A renovação de contrato de Rui Borges foi uma das questões que marcaram as eleições do Sporting, com Frederico Varandas a não querer utilizar a possibilidade da continuidade do técnico como trunfo e Bruno Sá a não garantir que o ex-Vitória SC se manteria no cargo. A extensão de vínculo de Rui Borges será uma realidade nas próximas semanas, é um segredo mal guardado, uma decisão fácil de antever.
A direção atual dos leões confiou no antigo médio para comandar o projeto, levando a formação de Alvalade a vencer as últimas edições da Primeira Liga e da Taça de Portugal. Já em 2025/26, o Sporting é segundo classificado do campeonato, com legítimas aspirações de continuar a sonhar pelo título, ainda está na Taça de Portugal e realizou uma fase de liga da Champions League histórica, embora a primeira-mão dos oitavos de final frente ao Bodo/Glimt tenha apagado tal facto da memória, que no futebol é bem seletiva.
O Sporting até pode ficar uma época em branco, mas a continuidade de Rui Borges é quase um facto. Frederico Varandas deu as armas necessárias ao treinador para que o mesmo implementasse o seu sistema tático, fechou nomes que foram pedidos pelo transmontano e tentou contratar atletas do seu agrado, ainda que sem sucesso.


Os verde e brancos estão moldados para o 4-2-3-1 mais do que nunca, ‘esquecendo-se’ do 3-4-3 que tantas alegrias gerou. A direção do Sporting não olha apenas ao curto prazo, aos triunfos no imediato. Caso contrário, Ruben Amorim teria sido demitido quando ficou em quarto lugar. Frederico Varandas procura ganhar hoje e amanhã e para obter triunfos é necessário acima de tudo estabilidade e um caminho sólido a percorrer. Nenhum emblema vence quando vive um clima de turbulência. Um balneário e uma equipa técnica não aguentam isso.
Rui Borges não é o treinador perfeito, não conquistou a totalidade do universo leonino, mas tem escudado bem o grupo, evitando envolver-se em polémicas ou deixar mensagens provocatórias, ainda que os ‘rivais’ provoquem por várias ocasiões. O técnico tampouco tem talento para os tais ‘mind games’ e o próprio sabe disso, preferindo remeter-se para o que realmente é a sua especialidade: o treino. Neste aspeto, o timoneiro dos leões tem estado um passo à frente dos rivais, olhando somente para as suas funções. O Sporting não joga um futebol vistoso, mas tem ideias base e em partes da época chegou a entusiasmar. Acima de tudo, é uma equipa crente, que luta até ao último minuto por um bom resultado. Muitos falam de sorte, mas a sorte de vencer partidas nos descontos também se trabalha.
Olhando na perspetiva de Rui Borges, a sua renovação de contrato (que será até 2028 ou 2029) é encarada pelo próprio de um modo positivo. Seria complexo encontrar um melhor projeto para estar. Certamente não quererá dar um passo atrás, mas nas Big 5 não tem espaço, em equipas com ambições europeias. Caso o Sporting consiga chegar aos quartos de final da Champions League a situação muda ligeiramente. Ainda assim, a imagem deixada por Ruben Amorim no Manchester United, fará com que emblemas históricos ‘desconfiem’ nos próximos tempos dos treinadores oriundos diretamente da Primeira Liga. Rui Borges, se quiser continuar a disputar a Champions League, com legítimas chances de se apurar para a fase eliminar, tem em Alvalade um dos lugares ideais.


Fora da Europa, haveria a possibilidade de uma sedução por parte do Médio Oriente, ainda que a zona viva momentos de alta tensão. Contudo, uma ida até à Ásia não deverá estar na mira do treinador nesta fase da sua carreira, podendo dar esse passo numa fase mais adiantada. Rui Borges é um homem do povo, que cresceu pelo trabalho e esforço (algo que o próprio admite e que se reflete na sua carreira), algo que pode ‘chocar’ com o estilo de vida na Arábia Saudita, no Catar, etc..
Os adeptos também estarão, na sua maioria, com a continuidade de Rui Borges. Sente a instituição, entende o que as bancadas querem, fala de uma forma simples sobre futebol, uma modalidade que conta com cada vez mais termos específicos (utilizados por ‘especialistas’). O técnico não ficará conhecido como o melhor treinador da história do Sporting, mas teve a capacidade de ‘corrigir’ alguns erros de 2024/25, agarrando num balneário que estava longe do seu melhor momento com João Pereira no comando. Rui Borges sabia que o legado deixado por Ruben Amorim era pesado e mesmo assim aceitou o desafio, entendendo que não podia romper com a ideia que existia, mas sim colocar um pouco dos seus princípios no estilo que era praticado.
Valeria a pena para Frederico Varandas realizar uma alteração tão grosseira no projeto? Somente poucos nomes o justificariam. Ruben Amorim, amado e odiado em Alvalade, possivelmente seria um deles. O regresso do melhor treinador da história do Sporting nas últimas décadas poderia fundamentar tal câmbio. O mercado não conta com nomes muito atrativos no momento, que levassem a que os leões pagassem uma indemnização a Rui Borges. A situação poderia ser distinta, caso os verde e brancos tivessem falhado o bicampeonato.


O técnico, juntamente com a estrutura, estará a trabalhar já em 2026/27, olhando a possíveis necessidades do plantel, com nomes a serem apontados ao José de Alvalade (Yeremay Hernández e Sergio Arribas, espanhóis que encaixariam perfeitamente no plano do Sporting, à cabeça), mas também a prováveis saídas (Morten Hjulmand ou Hidemasa Morita, além de Alisson Santos, que era um trunfo para a equipa técnica).
Não se conhece o poder de decisão de Rui Borges nos reforços de janeiro, mas Luis Guilherme está integrado, enquanto que Souleymane Faye ainda se está a integrar (o Granada fez uma primeira metade da época abaixo do esperado, ainda que o extremo se tenha destacado), já que se encontrava num patamar competitivo abaixo do que ocupa o Sporting e não contou com o ‘direito’ a uma pré-época com os restantes colegas.
A confirmação da continuidade de Rui Borges deverá ser oficializada em breve, procurando Frederico Varandas realizar o anúncio numa data adequada, evitando muito ‘burburinho’ sobre o tema. Contudo, não se prevê uma cerimónia espampanante, prevendo-se algo discreto, tal como o técnico.
Os números de Rui Borges pelo Sporting:
Jogos: 71
Vitórias: 48
Empates: 15
Derrotas: 8
Golos marcados: 157
Golos sofridos: 64



