O FC Porto regressou ao Estádio do Dragão após a vitória frente ao Rio Ave e voltou a vencer, desta vez diante do Arouca de Vasco Seabra (3-1). Em relação ao jogo anterior, Francesco Farioli não pôde contar com Alan Varela devido a suspensão e fez regressar Jakub Kiwior, que voltou a formar dupla no eixo defensivo com Jan Bednarek, enquanto Pablo Rosário assumiu a posição de 6’.
O Arouca, por sua vez, também teve várias ausências importantes por suspensão – Hynju Lee, Espen van Ee e Tiago Esgaio – e lançou para os seus lugares o jovem Diogo Monteiro, Pablo Gozalbez e Brian Mansilla. Perante estas limitações, Vasco Seabra fez várias alterações táticas em comparação com a forma habitual de jogar da equipa.
Desde logo, saltaram à vista as mudanças na primeira fase de pressão, com um 4-4-2, sendo que Nais Djouahra podia alternar entre estar na linha da dupla de ataque ou descer um pouco mais, mediante os movimentos de Alberto Costa – ao contrário da primeira fase de pressão em 2+3 visível nos últimos jogos. Outro destaque foi o posicionamento mais centralizado de Alfonso Trezza, que atuou praticamente como um 10 quando a equipa tinha bola. Sem bola, e como tem sido habitual nos adversários do FC Porto, Trezza assumiu a dupla mais adiantada com Iván Barbero, procurando condicionar o jogo interior dos dragões.


A realidade é que este posicionamento diferente do uruguaio acabou por alterar várias das dinâmicas da equipa. Tendo em conta a sua capacidade física, Alfonso Trezza assume uma polivalência importante na equipa de Vasco Seabra. Partindo do flanco direito, em vários jogos do Arouca nesta temporada, baixava sem bola para formar uma linha de cinco e, com bola, projetava-se para atuar como extremo. Numa posição 10, essa preponderância acabou por se perder. Não sendo o jogador mais técnico para atuar em corredor central, demonstrou algumas dificuldades em ligar jogo, assumindo Brian Mansilla a posição de extremo direito do Arouca.
A realidade é que a equipa do Arouca demorou a adaptar-se a estas novas dinâmicas e foi o FC Porto a aproveitar. Logo aos 13 segundos do encontro, Oskar Pietuszewski surgiu ao segundo poste, num cruzamento-remate de Victor Froholdt, para abrir o ativo e apontar o golo mais rápido de sempre do FC Porto no Estádio do Dragão.
Depois disso, continuaram a ser os dragões a carregar, voltando a destacar-se a fórmula mais utilizada nos últimos jogos do FC Porto. O corredor esquerdo, com Zaidu, Oskar Pietuszewski e Gabri Veiga, voltou a funcionar em perfeita sintonia, originando várias oportunidades, com destaque para as projeções do lateral nigeriano, a irreverência do extremo polaco no 1×1 e os movimentos e últimos passes do médio espanhol. Nesse sentido, tem sido visível o nível de confiança dos três jogadores.


Tendo em conta as dificuldades do Arouca em segurar o corredor central, foram várias as vezes em que o FC Porto saiu com qualidade e encontrou espaço para Victor Froholdt e Gabri Veiga transportarem bola. Numa fase em que muito se tem falado da pouca capacidade dos extremos do FC Porto para desequilibrar pelos corredores laterais, Oskar Pietuszewski tem sido a principal âncora ofensiva da equipa nesse capítulo, através da sua capacidade no 1×1 e da imprevisibilidade de poder vir para dentro ou ganhar a linha de fundo.
Outra dinâmica que se tem destacado é a capacidade dos médios interiores do FC Porto – sobretudo Gabri Veiga – de se juntarem ao corredor lateral para criar triangulações e dar largura, alinhando-se muitas vezes com o extremo da equipa. Neste contexto, é importante olhar para esta dinâmica para perceber o que estes movimentos oferecem à equipa. Para além de proporcionarem mais uma solução de passe, criação de triângulos – algo que Francesco Farioli tanto defende na sua ideia de jogo – e situações de superioridade, estes movimentos dos médios interiores também arrastam possíveis marcações. Numa altura em que os adversários colocam uma marcação individual no 6’, é nestes momentos que Pablo Rosário ou Alan Varela, dependendo de quem assume a posição, consegue ficar livre para receber bola e proceder à variação de flanco ou forçar o jogo pelo corredor central.
Este aumento de nível no corredor esquerdo tem também beneficiado Victor Froholdt, sobretudo nas suas chegadas à área – uma arma já utilizada e da qual o FC Porto pode claramente beneficiar, pela sua capacidade e timing nos movimentos de trás para a frente e pela facilidade em aparecer solto na área em cruzamentos. A realidade é que os dragões foram para o intervalo a vencer por 1-0, mas poderiam ter ampliado a vantagem face às oportunidades criadas na primeira parte.
Na segunda parte, o Arouca entrou mais personalizado, a entender melhor os momentos da partida, e os próprios jogadores começaram, com bola, a soltar-se mais. Nesse sentido, destaque para Taichi Fukui, que no processo ofensivo se mostrou mais assertivo. Fukui foi o jogador responsável por pautar os ritmos de jogo, assumindo-se como o médio mais recuado e o principal elemento na primeira fase de construção. Foi quem mais vezes baixou para receber e ligar o jogo da equipa. Apesar das dificuldades na primeira parte, devido à pressão e agressividade do FC Porto, o Arouca melhorou na segunda metade. Foi através do médio japonês que a equipa deu o primeiro aviso, com um remate que só parou na trave da baliza de Diogo Costa.


