Do ruído ao rendimento | Braga domina o Rio Ave e transforma trabalho em resultados

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Um mês depois da derrota embaraçosa na Taça de Portugal diante do Fafe, António Salvador proferiu as palavras «Começa a época a partir de hoje para as competições que temos». Foram declarações arrasadoras que refletiam uma inconsistência muito visível dentro das quatro linhas no início da temporada. A verdade é que a recente forma minhota tem dado muita razão ao presidente. O Braga dominou o Rio Ave durante 90 minutos, logo depois de uma exímia goleada ao AVS SAD. Não sendo os adversários mais difíceis do calendário, a turma de Carlos Vicens soube aproveitar as oportunidades para ganhar confiança e, mais importante, estabelecer uma tão necessária identidade.

Carlos Vicens trouxe uma filosofia de jogo totalmente nova para o clube, baseada numa ideia de confortabilidade com bola mas muito capaz em transições, com muita liberdade posicional no último terço. São conceitos ambiciosos, mas que encaixam perfeitamente com a qualidade e profundidade do plantel do Braga. Esta experiência trata-se de uma novidade não só para os bracarenses, como também para o próprio técnico espanhol, visto que é a sua primeira oportunidade como treinador principal de uma equipa deste nível. Antes de chegar a Portugal, foi adjunto de Pep Guardiola no Manchester City e treinou vários escalões de formação na academia dos cityzens.

Este projeto demorou a arrancar mas, no passado domingo, vimos um Braga muito bem oleado. Dominaram as quatro fases do jogo com critério e acabaram por conseguir um resultado de 3-0 que mostra isso mesmo. Entraram com uma pressão alta e agressiva desde o primeiro minuto de jogo, focada na confiança que a linha defensiva providencia no controlo de profundidade e jogo aéreo. Florian Grillitsch abriu as contas da noite muito cedo e foi uma das peças fundamentais para o controlo do jogo, sendo o elemento mais avançado do meio-campo, tanto no condicionamento à saída de bola pelo centro, como a aparecer em zonas de finalização. Um ponto que foi reforçado por Vicens após o encontro, referindo que, no seu sistema, têm de existir vários jogadores a encontrar estes espaços.

Florian Grillitsch, Braga
Fonte: Braga

A jogar em casa, encontraram um Rio Ave em decadência, com drama fora dos relvados, e sem as estrelas que perdeu no mercado de Janeiro: Clayton e André Luiz. A equipa de Sotiris Silaidopoulos mostrou enormes dificuldades para contrariar a pressão adversária, sentido a falta do criativo Brandon Aguilera, principalmente porque o reforço Tamble Monteiro não foi capaz de segurar nenhuma das investidas longas, após as quais os dois pivôs poderiam aparecer como apoios frontais e lançar ataques um pouco mais estruturados. Contudo, esta ineficácia levou a um anulamento total a nível ofensivo, terminando a partida com apenas dois remates enquadrados com a baliza de Lukas Hornicek, que teve um dos jogos mais tranquilos da época.

Para além disso, o facto de o primeiro golo ter aparecido tão cedo na partida pesou na moral dos visitantes. A disciplina de manter os blocos compactos foi-se dissipando com o passar do tempo e foram permitindo cada vez mais oportunidades. A linha atacante do Braga, composta por três jogadores tecnicamente muito desenvolvidos e inteligentes na movimentação sem bola (Ricardo Horta, Pau Víctor e Rodrigo Zalazar), beneficiou tremendamente desta desconcentração.

O avançado espanhol serviu como um ‘falso nove’, jogando quase sempre a um máximo de dois toques e com perspicácia no posicionamento. Pau Víctor caiu várias vezes na meia-esquerda, como no lance em que assiste o primeiro golo da partida, o que acabou por permitir que Ricardo Horta fosse várias vezes o homem mais central do ataque. Ainda com 17 minutos de jogo, o capitão bracarense podia ter arrumado com o resultado, porém fez o mais difícil ao falhar de baliza aberta depois de já ter ultrapassado o guarda-redes. A falta de eficácia em frente à baliza foi o único fator que não caiu do lado da equipa de Vicens até ao descanso.

Braga
Fonte: Braga

Se na primeira parte já se sentiu a diferença de qualidade, na segunda os minhotos confirmaram ainda mais o favoritismo. A falta de inspiração ofensiva do Rio Ave continuou, e foram permitindo oportunidades cada vez mais perigosas. Sotiris Silaidopoulos tentou introduzir sangue novo no ataque com uma substituição tripla, mas nenhum dos substitutos foi capaz de ter o impacto esperado.

A vantagem foi finalmente dilatada aos 73 minutos, depois de uma jogada coletiva bem desenhada no seguimento de uma recuperação de bola já no último terço. Um golo que foi um reflexo das ideias já referidas do treinador espanhol, com combinações a poucos toques e movimentação de Grillitsch para a grande área, onde assistiu o remate de Ricardo Horta. Já em tempo de compensação, em mais uma excelente jogada coletiva, João Moutinho recebeu a bola na zona frontal da entrada da área e encontrou, com um passe de morte, Ricardo Horta, que bisou na partida e fechou o resultado merecido.

Em suma, foi possível assistir a um jogo no qual dois clubes se apresentaram em trajetórias opostas. Enquanto que o Braga demonstrou a tal identidade que procurava e continuou a acumular confiança para a fase final da época, o Rio Ave mostrou-se cada vez mais perdido e sem rumo. Os bracarenses lutarão para assegurar o quarto-lugar e fazer a melhor campanha possível nas eliminatórias da Europa League, e os vilacondenses tentarão manter-se na Primeira Liga.

Gabri Martínez, Gustavo Mancha - Braga x Rio Ave
Fonte: Braga

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