André Villas-Boas ao ataque: «Vencemos o adversário e respondemos à arrogância de quem passou semanas a tentar diminuir o FC Porto, os seus adeptos e o seu grupo de trabalho»

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André Villas-Boas deixou uma mensagem forte relacionada com a vitória do FC Porto contra o Benfica para a Primeira Liga.

André Villas-Boas assinou mais um artigo na revista Dragões, onde abordou a vitória do FC Porto sobre o Benfica. O presidente dos dragões realçou a importância do triunfo:

«A vitória no clássico teve, por isso, um significado que ultrapassou o relvado. Vencemos o adversário e respondemos à arrogância de quem passou semanas a tentar diminuir o FC Porto, os seus adeptos e o seu grupo de trabalho. Foram insultos, suspeitas fabricadas e tentativas de condicionamento, servidos em monólogos onde a clubite aguda substituiu o contraditório. Os comentadores do “Manto Marrom”, essa mistura de verde e vermelho que tão bem traduz o alinhamento da Segunda Circular, parecem já ter fundado um novo clube. Ainda não lhes conhecemos o estádio, mas a sede funciona em vários estúdios e a política de comunicação está perfeitamente coordenada: a necessidade de atacar e menosprezar tudo o que tem a ver com o FC Porto. O pacto de sangue é tal que o telespectador menos atento pode até ficar confundido sobre qual a cor clubística de cada um».

Eis o artigo completo:

«Quanto vale um Pote?

Caros Portistas,

A 28 de setembro, o Futebol Clube do Porto celebra 133 anos de História, de crescimento e de superação em torno dos valores da cidade que lhe deu o nome e das pessoas que fizeram dele uma parte inseparável das suas vidas. O FC Porto é hoje parte fulcral do bater do coração da Cidade: vive do amor visceral dos Portistas, mas também contribui para a atividade económica, para a saúde e a prática desportiva de centenas de jovens e para a riqueza cultural e social da comunidade. A ligação entre Clube e Cidade, entre Clube e País e entre Clube e Mundo está hoje em pleno crescendo. Está nas famílias que se encontram no Dragão, nas modalidades, na formação, no Museu, nas nossas Casas e em cada camisola azul e branca que leva o Porto para além das suas fronteiras. Somos o Clube português mais titulado no futebol nacional e internacional e somos também uma marca única, construída sobre um património humano que nenhum balanço consegue medir e que temos a obrigação de preservar.

Celebrar este aniversário é reconhecer quem nos trouxe até aqui e assumir a responsabilidade por aquilo que ainda queremos construir. Os nossos Sócios não nos pedem que administremos a memória; pedem-nos que a honremos com trabalho, que defendamos a Instituição e que continuemos a ganhar. Fazemo-lo conscientes de que a dimensão do FC Porto não se esgota no futebol, nem a sua importância pode ser reduzida ao resultado de um domingo. O que representamos na vida das pessoas exige rigor na gestão, ambição desportiva e respeito por uma identidade que atravessa gerações.

No campeonato, somamos sete vitórias em sete jornadas. É um arranque que distingue o trabalho de Francesco Farioli e de uma equipa envolvida num espírito profundo de Portismo e que quer sempre mais. O treinador mantém a exigência de quem sabe que um bom começo não dispensa uma época inteira de concentração, e os jogadores respondem com compromisso, disciplina e confiança no seu método. A união que nos levou ao título não ficou apenas na fotografia da festa: continua a sentir-se na preparação dos jogos, na reação às dificuldades e na responsabilidade com que cada um assume o seu lugar no grupo. Há muito campeonato pela frente, muitas armadilhas e nenhuma razão para facilitar. Sete vitórias são sete passos importantes; não são uma autorização para começar a festejar.

A vitória no clássico teve, por isso, um significado que ultrapassou o relvado. Vencemos o adversário e respondemos à arrogância de quem passou semanas a tentar diminuir o FC Porto, os seus adeptos e o seu grupo de trabalho. Foram insultos, suspeitas fabricadas e tentativas de condicionamento, servidos em monólogos onde a clubite aguda substituiu o contraditório. Os comentadores do “Manto Marrom”, essa mistura de verde e vermelho que tão bem traduz o alinhamento da Segunda Circular, parecem já ter fundado um novo clube. Ainda não lhes conhecemos o estádio, mas a sede funciona em vários estúdios e a política de comunicação está perfeitamente coordenada: a necessidade de atacar e menosprezar tudo o que tem a ver com o FC Porto. O pacto de sangue é tal que o telespectador menos atento pode até ficar confundido sobre qual a cor clubística de cada um. A nossa equipa não precisou de responder-lhes ao microfone. Respondeu em campo, com futebol, personalidade e uma vitória que nenhuma discussão de rodapé consegue desfazer, levando-os a ter de lamber as feridas uns dos outros, enlutados pela dor comum de uma vitória do FC Porto.

