o convite foi pessoal e ideia do próprio Nuno, talvez percebendo que faltavam centelhas doutra ideologia, mais próxima da baliza adversária. No seguimento da contratação de Taty Castellanos e Pablo, Paco chegou pronto a acertar pormenores e dotar o conservadorismo de Nuno duma ousadia difícil de inventar quem para ela não tem disposição. A vitória em casa do Tottenham logo a abrir deixa antever boas coisas. E o júbilo na sua natal Espanha, além da incredulidade, reproduziu-se mais fielmente nas redes sociais.  Paco é figura de culto, pela personalidade e o génio alternativo com facilidade para incendiar relvados e salas de imprensa na mesma proporção. Um pouco à imagem de Jorge Jesus por cá, Jémez deixou a sua pegada no futebol espanhol da década passada quando personificou na perfeição os valores de Vallecas, bairro madrileno casa do Rayo. As idiossincrasias ideológicas do terceiro clube da capital demarcam-se de todo o cenário hermano pelo forte cunho identitário em escala muito específica – não representam uma região ou uma cidade; É o único clube de topo, em Espanha e muito possivelmente na Europa, que chegou à elite em representação vincada dum bairro e das suas gentes, muito ligadas à causa proletária e de feição à esquerda, sempre na luta contra o autoritarismo e a favor dos trabalhadores e dos mais frágeis. Entre 2012 e 2015, o casamento entre instituição e Paco Jémez, sempre de sangue na guelra, foi coisa cinematográfica. O futebol repercutia os traços ideológicos – era a coragem de lutar olhos nos olhos contra todos e a humildade do esforço interminável – e a equipa uma extensão da massa adepta. Dizem que era normal ver o plantel em centros de apoio aos sem-abrigo a cozinhar e a ajudar na distribuição; Quando, em 2014, Cármen, uma senhora de 85 anos nascida, criada e formada em Vallecas, foi desalojada por dívidas familiares, o clube ofereceu-se prontamente a disponibilizar-lhe um final digno, oferecendo todas as condições. A equipa chegou a publicitar o incidente com um voluntário minuto de silêncio em campo enquanto os Bukaneros, principal grupo de apoio, mostrava duas faixas: #CARMENSEQUEDA, LOS DESAHUCIOS DE UN ESTADO ENFERMO e LA SOLIDARIEDAD DE UN BARRIO OBRERO. Um de muitos episódios de activismo concreto.

Pedro Cantoneiro · 7 min de leitura
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Taça da Liga Portuguesa

Taça da Liga no estrangeiro?

A ideia de jogar a final da Taça da Liga no estrangeiro parece surgir dum fundo de ostentação e luxúria, procurando beber também da incontrolável torneira árabe como outros já fazem: quando, em Agosto último, Pedro Proença referiu que há «territórios onde interessa estar», a intenção parecia aludir aos exemplos já dados por Espanha, França ou Itália, que potenciaram financeiramente a realização das suas Supertaças ao transportarem-nas para fora. Defendeu-se Proença quando ressalvou que não «está a ser equacionado um território em específico»: do ponto de vista sociológico, interessará também a hipótese de reafirmar a marca do futebol português junto das grandes congregações de língua portuguesa em território europeu (comunidades emigrantes em França ou Suíça, por exemplo) ou africano, como Angola ou Moçambique. Esta ideia é a que mais reúne consenso no subconsciente da massa adepta portuguesa, se for obrigada a aceitar essa reformulação competitiva.

Pedro Cantoneiro · 5 min de leitura
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Top BnR

Futebol em 2025 de A a Z

Ano de Futebol em cheio, marcado a nível nacional pela vitória das Quinas na Liga das Nações, que nos leva a tentar reviver os seus melhores momentos detalhadamente. As histórias de superação, os protagonistas, as revelações, o drama e a tristeza. Como habitual, o Bola na Rede enfrenta a dificuldade da escolha e da seleção, não temendo a inevitável injustiça ou a provocante deliberação de motivos e critérios para tentar delinear o abecedário de mais uns inesquecíveis 365 dias do desporto que tanto gostamos.

Pedro Cantoneiro · 8 min de leitura
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Resto do Mundo

O Celtic de Wilfried Nancy: À quinta foi de vez!

Veio tarde e quase fora de horas a primeira afirmação de Wilfried Nancy como novo treinador dos católicos. À quinta oportunidade, já depois de derrota europeia e final da Taça da Liga perdida, numa situação já de si quase insustentável, a equipa mostrou que realmente quer estar com o treinador – que o sistema inovador trazido de Columbus pode demorar mais a assimilar. Contra o Aberdeen, o 3-1 final não reflectiu o tremendo poderio ofensivo, com 4,38 golos esperados e múltiplas bolas nos postes. Respira-se finalmente fundo e o francês de 48 anos (1977) ganha alguma margem de manobra.

Pedro Cantoneiro · 3 min de leitura
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Benfica

Pode Richard Ríos sorrir ainda mais? | Benfica

Quando o repórter Bola na Rede fez por merecer resposta e elogio de José Mourinho, a conversa focou-se em Enzo e Fredrik, deixando de lado o habitual terceiro elemento do miolo. Richard Ríos, com mais uma bela e consistente exibição em Faro na vitória para a Taça, vai calando críticos e transformando as reticências à sua volta em exclamações. Se os prémios de melhor em campo com Sporting e Nápoles podem ser justificados pela simplicidade da relação entre a sua disponibilidade física e o que esses desafios lhe pediam, frente ao Farense deu para afastar novamente o mau olhado com outro golo e outra maturidade. José Mourinho já terá entendido na plenitude o talento do colombiano – por isso, provavelmente, lhe pede cada vez menos preponderância na construção e mais acutilância na ruptura, seja em movimento disruptivo ou transporte.

