WWE Survivor Series – WarGames: Já chega de WarGames?

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No último premium live event do ano para o main roster da WWE, a cidade de San Diego, na Califórnia, recebia o Survivor Series: WarGames. John Cena aparecia pela última vez num PLE para defender o título Intercontinental contra o herói da casa, Dominik Mysterio, Stephanie Vaquer procurava vingar-se de Nikki Bella e havia dois combates WarGames cheios de estrelas.

FALTOU INTENSIDADE

O WarGames feminino foi o primeiro combate da noite, com Charlotte Flair e Asuka a começarem, reeditando o combate do SmackDown anterior. Seguiram-se IYO SKY (com uma tampa de caixote do lixo com o seu nome) e Becky Lynch, a entrar surpreendentemente cedo (todas a virem dos bastidores, sem as jaulas na rampa este ano). Becky e Charlotte tiveram uma interação, sendo duas das Horsewomen, antes de chegar Alexa Bliss (grande reação do público) e depois Kairi Sane. AJ Lee veio depois, escalando a jaula do WarGames, uma vez que Becky não a deixava entrar pela porta. Nia Jax foi a penúltima da sua equipa, antes das últimas entradas, de Rhea Ripley e de Lash Legend, a ter o momento de destaque ao ser a última a entrar para a sua estreia no main roster.

Para ser completamente honesto, não aconteceu assim tanta coisa até aos momentos finais, altura em que Asuka queria cuspir o seu mist para a cara de Ripley, mas Charlotte desviou a australiana e o mist foi para a cara de Lash Legend. Seguiu-se um Swanton de IYO SKY do topo da jaula com o caixote do lixo a tapar-lhe a cara. Becky Lynch foi a única heel que evitou essa manobra, mas isso deixou-a numa desvantagem de cinco contra um. Depois de um Riptide, AJ Lee conquistou a vitória para a sua equipa, fazendo Becky desistir com o Black Widow.

Este combate foi construído melhor do que o dos homens, mas foi comparativamente pior no final. Ganhou a equipa mais forte, mas foi tudo demasiado lento. SKY a saltar da jaula com o caixote do lixo é algo que vemos todos os anos e não havia nada propriamente em jogo. O resultado final foi algo pouco memorável e pouco criativo.

Nota do combate: 3.5/5

A PENÚLTIMA VEZ DE JOHN CENA… COM UM REGRESSO

Chegava depois o momento mais emocional da noite, com o último combate de John Cena num premium live event, contra Dominik Mysterio, pelo título Intercontinental. Dom fez-se acompanhar por Roxanne Perez e Raquel Rodriguez, antes da entrada de Cena. Houve um momento em que Mysterio tentou um Hurricanrana fora do ringue e caiu em cima do ombro, com o médico a observar o estado de Mysterio e a interromper o combate, para preocupação de quem assistia. Até que Raquel e Roxanne aplicaram os seus finishers em Cena e rapidamente se percebeu que a lesão não era real (excelente trabalho), chegando ao ponto de o árbitro não querer fazer a contagem porque também tinha sido enganado.

Depois de o árbitro ter sido derrubado sem querer, Finn Balor e JD McDonagh vieram ajudar Dominik, mas levaram um duplo Attitude Adjustment, até que apareceu uma das maiores surpresas da noite. Liv Morgan regressou, parecendo atacar Dominik primeiro, até que se lançou para os braços de Cena, dando-lhe depois um golpe baixo. Dom aplicou o 619, Liv atingiu Cena com o título e Mysterio recuperou o título com o Frog Splash, antes de Cena fazer a sua última saída num PLE.

Este foi o melhor combate da noite. Não pelo combate em si, porque Cena já não consegue acompanhar os outros em termos de talento dentro do ringue, mas em termos de entretenimento. Envolver Raquel e Roxanne aqui, com Cena a levar finishers de ambas, foi excelente para as duas, e depois Morgan também teve a oportunidade de interagir com Cena. O combate foi parecido ao que tinham tido no Raw, mas mais longo, mas isto desenvolveu a história dos Judgment Day. A simulação da lesão foi muito bem feita e Cena agora avança para o Saturday Night’s Main Event, para a despedida.

Nota do combate: 4.25/5

SUPEROU AS EXPETATIVAS

Antes do combate principal, chegava a hora de Stephanie Vaquer defender o seu título contra Nikki Bella. Num combate que superou os dez minutos de duração, os momentos finais viram a chilena aplicar o Devil’s Kiss em Nikki em cima da mesa de comentadores, antes de o fazer novamente dentro do ringue, terminando o combate com o Spiral Tap.

