A formação como parte fundamental do projeto do Friburgo: plantar, esperar, acarinhar e colher

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FRIBURGO NA BRISGÓVIA, ALEMANHA- Friburgo na Brisgóvia é uma cidade situada em plena Floresta Negra, perto da fronteira da Alemanha com a Suíça. Trata-se de uma metrópole pequena, com cerca de 220 mil habitantes, mas simpática para quem a visita. Podemos compará-la com o que significa Coimbra para Portugal ou Salamanca para Espanha: a Universidade é a grande marca, além da forte aposta na ecologia, promovendo a defesa do meio ambiente.

A qualidade de vida é acima da média e o desporto rei não podia faltar, neste cocktail de pontos positivos. O Friburgo assumiu-se nas últimas décadas como um dos protagonistas do futebol alemão, abandonando os escalões inferiores e transformando-se num residente da Bundesliga, evitando o termo de ‘equipa elevador’, rótulo atribuído a outras instituições. 2025/26 está a ser o apogeu da equipa que tem no grifo o seu símbolo, com a possibilidade de chegar pela primeira vez a uma final de uma competição europeia (foi a sua estreia em quartos de final e meias-finais), além das meias-finais da Taça da Alemanha, onde caiu no prolongamento frente ao Estugarda. Já na Bundesliga, uma época tranquila, ocupando o sétimo posto da tabela classificativa, liderando um terceiro pelotão.

O sucesso da turma da Brisgóvia não é tão simples de explicar, mas tudo se deve a uma aposta num projeto a longo prazo, onde se evita roturas bruscas e apelando a um equilíbrio financeiro, longe de cometer loucuras no mercado, ao mesmo tempo que se vende bem. O Friburgo não despede treinadores por maus resultados, nem sequer por descidas de divisão.

Jogadores do Friburgo
Fonte: Friburgo

Christian Streich levou a equipa à Bundesliga 2, tal como Volken Finke e isso não impediu os técnicos de estarem no Europa Park Stadion por várias épocas. Com Julian Schuster, prevê-se igualmente um longo reinado. Uma outra base para o sucesso do Friburgo é a sua formação, à qual a equipa principal recorre com frequência.

Com uma metrópole com tanta qualidade, que jovem não quererá crescer na Floresta Negra, ao mesmo tempo que evolui numa academia de um emblema de Bundesliga? O Friburgo é uma instituição atraente, dominadora na sua região e atenta ao que se passa em outros locais, procurando ter nas suas camadas jovens promessas de elite, que vivem na esperança de serem profissionais.

Desde o final dos anos 90, a filosofia do Friburgo passa por uma aposta com força na cantera, criando-se a Escola de Futebol do Friburgo, que procura desenvolver a capacidade atleta do jogador, mas também a parte humana, cada vez mais importante no que diz respeito ao desporto rei.

Europa Park Stadion Friburgo
Fonte: Friburgo

Para se jogar no Europa Park Stadium, tem que se sentir os valores do Friburgo, que no fundo é uma escola. Há uma forte ligação entre todos os escalões, com reuniões entre os diversos diretores, procurando um trabalho conjunto, com a missão maior de servir o plantel principal. Igualmente das camadas jovens, surgiram Christian Streich e Julian Schuster para o ‘mundo dos treinadores’. São produtos da base, mesmo não estando dentro das quatro linhas.

É no Molestadion que toda a formação do Friburgo entra em campo a cada fim de semana, na região a este do centro. O objetivo? Fazer o percurso até ao norte de Friburgo, onde se situa o Europa Park Stadion, onde brilham peças da casa na equipa principal. Ainda assim, olhemos a um passado recente para dar ainda mais enfase de que a formação é uma das bases de todo este projeto.  

Podemos dividir o conjunto seguinte de oito jogadores em duas partes: os primeiros, lançados no final da primeira década deste século/ princípio da seguinte; o segundo, criados durante a segunda década e lançados às feras nos últimos 10 anos.

Oliver Baumann Friburgo
Fonte: Friburgo

Oliver Baumann é o líder claro deste primeiro grupo. Não por ser o melhor jogador, mas por tudo o que representa para o Friburgo, sendo o guarda-redes titular entre 2010 e 2014. Robin Dutt não errou na hora de lançar o guarda-redes, hoje em dia com 34 anos. O atual guardião do Hoffenheim virou mesmo internacional pela Alemanha, com 11 jogos realizados e a presença no Euro 2024. À turma da Floresta Negra deixou cinco milhões e meio de euros nos cofres, em 2014.

