As lesões de Natal no Sporting

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Mais um Natal, mais um cabaz de lesões. Em dezembro de 2024, o Sporting chegou às onze lesões e este ano vamos pelo mesmo caminho: são já nove jogadores indisponíveis, por idêntico motivo, numa fase crucial da época, em que estamos a disputar três competições. Podiam ser quatro se, mais uma vez, não tivéssemos desperdiçado uma vantagem, agora, frente ao Vitória, nos descontos. São já seis os jogos em que o Sporting se encontra a ganhar e acaba por se deixar empatar ou perder (Braga, Juventus, Benfica, Santa Clara (passámos no prolongamento com mais um), Gil Vicente e, agora, de seguida, Vitória). Um dado que começa a ser excessivo e que exige explicações. Falta de condição física? Gestão inadequada do esforço? A verdade é que continuamos em várias frentes competitivas e a lista de lesionados não para de aumentar pelo segundo ano consecutivo. Um ano pode ser azar; dois começa a parecer um padrão. Não basta dizer que é “caso de estudo”. Até pode ser, mas então que se estude e se apresente uma justificação e uma solução, porque normal não é.

Não falo de lesões traumáticas ou resultantes de choques fortuitos do jogo, como aconteceu com Eduardo Quaresma, em Leiria. Falo, sobretudo, de lesões de esforço muscular, de recaídas e de problemas físicos que se prolongam no tempo. E isso levanta ainda mais interrogações. Preocupa, desde logo, o tempo de recuperação de alguns jogadores. Pote é um caso paradigmático, tal como Nuno Santos e Daniel Bragança, que tardam em regressar às opções da equipa. Ao mesmo tempo, há jogadores que continuam a ser excessivamente carregados. Trincão é um exemplo evidente, repetindo um padrão já visto no ano passado, sensivelmente por esta altura. O mais inquietante é que o próprio presidente do Sporting assumiu, há cerca de um ano, que o jogador estava “morto”. Ainda assim, chegados a este ponto da época, continuamos sem uma alternativa clara que permita uma rotação eficaz e uma gestão responsável do esforço.

Sporting Jogadores
Fonte: Paulo Ladeira / Bola na Rede

E, para tornar a situação ainda mais insólita, verificamos que a confiança de alguns destes jogadores em determinados departamentos do clube parece, no mínimo, fragilizada. Não é indiferente que Trincão tenha optado por realizar trabalho específico de preparação física fora do Sporting, nem que Daniel Bragança tenha procurado uma intervenção cirúrgica fora da estrutura clínica do clube. Não se trata de julgamentos, mas de factos que levantam questões legítimas. Quando jogadores de referência sentem necessidade de procurar soluções externas, algo no funcionamento interno deve ser analisado com seriedade, transparência e responsabilidade.

Quando se candidatou às primeiras eleições no Sporting, Frederico Varandas apresentou como uma das suas grandes bandeiras a criação de uma Unidade de Alta Performance. Hoje, pouco ou nada se ouve sobre essa unidade. E talvez nem fosse necessário falar dela se, de facto, o plantel do Sporting apresentasse uma elevada performance dentro de campo. Isso seria sinal de que o projeto cumpria o seu propósito e de que a promessa eleitoral estaria a ser honrada. Mas não é isso que se passa. E não sendo, torna-se difícil compreender por que razão ninguém questiona o funcionamento desta unidade, nem por que motivo não são apresentados, inclusive por quem a dirige, os fundamentos para que, pelo segundo ano consecutivo, o clube atravesse este verdadeiro calvário de lesões. O cenário torna-se ainda mais caricato quando se recorda que o presidente do Sporting, o mesmo que apresentou esta unidade como pilar estratégico, é médico e que o Sporting foi o único dos três grandes a realizar uma pré-época completa e, ainda assim, encontra-se nesta situação.

Geny Catamo Frederico Varandas Sporting
Fonte: Ana Beles / Bola na Rede

Convém lembrar que, por esse mundo fora, existem inúmeros exemplos de clubes onde estas estruturas funcionam com competência real, e não apenas no papel ou na aparência. Clubes que apostam seriamente na prevenção e na recuperação do atleta, recorrendo a biotecnologia, leitura térmica individualizada, nutrição avançada e monitorização permanente do esforço. O Palmeiras é um caso frequentemente citado, com um departamento de monitorização individual que controla variáveis como o sono, a hidratação ou até indicadores biológicos recolhidos diariamente. Em Portugal, e no que ao meu clube diz respeito, gostaria que parte dos 250 milhões de euros recentemente aprovados fosse canalizada para resolver problemas que estão à vista de todos, pelo segundo ano consecutivo, em vez de se continuar a transformar o estádio num teatro de acesso reservado a alguns, afastando-o da essência do futebol. E já agora que o investimento se estendesse ao mercado de transferências. É que, no ano passado, com onze lesionados, Rui Borges teve direito a um guarda-redes. E o nosso treinador bem que merecia umas prendinhas de Natal.

Sobretudo num contexto em que o FC Porto aparece muito forte, com um investimento astronómico e uma estratégia clara, enquanto o Sporting parece ter andado distraído com a novela Gyökeres. Eu avisei. Não podemos continuar a depender da resistência física dos nossos jogadores como se isso fosse uma variável secundária, nem podemos entrar em mercados decisivos como quem espera que o problema se resolva sozinho. Não se resolve. Em relação ao resto, já sabíamos que ia valer tudo. E quando vale tudo, o Sporting não pode falhar onde mais devia ser forte: na preparação, na prevenção e na antecipação de tomada de decisões estratégicas.

Bruno Sá
Bruno Sáhttp://www.bolanarede.pt
Sócio 10.626-0 do Sporting Clube de Portugal, empresário e proprietário do “Cantinho do Sá".

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