O próprio Nais Djouahra, extremo rápido, móvel e tecnicamente muito habilidoso, também se destacou. Partindo de fora para dentro, tornou-se mais uma solução com bola no corredor central, a ponto de o Arouca, por vezes, formar um ‘quadrado’ nesse espaço com os três médios mais Djouahra. Curiosamente, foi o próprio extremo francês a marcar o golo da equipa, com um remate de pé direito e em corredor central, a bater Diogo Costa aos 70’.
A reação do FC Porto foi imediata, com a equipa a cercar rapidamente a baliza de Arruabarrena. Para isso contribuiu também a excelente entrada de Seko Fofana. O médio costa-marfinense deu a energia necessária à equipa, transportou bola, ganhou duelos e protagonizou vários momentos de chegada à área (onde conquistou a grande penalidade ao minuto 87′). Outro dos grandes destaques foi William Gomes, que entrou para o lugar de Oskar Pietuszewski ao minuto 62’ e ainda foi a tempo de apontar o 2-1 a favor dos dragões e de assistir para a estreia a marcar de Terem Moffi com a camisola do FC Porto. Destaque também para a estreia de André Miranda, de apenas 18 anos, que entrou para o corredor direito aos 84’, com o jogo empatado a 1-1. No global, o avançado português deixou sinais positivos, destacando-se também nos duelos aéreos.
Na véspera de dois confrontos frente aos rivais Sporting e Benfica, era fundamental para a equipa de Francesco Farioli manter a sequência de vitórias e a vantagem de quatro pontos sobre o segundo classificado na Primeira Liga. O Arouca, por sua vez, continua a demonstrar que, pela qualidade individual e coletiva, merece estar na Primeira Liga, apesar das dificuldades que tem sentido ao longo da época para somar pontos.


Rodrigo Lima
BnR na Conferência de Imprensa
Bola na Rede: Gostaria de lhe perguntar se a disposição tática do Arouca, sobretudo no momento defensivo, e o posicionamento mais centralizado de Alfonso Trezza acabaram por o surpreender. E por outro lado, de que forma é que a equipa têm beneficiado com a dinâmica do corredor esquerdo, entre o Zaidu, Gabri Veiga e Oskar, e mesmo na dupla de largura que o médio espanhol muitas das vezes cria?
Francesco Farioli: Sim, muito boa análise. Penso que eles mudaram algumas coisas face ao que esperávamos. O Trezza, como mencionaste mais por dentro, não pelo flanco como joga habitualmente. Não jogaram com o lateral direito que, por norma, é o jogador mais ofensivo. E jogam ali com um jogador que por características é mais um central. São uma equipa com muita mobilidade, jogam muito por dentro. Isso por vezes complica o timing para encarar e pressionar, embora tivéssemos recuperado, se não estiver enganado, na primeira parte, uma quantidade impressionante de oportunidades que nos permitiram ter transições que infelizmente não transformámos em golo. Mas eles foram insistindo, continuaram a circular e é como te digo, quando enfrentas uma equipa tão corajosa, bem organizada, o jogo torna-se aberto e penso que competiram muito bem. Mas tal como disse, penso que merecemos vencer. E provavelmente, merecíamos digamos ter os minutos finais com maior controlo e calma com o resultado já fechado muito mais cedo. Em relação ao Zaidu, Gabri e Oskar contribuíram muito ofensivamente tal como no lado direito. Penso que o Alberto fez um bom trabalho, o Victor, como sempre, a subir e a descer os noventa minutos e o Pepê um líder absoluto desta equipa, um líder técnico, um jogador pelo qual somos gratos em tê-lo conosco pela maneira de ser, pela forma como compete. Ambos os flancos fizeram um bom trabalho.
Bola na Rede: O Vasco não pode contar com três jogadores suspensos em relação ao último jogo. Gostaria de lhe perguntar de que forma é que isso condicionou a preparação do jogo, tendo em conta que a organização defensiva, a pressão e o posicionamento do Trezza acabaram por ser um pouco diferentes relativamente aos jogos anteriores?
Vasco Seabra: Sim, o Trezza acabou por ter um posicionamento diferente, a 10. Passámos o Brian e o Pablo, que também têm características para jogar a 10 ou a 8, e acabou por ser ele a jogar. Eu sei que nós tivemos, no caso, três médios, contando com o Trezza, de roda mais baixa, mas ao mesmo tempo com muita qualidade com bola e capacidade para serem muito intensos. São jogadores que têm um entendimento do jogo muito grande. O Diogo jogou a titular pela primeira vez na época, estreou-se o Zé Silva, portanto são muitos motivos de orgulho pela forma como trabalham todos os dias. O Diogo tinha poucos minutos e hoje fez 90, e mais os da primeira parte fez 104 minutos a um nível muito interessante e muito bom. É português, portanto tem todas as condições para ser chamado à seleção, mostrou que está preparado e essas são as sensações que ficam e que nos dão orgulho.