Mas o insólito não se ficou por aqui. As direções e as equipas editoriais dos órgãos de comunicação social, que gastam milhares de euros em especialistas de arbitragem, nacionais e estrangeiros, decidiram fazer vista grossa à opinião dos mesmos, unânimes na apreciação da excelente arbitragem de Miguel Nogueira no clássico. Atrevo-me a dizer que todos estarão com o lugar em risco, porque a isenção neste país conta pouco. Nem especialistas nem ex-árbitros nem diretrizes da UEFA vão prevalecer sobre as opiniões das redações tendenciosas e dos seus diretores e editores executivos, bem como da parafernália de adetos, ex-funcionários, ex-candidatos, ex-jogadores e ex-colaboradores do Benfica que invadem os espaços de opinião, e tiveram o seu expoente máximo de fanatismo no comentador que afirmou que Gabri Veiga deveria ter sido expulso, e o FC Porto ficar reduzido a 10 jogadores, num momento onde o próprio já nao se encontrava em campo. É este o nivel de credibilidade da informaçao desportiva portuguesa.

O absurdo ganha novos contornos quando a suspeita cai também sobre a SportTV, num campeonato em que o mesmo clube detém os direitos sobre as transmissões televisivas dos seus jogos em casa e faz o que quer e lhe apetece com as imagens, sobrecarregando as que mais lhe convêm na narrativa e fazendo evaporar, quase por mistério, as que a distorcem. Haja decoro! O FC Porto pede há dois anos uma revolução tecnológica para o setor da arbitragem: melhores câmaras, maior número de câmaras, melhores ângulos, melhor definição, tecnologia de fora de jogo semiautomática e tecnologia de linha de golo. E todos, sem exceção, assobiaram para o lado!

Trocado por miúdos e para simplificar: o país ia parar porque o Benfica ia ganhar e ninguém ia trabalhar. Para que isso acontecesse, Miguel Nogueira deveria ter sido “padre”, mas não foi: foi apenas árbitro, isento e sério, em mais um clássico do futebol português. Mas vejamos o lado positivo: com a vitória do FC Porto, perderam-se horas de diretos e filmagens do autocarro do Benfica e assim se pouparam milhares de euros em gasolina, que está muito cara.

Que lindo que estava o nosso Dragão nessa noite! Inesquecível!

Setembro marcou também o nosso regresso à Liga dos Campeões, competição em cuja era moderna somos o quarto clube com mais participações e uma referência incontornável do futebol português. Voltámos a um palco que conhecemos e onde construímos uma parte essencial do nosso prestígio internacional, mas que hoje exige uma leitura desportiva e económica particularmente atenta. O formato de liga abriu uma nova dimensão competitiva e o ciclo comercial de 2027/31 traz perspetivas de crescimento que queremos aproveitar. A nossa responsabilidade é elevar os pergaminhos do Clube sem ignorar que, entre os emblemas do Pote 1, estão potências com uma capacidade financeira que torna cada vez mais difícil equilibrar a competição apenas através do mérito e da qualidade do trabalho.

O encontro com o Manchester City mostrou bem essa distância. De um lado, um investimento de cerca de 526 milhões de euros no mercado; do outro, os 32 milhões do FC Porto. Um clube adquirido em 2008 por cerca de 200 milhões de libras é hoje avaliado em aproximadamente 4,1 mil milhões de libras. Não apresentamos estes números como desculpa para uma derrota, mas como retrato da escala em que somos chamados a competir. Encurtar estas distâncias exige astúcia, determinação, investimento criterioso e uma gestão que não confunda coragem com imprudência.

Haaland decidiu o jogo, demonstrando a diferença que um dos melhores avançados do mundo pode fazer. Perdemos e temos de retirar desse encontro tudo o que nos permita crescer, sem procurar transformar uma derrota numa vitória moral. Também houve reconhecimento internacional da qualidade dos nossos jogadores e da capacidade competitiva deste grupo. O FC Porto dispõe hoje do plantel mais valioso da sua História, do jogador mais valioso do campeonato e de uma combinação de juventude, experiência internacional e formação da casa que nos dá motivos para acreditar. Preservar o núcleo competitivo da equipa campeã, reforçá-lo e continuar a valorizar os seus jogadores é parte do trabalho de construção de um Clube mais forte e sustentável.

Curiosamente, aquilo que merece reconhecimento fora de portas provoca cegueira e coceira entre os especialistas do “Manto Marrom”. Passaram o verão a fazer contas às nossas dificuldades financeiras e agora parecem particularmente incomodados por nos verem conservar talento e somar vitórias. Há avaliações que sobem com a camisola certa e desvalorizam o vizinho por obrigação editorial. Entre os potes dos sorteios e os preços que se atribuem ao talento, fica a pergunta: quanto vale um Pote? A resposta não pode depender da cor do cachecol de quem segura a calculadora.