Quem também trocou o Friburgo pelo Hoffenheim foi Jonathan Schmid (por três milhões e meio de euros), ala direito, eterno conhecido de quem jogou Football Manager. O francês finalizou a sua formação no sul da Alemanha e foi lançado às feras em 2010/11, sendo aposta forte na época seguinte. Durante a sua carreira baixou paulatinamente no terreno e passou duas vezes pelo Europa Park Stadion, onde foi verdadeiramente feliz. A sua segunda passagem remonta a 2019, ficando até 2023, onde baixou o nível, muito por causa das lesões, além de ter sido infetado com a COVID-19. Hoje em dia representa o Progrès Niederkorn, turma do Luxemburgo.

Olhando para o centro da defesa, um dos clássicos do Friburgo é Omer Toprak, nascido na região de Baden-Württemberg. O turco é a prova viva do olhar atento dos alemães no que existe perto da sua zona. Formado de vermelho, branco e azul, estreou-se na equipa principal em 2008 e pegou de estaca. Foram tantas a exibições de quilate e o potencial mostrado que o Bayer Leverkusen não hesitou e pagou três milhões de euros. Robin Dutt levou o jogador consigo para a BayArena, sendo que em 2017, Omer Toprak acabou por ser contratado pelo Borussia Dortmund, depois de um investimento de 12 milhões de euros. Terminou a carreira em 2023, sem voltar a casa e hoje em dia é adjunto de Pellegrino Matarazzo na Real Sociedad.

Omer Toprak Friburgo
Fonte: Friburgo

Para fechar o lote, mais um atleta retirado que cresceu perto de Friburgo, Daniel Caligiuri. O italiano ficou mais conhecido pelas suas passagens pelo Wolfsburgo e Schalke 04, mas a sua história começa na Brigóvia, com o seu primeiro jogo na equipa A a ser realizado em 2009/10. Depois de uma temporada 2012/13 de gabarito (33 jogos e oito golos), mudou para os lobos, por dois milhões e meio de euros.

O segundo grupo não nos traz nostalgia, mas confirma-nos a qualidade da formação do Friburgo, com nomes na alta roda do futebol mundial, que saíram por quantias interessantes da instituição.

Nico Schlotterbeck é o ‘rei’ desta geração e nos últimos meses foi notícia devido ao interesse do Real Madrid. O defesa central chegou ao Friburgo em 2017 para completar a sua formação e em 2018 foi aposta de Christian Streich, que continuou a dar-lhe minutos na época seguinte. Já em 2021 foi cedido ao Union Berlin e voltou ao Europa Park Stadion melhor do que nunca, acabando em 2023 por ser comprado por 20 milhões de euros. O jogador é um dos melhores do mundo na sua posição, aos 26 anos e foi ao Mundial 2022 pela Alemanha, quando ainda jogava no Friburgo, sendo igualmente convocado para o Euro 2024. Uma presença na América do Norte está mais do que garantida.

Nico Schlotterbeck no Friburgo
Fonte: Friburgo

Igualmente na defesa, mas na lateral direita, há que fazer referência a Kiliann Sidilla, que fez quase toda a sua formação em França, mas que em 2020 mudou-se do Metz para a Alemanha. O sonho? Ser futebolista profissional. Inicialmente foi incluído na equipa B do Friburgo, mas foi promovido em definitivo em 2021/22, sendo titular nas duas épocas seguintes. O PSV Eindhoven estava atento e em 2025 investiu cinco milhões e oitocentos mil euros.

Mais à frente no terreno, Kevin Schade é o grande representante da Escola de Formação do Friburgo na Europa (retirando da equação Nico Schlotterbeck). O extremo foi comprado por 250 mil euros ao Energie Cottbus e foi paulatinamente crescendo na estrutura do Friburgo. Depois de uma curta passagem pelo Mainz 05. O alemão afirmou-se no Europa Park Stadion em 2021/22. O Brentford estava atento (especialistas no mercado do centro e norte da Europa) e em janeiro de 2023 solicitou o empréstimo de Kevin Schade. Meio ano depois, os londrinos investiram 23 milhões de euros na sua contratação, o que na altura levou a que o internacional alemão fosse a compra mais cara da história (atualmente surge no quarto posto). Uma presença no Mundial 2026 ainda é vista como um sonho possível para o atleta.

Para encerrar este capítulo, aparece um nome que nunca se estreou pelo Friburgo A, mas que já fez algumas capas de jornal. Noah Darvich foi visto por muitos anos como a grande promessa do futebol germânico. Nascido em Friburgo da Brisgóvia, criado no centro de treinos, o médio era a coqueluche da equipa e estaria próximo da estreia na equipa principal. Todavia, apareceu o Barcelona e acenou com dois milhões e meio de euros. Pouco havia a fazer. O esquerdino de apenas 16 anos estava convencido. Porém, a passagem na Catalunha não durou muito, com duas épocas na equipa B, sem hipóteses de ser lançado nos A’s.

