O SC Braga foi a Deventer com um objetivo simples, sair vivo e sem sustos, num jogo em que o contexto pedia mais cabeça do que brilho. O ambiente no De Adelaarshorst ajudou o Go Ahead Eagles a empurrar o jogo para um registo de intensidade e duelos, mas a equipa minhota respondeu com maturidade, mas com pouco espetáculo e muita segurança.
Taticamente, o desenho também empurrou o encontro para essa zona “cinzenta”. O Go Ahead manteve a sua base, o Braga apresentou-se com um bloco bem montado, sem grandes aventuras, e isso notou-se desde cedo: havia bola, havia circulação, mas faltava espaço. O Braga teve mais posse e rematou mais, porém quase sempre em zonas controladas, sem aquela aceleração que transforma domínio em perigo real. Foi um jogo de gestão, controlar sem se expor, impor sem se partir.
A primeira parte foi um retrato fiel do plano. O Braga foi tentando aproximar-se com paciência, o Go Ahead respondeu mais com energia do que com critério, e o jogo ficou preso em pequenos momentos. Um remate de fora, uma tentativa mais precipitada, e pouco mais. O detalhe mais importante era precisamente esse, não havia desequilíbrio.
Na segunda parte, o guião manteve-se… e ainda ficou mais picotado. O episódio do fogo de artifício e das tochas nas bancadas que condicionou o reinício acabou por quebrar ainda mais o ritmo e, no fundo, beneficiou quem estava confortável num encontro sem grandes ondas. O Braga continuou estável, sem conceder quase nada de verdadeiramente perigoso, e o Go Ahead nunca encontrou forma de obrigar o guarda-redes bracarense a trabalhos sérios.


Ainda assim, o 0-0 não foi totalmente “sem história”. Já perto do fim, Pau Víctor, lançado a partir do banco, teve o momento que podia ter mudado tudo: a bola beijou a barra e deixou no ar a sensação de que bastava um clique de agressividade para o Braga sair dos Países Baixos com algo mais do que um ponto. Carlos Vicens mexeu para refrescar e controlar, com a entrada de Pau Víctor e alguns ajustes na reta final, mas o jogo nunca ganhou aquela urgência que pede risco.
No fim, o resultado explica bem a noite, um empate sem golo, sem drama e com missão cumprida. O Go Ahead ficou pelo caminho e o Braga fechou a fase de liga no 6.º lugar, garantindo passagem direta. Não foi uma exibição para memória, mas foi uma noite europeia competente e, nestas alturas, às vezes é exatamente disso que se faz uma campanha.