Num plano bem diferente, setembro voltou a expor a crise que envolve a liderança do Conselho de Arbitragem e as denúncias de Duarte Gomes. O FC Porto foi, tanto quanto é público, o único clube a defender expressamente a suspensão temporária de funções do Presidente do Conselho de Arbitragem enquanto são esclarecidos os factos e o próprio defende o seu bom nome. Fizemo-lo publicamente e através de comunicações institucionais à FPF e à Liga Portugal. Não confundimos uma investigação com uma condenação, nem pretendemos substituir-nos à justiça. O arquivamento do processo disciplinar deve ser respeitado, tal como deve ser esclarecida a matéria sob investigação judicial. Mas a proteção da credibilidade das competições não pode ficar dependente de uma espera indefinida enquanto a suspeição se instala sobre quem dirige a arbitragem.

Entre os apoios públicos à continuidade de Luciano Gonçalves destacou-se o apoio de Frederico Varandas. Registamos essa posição, como registamos a diferença entre a prontidão de certos votos de confiança e a indignação imediata que surge quando o nome do FC Porto entra numa discussão. Para nós, o critério não muda com o destinatário: importa proteger as competições, os árbitros e a independência das suas decisões. Continuaremos a promover as diligências necessárias para obter esclarecimentos e a defender o afastamento temporário do presidente deste órgão. Um voto de confiança não substitui uma explicação, nem a defesa do bom nome de alguém exige que se exponha toda a competição ao desgaste da dúvida.

É neste contexto que quero distinguir a coragem de Tiago Silva. Perante uma abordagem televisiva que procurou transformar a indignação pública e institucional do FC Porto sobre uma nomeação numa suspeita de interferência, defendeu o Clube sem se intimidar com o peso da redação ou com a autoridade que alguns julgam adquirir por ocuparem uma cadeira num estúdio. Questionou os rodapés, confrontou a narrativa e recusou aceitar que o FC Porto fosse apresentado como suspeito apenas por ter exercido o direito de discordar. Não pediu tratamento de favor; exigiu que não se confundisse a defesa da Instituição com aquilo que se pretendia insinuar contra ela. Essa frontalidade merece reconhecimento, sobretudo quando seria mais cómodo baixar a cabeça e deixar a emissão seguir.

No dia seguinte à reação do Clube, a suspeita mudou de roupa. A jornalista reconheceu que o FC Porto não estava sob suspeita, mas, já sem Tiago Silva no estúdio e perante uma plateia bem menos empenhada em contrariá-la, trocou “suspeitas” por “pressões”, como se uma mudança de vocabulário apagasse a mensagem que tinha sido transmitida. Uma investigação verdadeiramente prodigiosa: quando o suspeito não serve, muda-se o substantivo. O que não mudou foi a realidade de uma posição pública, assumida e conhecida desde janeiro, que não passou a ser clandestina por receber um rodapé vermelho em setembro. Quem reclama autoridade para escrutinar os outros tem de aceitar que também lhe sejam pedidas contas sobre o que afirma.

A mesma jornalista terminou recentemente uma crónica com a máxima “primeiro os factos, depois os comentários”. Um excelente princípio, cuja aplicação parece ter sido suspensa quando surgiu o nome do FC Porto. Neste caso, chegaram primeiro os rodapés, depois as insinuações e só mais tarde a necessidade de corrigir a história. O rigor não pode ser uma frase de assinatura que desaparece quando os factos estragam a narrativa; tem de existir precisamente nos momentos em que contraria preferências, audiências ou conveniências.

Pior, talvez, seja a facilidade com que esta confusão entre profissão e bancada passa para a narração e o comentário dos jogos. No Benfica–FC Porto de andebol, na RTP, ouvimos “temos quatro golos para recuperar”. No NOW, durante o clássico de futebol, surgiu outra manifestação de isenção: “espero que o Benfica marque e equilibre o jogo”. Ficámos esclarecidos sobre quem precisava de recuperar e sobre quem desejava o empate. Falta apenas perceber por que razão se insiste em apresentar como neutralidade aquilo que a primeira pessoa do plural e a expressão de um desejo tornam tão transparente. Cada um é livre de apoiar o clube que entende; o que não pode é exigir ao público que confunda esse apoio com informação imparcial.

Caros Sócios e Adeptos, o melhor modo de honrarmos estes 133 anos continua a ser manter os pés assentes na terra e o foco no essencial. Temos uma equipa em quem acreditamos, um treinador exigente, talento para desenvolver e uma massa associativa que nunca nos deixa sozinhos. Nada disso nos dispensa de trabalhar mais, de corrigir o que estiver errado e de permanecer unidos quando o caminho apertar. Que a nossa cultura, o nosso desejo e a nossa sede de vencer nos tragam muitas vitórias e a alegria de responder em campo às tristes almas que vivem mais preocupadas com a nossa queda do que com o seu próprio sucesso. O FC Porto continuará a crescer com a sua cidade, a honrar os seus e a procurar novas conquistas, porque a História que celebramos não nos pede descanso: exige-nos continuidade.

Viva o Futebol Clube do Porto.».

EM ATUALIZAÇÃO

Ricardo João Lopes
Ricardo João Lopeshttp://www.bolanarede.pt
O Ricardo João Lopes realizou a sua formação na área da História, mas é um apaixonado pelo desporto (especialmente pelo futebol) desde criança, procurando estar sempre a par da atualidade.

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