Noah Darvich Alemanha
Fonte: Alemanha

Noah Darvich não funcionou com a blaugrana e regressou a casa, mas não para o Friburgo. O Estugarda bateu a concorrência e garantiu o jogador, sem qualquer cláusula de recompra para o lado do Barcelona, apenas uma percentagem de uma futura venda. 2025/26 foi passado na equipa B, com Sebastian Hoeness atento. A ver o que o futuro reserva.

A equipa principal do Friburgo é alimentada pela formação, com vários dos seus jogadores mais experientes e dos seus craques a terem crescido na estrutura do clube. Antes de destacarmos alguns atletas, vejamos os nomes que fazem parte dos A’s e que foram criados ‘em casa’:

  • Noah Atubolu
  • Bruno Ogbus
  • Philipp Treu
  • Matthias Ginter
  • Max Rosenfelder
  • Christian Gunter
  • Nicolas Hofler
  • Johan Manzambi
  • Maximilian Philipp
Noah Atubolu Friburgo
Fonte: Friburgo

Estes jogadores cresceram a admirar os seniores do Friburgo, sonhando um dia chegarem ao seu patamar (existem outros elementos como Vincenzo Grifo que fizeram grande parte da sua carreira na Brisgóvia, mas não integraram os elencos formativos).

É de facto notável que um emblema de uma das Big 5 consiga contar com tantos jogadores da formação na equipa principal, sem contar com as jovens promessas que por vezes entram nos planos de Julian Schuster, de uma maneira intermitente.

Na baliza, Noah Atubolu pode ser o próximo dono da posição de titular da Alemanha, que vai ficar órfã de Manuel Neuer e Marc-André Ter Stegen. O jogador de 23 anos encabeça a luta pela titularidade, depois de três temporadas como titular absoluto no Friburgo. A sua especialidade? A defesa de grandes penalidades, que pode ser vital numa eliminatória…

Mattias Ginter Friburgo
Fonte: Friburgo

Já à sua frente, um dos nomes mais experientes do plantel, com um conhecimento do mundo do futebol que poucos detêm. Matthias Ginter é o chefe da defesa, regressando a casa em 2022, depois de brilhar no Borussia Dortmund e no Borussia Monchengladbach. É de facto um luco para uma equipa como a do Europa Park Stadion contar com um 51 vezes internacional alemão (32 anos), que ainda não começou a sua quebra dos níveis físicos. São 48 jogos, quatro golos e sete assistências, os melhores registos a nível ofensivo.

Tal como Nico Schlotterbeck e Matthias Ginter, Christian Gunter também esteve ao serviço da Alemanha no Mundial 2022. O lateral é outro pilar de experiência para Julian Schuster, embora aos 33 anos tenha a pesada concorrência de Makengo. O esquerdino fez toda a sua carreira na Brisgóvia e é provável que seja um dos futuros membros da estrutura, quem sabe, enverede por uma carreira de treinador. Termina contrato e ainda não renovou, apesar da sua influência no balneário ser inegável.

Fechamos com o atual nome da moda pelos lados de Friburgo: Johan Manzambi. O suíço de 20 anos destacou-se na cantera do Sevette e integrou os Sub-19 do Friburgo em 2022. A sua estreia pela equipa principal deu-se em 2024/25 e a presente temporada está a ser mágica para o atleta, que conta com o interesse de alguns tubarões europeus. O médio promete gerar um jackpot, batendo todos os recordes. São 43 partidas na liderança de um meio campo onde é o todo o terreno, com seis tentos e cinco assistências.

O Friburgo é assim um exemplo a seguir, conseguindo resultados ao mesmo tempo que olha para dentro de casa. Tudo isto é fruto de um trabalho de uma estrutura que procura evoluir em todos os pontos ao nível diário. A instituição transformou-se no que muitas outras desejam ser e é estudada por vários especialistas, que encontraram no meio da Floresta Negra um fenómeno raro e difícil de ser repetido, se não existir paciência.

Friburgo jogadores
Fonte: Friburgo
Ricardo João Lopes
Ricardo João Lopeshttp://www.bolanarede.pt
O Ricardo João Lopes realizou a sua formação na área da História, mas é um apaixonado pelo desporto (especialmente pelo futebol) desde criança, procurando estar sempre a par da atualidade.

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