A mobilidade de Pablo Rosário e a importância das trocas posicionais no meio campo do FC Porto

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O FC Porto empatou a uma bola na primeira mão dos quartos de final da Europa League frente ao Nottingham Forest, de Vítor Pereira. No regresso do técnico português ao Estádio do Dragão, ambas as equipas realizaram várias alterações nos onzes iniciais face ao último encontro. Do lado inglês, Vítor Pereira alterou o seu sistema tático habitual, apresentando um 5-2-3 para responder às mudanças no plantel, embora o próprio tenha referido que alguns jogadores acabaram por desempenhar funções diferentes das habituais.

Os dragões adiantaram-se no marcador aos 11 minutos, através de uma jogada coletiva pelo corredor esquerdo, com William Gomes a finalizar ao segundo poste. No entanto, aos 13 minutos, um mau passe de Martim Fernandes para Diogo Costa permitiu ao Nottingham Forest chegar ao empate.

A partir desse momento, a equipa inglesa conseguiu estabilizar o jogo e tornar-se mais competitiva, embora fosse concedendo espaço para as transições ofensivas do FC Porto. Nesse contexto, Seko Fofana teve um papel determinante no transporte de bola, sendo uma das principais figuras na progressão até ao último terço. Já Gabri Veiga manteve uma exibição consistente, tanto no plano defensivo como ofensivo, equilibrando o meio-campo dos azuis e brancos.

FC Porto x Nottingham Forest
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Do ponto de vista tático, o jogo apresentou vários momentos de interesse, com um FC Porto globalmente competente, sobretudo no momento ofensivo. Em organização defensiva, Francesco Farioli voltou a optar por um bloco médio, tal como já tinha acontecido frente ao Famalicão. Perante um Nottingham Forest que recorreu frequentemente à bola longa, a opção revelou-se ajustada, permitindo ao FC evitar desgaste excessivo nas corridas, manter um melhor controlo das distâncias entre setores e garantir maior chegada na disputa das segundas bolas.

Ainda assim, é visível que a equipa apresenta algumas limitações na primeira fase de pressão. Terem Moffi não demonstra, neste momento, capacidade física para sustentar uma pressão alta constante, o que leva Francesco Farioli a ajustar o bloco e a proteger a estrutura coletiva. Neste contexto, Deniz Gul surge como uma solução mais consistente para a posição 9, sobretudo pela capacidade de dar continuidade à pressão, ainda que necessite de maior confiança e eficácia na finalização. Borja Sainz atravessa também uma fase menos positiva, condicionada não só pelo rendimento desportivo, mas também por fatores pessoais, o que se reflete na sua eficácia no remate e na tomada de decisão.

Jogadores FC Porto William Gomes
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

O grande destaque acabou por ser a maior mobilidade de Pablo Rosario no meio-campo. Conseguiu aparecer mais em zonas adiantadas, permitindo ao FC Porto uma maior capacidade de progressão entre linhas. Gabri Veiga assumiu, esporadicamente, funções mais recuadas e deu maior fluidez ao jogo interior dos dragões. Além disso, esta dinâmica permitiu ao FC Porto ter uma maior imprevisibilidade no jogo com bola e tornou-se mais difícil para a equipa inglesa manter as referências.

Ainda assim, estas variações posicionais no meio-campo, mantendo a estrutura base de 1+2, podem e devem tornar-se mais constantes. Uma maior rotatividade entre os médios poderia permitir ao FC Porto encontrar mais soluções no corredor central e, tendo em conta essa mobilidade (caso o adversário acompanhe as referências), abrir espaços para o ponta de lança receber entre linhas. Estas trocas posicionais criariam também mais dúvidas nas marcações adversárias. A combinação destas dinâmicas com movimentos de rutura dos extremos e do ponta de lança poderia potenciar ainda mais o jogo interior da equipa no último terço para esta fase decisiva da época desportiva.

Com a fase decisiva da época a aproximar-se, a gestão física e emocional do plantel do FC Porto será determinante. Francesco Farioli terá de manter a agressividade na pressão, tendo em conta a gestão que vai fazendo entre jogos da Primeira Liga e da Europa League, mas também continuar a desenvolver mecanismos que permitam uma maior progressão no jogo interior, algo que tem sido frequentemente condicionado pelas equipas adversárias.

Rodrigo Lima

Francesco Farioli FC Porto
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

BnR na Conferência de Imprensa

Infelizmente, não foi possível colocar uma questão a Francesco Farioli, treinador do FC Porto.

Bola na Rede: A equipa do Nottingham Forest foi testando muitas vezes o jogo direto ao longo do encontro. Pergunto-lhe qual foi o objetivo, tendo em conta a primeira linha de pressão do FC Porto mais baixa na primeira parte, e não uma pressão à entrada da área como já vimos em muitos jogos do FC Porto? E pergunto-lhe também se a entrada do Igor Jesus, para além do regresso após lesão do Wood, foi também para tentar que a equipa conseguisse ter mais jogo interior, com as descidas do avançado brasileiro?

Vítor Pereira: Nós sabemos que o FC Porto normalmente pressiona a primeira fase de construção, é muito agressivo em termos de transição defensiva e também muito agressivo entre linhas, no jogo interior. O que tentámos na primeira parte foi rodar a bola no sentido de criar espaços para depois passarmos a uma segunda fase. Eu penso que, na primeira parte, não foi um grande jogo — já fizemos jogos de melhor qualidade, mas não é fácil. Os jogadores não têm competido regularmente e chegar a um jogo destes, com esta temperatura, neste estádio, frente a uma equipa que está num momento em que lidera o campeonato, quer ganhar a Liga Europa e está a discutir a Taça de Portugal, portanto, está num bom momento. Nós, com tantas mexidas, é claro que aquilo que é a ligação do nosso jogo não foi tão boa, também porque defrontámos um adversário forte. Há umas semanas fomos ao Midtjylland, num relvado muito fraco, e conseguimos fazer um jogo porque o Midtjylland não é tão forte na pressão. Uma equipa joga aquilo que a outra permite. Nós tentámos o nosso jogo, mas, a partir de determinada altura, com jogadores adaptados a certas posições e com uma estrutura que também não é a nossa, mas que serve para gerir os jogadores que temos neste momento e já a pensar no jogo com o Aston Villa, foi a solução que encontrámos. Não é que eu goste de jogar longo, e este jogo longo contra o FC Porto coloca muitas dificuldades, porque eles são fortes na segunda bola e muitas vezes é aí que criam problemas aos adversários. Mas, no final das contas, estamos no intervalo da eliminatória e com tudo em aberto.

Rodrigo Lima
Rodrigo Limahttp://www.bolanarede.pt
Rodrigo é licenciado em Ciências da Comunicação e está a frequentar o mestrado em Gestão do Desporto. Trabalha na área do jornalismo desportivo, com particular interesse pela análise de futebol.

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