É preciso reconhecer que este combate, embora tenha sido o menos notável da noite, excedeu as minhas expetativas, que confesso que eram baixas. Mas Nikki trabalhou bem para garantir que a campeã brilhava e terá sido mesmo o seu melhor combate desde que voltou à WWE, o que é surpreendente, tendo em conta que já trabalhou com outros grandes nomes. Mas este combate serviu o seu propósito, com Vaquer a manter o título e a derrotar uma Hall of Famer. O público estava infelizmente calado, e alguns devem ter aproveitado para ir ao bar e à casa de banho antes do main event, mas acabou por ser um combate que valeu a pena.

Nota do combate: 3.5/5

HOMEM MISTERIOSO PROVOCA DERROTA DE CM PUNK

O WarGames masculino era assim o combate principal da noite, com CM Punk a surpreender e a começar para a sua equipa, frente a Bron Breakker. Depois da entrada de Drew McIntyre, reeditando a rivalidade com Punk, Breakker assustou com uma queda em cima da sua cabeça e pescoço, mas conseguiu continuar, antes de Cody Rhodes vir atrás do escocês. Punk sangrou por poucos minutos (possivelmente com ajuda de uma cápsula) e entraram de seguida Logan Paul e Jimmy Uso. Seguiu-se Bronson Reed, com Tsunamis para toda a gente, e depois Jey Uso, que atacou toda a gente e decidiu fazer a sua dança durante o combate. Felizmente, apareceu Brock Lesnar como último elemento da sua equipa, antes de Roman Reigns completar as entradas.

Lesnar saiu da jaula para intercetar Reigns, com um F5 na mesa de comentários espanhola, e Paul Heyman entregou os brass Knuckles a Logan Paul, utilizados depois por Reigns para Superman Punches. Depois de Reigns salvar um F5 a Jey Uso com um Spear numa mesa, um homem encapuzado, coberto da cabeça aos pés, trepou a jaula, deu um Superkick e um Stomp em CM Punk, antes de Breakker conquistar a vitória para a sua equipa com um Spear no campeão mundial.

Em comparação com o WarGames feminino, este combate teve mais momentos e um ritmo mais alto também antes de o combate começar. Parecia que o combate ia ter um final cheio de energia assim que Reigns entrou, mas depois acabou abruptamente pouco tempo depois de a intensidade aumentar. Seria mais interessante que fosse McIntyre a derrotar Rhodes, mas este final serviu o propósito daquilo que eles queriam fazer. O elemento mistério deverá ser Austin Theory, o que seria uma boa adição para os Vision, mas fica a dúvida para o próximo Raw. Seja como for, este combate foi melhor do que o das mulheres, mas deixou na mesma algo a desejar.

Falta referir o que aconteceu depois do combate, com uma interação entre Reigns, Punk e Rhodes, com os ânimos a exaltarem-se entre o Tribal Chief e o American Nightmare, o que pode indicar algo para o futuro, possivelmente até na WrestleMania. Não é tão entusiasmante nesta altura como um combate entre Reigns e Punk, mas a lesão de Seth Rollins obriga a alterar planos. Gostava que esse combate não tivesse necessariamente um título em jogo, até porque daria para dar o título da WWE a Drew McIntyre, que já merece há muito tempo.

Nota do combate: 3.75/5

No geral, este premium live event ficou infelizmente abaixo das expetativas. Se Triple H já só faz os combates Hell in a Cell quando a ocasião o justifica, devia fazer o mesmo com o WarGames, que não devia acontecer duas vezes na mesma noite, uma vez por ano. Um combate WarGames foi demasiado lento, outro acabou de forma demasiado abrupta e não sei se algum dos combates justificava a estipulação. O feedback que leio nas redes sociais dá a entender que foi um show horrível, e também não foi assim tão mau. Mas o combate de John Cena foi a melhor parte da noite e ambos os WarGames deixaram a desejar em termos de intensidade e criatividade. Para o futuro, o ideal seria fazer combates tradicionais de eliminação e fazer o WarGames apenas quando for necessário.

Nota final: 85/100

Bernardo Figueiredo
Bernardo Figueiredohttp://www.bolanarede.pt
O Bernardo é licenciado em Comunicação Social (jornalismo) na Universidade Católica de Lisboa e está a terminar uma pós-graduação em Comunicação no Futebol Profissional, no Porto. Acompanha futebol atentamente desde 2010, Fórmula 1 desde 2018 e também gosta de seguir ténis de vez em quando. Pretende seguir jornalismo desportivo e considera o Bola na Rede um bom projeto para aliar a escrita ao acompanhamento dos desportos que mais gosta.

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