Pedro Cantoneiro · 4 min de leitura
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Braga

Qual era a necessidade? | Rangers FC 1-1 SC Braga

Era real a hipótese do SC Braga ser a primeira equipa de sempre a vencer nos dois maiores palcos de Glasgow na mesma temporada. Era um feito inédito e perfeitamente ao alcance: este Rangers não é da mesma laia daquele que eliminou arsenalistas em 2020 ou 2022, a qualidade está uns furos abaixo – quatro derrotas nas quatro jornadas desta fase regular da Liga Europa, perfazendo sete derrotas europeias consecutivas que só não eram o pior registo escocês de sempre porque… o Motherwell chegou às oito, entre 2010 e 2013. Mesmo que Martin Russel fosse já uma memória distante no Ibrox e Danny Röhl, ex-adjunto de Hasenhüttl e de Flick, esteja a ser bem-sucedido no inverter da situação, o Glasgow Rangers é um clube em pantanas: esta semana, o director desportivo Kevin Thelwell e o executivo Patrick Stewart foram demitidos, numa decisão que tomou conta do panorama mediático na Escócia e preencheu a centralidade das antevisões locais.

Pedro Cantoneiro · 5 min de leitura
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Premier League

Rob Edwards | O sucessor de Vítor Pereira

Vítor Pereira parecia garantir aos Wolves os mínimos competitivos necessários à consolidação na Premier League. No ano passado, as seis vitórias consecutivas entre a 29.ª jornada e a 34.ª mostraram que era possível fazer mais, mesmo que no plantel não coabitasse a qualidade de outros tempos: o 16.º lugar final, quatro pontos à frente do Tottenham de Postecoglou, dava pretexto para se acrescentar o tal género de talento da fase Nuno Espírito Santo. Vítor fez por merecer essa aposta. Só que num Verão em que saem Nélson Semedo, Ait Nouri e Matheus Cunha, os verdadeiros reforços para Vítor Pereira nunca chegaram, mesmo que tenham sido gastos 125 milhões na reformulação. A 17 de Agosto, depois do atropelo sofrido do City, o treinador português exasperava:

Pedro Cantoneiro · 6 min de leitura
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Recordar é Viver

Recordar é Viver | Jorge de Brito

Decretada ficou a vontade do povo benfiquista, tão grande e tão convicta que chegou a recorde de Guinness. Será, pois, sensível reservar para as próximas semanas uma exaustiva reflexão sobre o que significará a manutenção dum status quo que para a Luz não tem conseguido construir grandes méritos, muito menos grandes prémios. Mas a democracia disse-nos, veementemente, que só interessava segurar Rui Costa no gabinete máximo; e assim sendo, a esperança será mesmo a última a morrer e o optimismo terá que ser facultado em rações de guerra, tudo muito comedido para durar e fazer render. Diz-nos o presidente que os quatro anos anteriores dotaram o clube da capacidade para ganhar consecutivamente nos quatro anos vindouros – que tudo não passara de sofrida, mas intensiva preparação; os títulos virão, alapados à megalomania do Benfica District, Colombo melhor que o original e que suportará um estádio ainda mais monumental, com 15 mil lugares adicionais e exterior rejuvenescido. A cifra da despesa arrendondam-na aos 220 milhões e o adepto mais céptico olha, mete a mão no queixo e gasta um bocado do tal optimismo para conseguir ver alguma seriedade na coisa.  

Pedro Cantoneiro · 5 min de leitura
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Benfica

Livrem-se de ser Ota-Ríos | Newcastle x SL Benfica

Sim, não apenas no sentido mais pejorativo da palavra – sem inteligência, burro – mas sobretudo no significado mais abrangente do calão: ao Benfica cabe não ser ingénuo em St James Park e perceber que nunca compensará entrar nas loucuras físicas que o Newcastle de Eddie Howe tanto gosta e está habituado. Ou seja, não ser tolo. Mourinho avisou várias vezes na conferência de antevisão, sublinhando que é obrigatório ao Benfica impor o seu próprio ritmo, o controlo da posse e o aproveitamento das chances criadas através da consistência posicional e da proximidade de todos.

Pedro Cantoneiro · 6 min de leitura
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Benfica

José Mourinho | Dedinho ou dedão

Só agora, 22 dias depois de confirmar com uma rubrica o regresso ao Benfica, Mourinho conseguirá ter uma verdadeira fase de transição, de preparação e efectivo trabalho de campo. A tempestade de calendário ainda vai a meio, que ainda precisa o Benfica de segurar a Taça em Trás-os-Montes e salvar a Champions em Newcastle upon Tyne; Outubro terminará então com as portas abertas para o futuro quando os associados forem às urnas. Mourinho, esperto, nunca se associou a esse momento nem quis prometer apoios e alianças – comprometeu-se simplesmente com o Benfica.  E teve mérito nessa empreitada. Não sendo animadores os resultados ou as exibições, haverá diferenças significativas na compostura defensiva da equipa. Há mérito na forma como Mourinho conseguiu transformar alguém que se deixou derrotar pelo campeão azeri na primeira equipa da temporada a travar as intelectualidades táticas fariolanas. Pragmático como sempre, percebeu as circunstâncias e ordenou aos seus jogadores que obrigatório seria, numa primeira fase, não deitar tudo a perder.

Pedro Cantoneiro · 3 min de leitura
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