O caminho para a final em Istambul está cada vez mais perto e o Braga continua a afirmar-se como claro candidato ao título, batendo-se de frente contra um Real Bétis que é apontado como favorito desde o arranque da temporada. Num duelo entre duas equipas reconhecidas pela capacidade de reter a posse de bola, os gverreiros venceram essa batalha mas não foram capazes de ganhar conforto para o encontro em Sevilha. Sem Rodrigo Zalazar, Carlos Vicens fez algumas alterações ao onze inicial, avançando Gabri Martinez para uma posição mais avançada no corredor esquerdo e com Diego Rodrigues a fletir para zonas centrais.
Esta estratégia inicial procurava manter uma referencia fixa na profundidade com o espanhol, forçando a defesa adversária a baixar e abrindo espaços entre-linhas, onde o Braga colocou muitos homens. Para o sucesso deste processo, o trabalho de excelência que Ricardo Horta e Pau Victor continuam a fazer nos apoios curtos foi essencial, criando também espaço para as arrancadas de Victor Gómez pela direita. Depois de uma boa entrada no jogo, Florian Grillitsch voltou a mostrar o instinto goleador, desta vez com um calcanhar ao primeiro poste na sequência de um canto batido por Diego Rodrigues. O internacional sub-21 português acabou por ser substituído por lesão aos 18 minutos, o que forçou Carlos Vicens a escolher alguém que pudesse manter o controlo em zonas interiores.


Para esse papel escolheu João Moutinho, que acabou por ocupar uma posição de ‘número 10’, também com a ideia de trazer melhor definição no último terço. Desta forma, no momento defensivo, Gabri Martinez recuou para ala-esquerdo e os minhotos adotaram um 5-2-1-2. Esta estratégia ainda permitiu ter um homem responsável pela marcação de Sofyan Amrabat, que funcionou como o cérebro da construção do Real Bétis, o que o forçou a recuar entre os centrais e aumentou a distância entre as linhas dos espanhóis. Contudo, o Bétis mostrou-se capaz de criar perigo através do contra-ataque, utilizando a largura de Abde Ezzalzouli como principal arma.
O caráter ofensivo de Victor Gómez deixou espaços no corredor esquerdo que foram aproveitados pelo extremo marroquino, forçando Gustaf Lagerbielke a defender em zonas laterais e claramente desfavoráveis para o sueco. Através destes perigosos ataques rápidos e de bolas paradas, o Bétis criou várias oportunidades de golo que poderiam ter mudado completamente o contexto do jogo, mas Lukas Hornicek voltou a brilhar com várias defesas de alto calibre. Ainda antes do intervalo, Pau Victor teve também alguns momentos de inspiração no drible, mas a vantagem de um golo manteve-se.


Na segunda parte, o contexto do jogo mudou, visto que o Braga entrou num modo de gestão do ritmo de jogo, enquanto os espanhóis lutavam pelo resultado. Condicionado pelo amarelo recebido logo aos 10 minutos, Sofyan Amrabat saiu para a entrada de Antony, o que alterou a disposição tática dos sevilhanos, passando para um 4-3-3 com Marc Roca como o médio mais recuado e com Pablo Fornals e Fidalgo na sua frente. No momento defensivo, esta mudança permitiu ter mais elementos em zonas centrais, condicionando a ideia de jogo dos minhotos.
A turma de Carlos Vicens foi capaz de dominar a posse e evitar grandes oportunidades adversárias até aos 59 minutos, momento no qual Abde encontrou o espaço que o Bétis tanto procurou. Desta vez com Gorby pela frente, bateu o médio francês no drible e ganhou o penálti, numa altura em que precisavam claramente de um momento de inspiração ofensiva individual. Após o empate, o técnico dos gverreiros ainda tentou acrescentar maior qualidade técnica e controlo com as entradas de Dorgeles e Tiknaz, e ainda de uma referência de área com Fran Navarro. Na reta final do encontro, ambas as equipas demonstraram alguma hesitação em comprometer demasiados jogadores a zonas mais avançadas, reconhecendo o perigo ofensivo dos adversários. Assim, o jogo acabou por estabilizar na igualdade até um susto final com o remate de Antony.


BnR na Conferência de Imprensa
Com um posicionamento mais adiantado que o costume, Gabri Martinez ofereceu largura e uma ameaça na profundidade ao longo de todo o jogo, forçando a defesa do Betis a recuar, abrindo espaços na zona central. Visto que o Braga colocou depois tantos homens nas zonas entre linhas, que importância teve esta estratégia no jogo de hoje?
Carlos Vicens: Sim, com o Gabri queríamos ter essa ameaça nas costas da defesa e, como referi antes, estivemos um pouco nervosos na primeira parte. Isso privou-nos de conseguir criar mais oportunidades. Na segunda parte estávamos focados em controlar mais o ritmo de jogo, por isso precisávamos de mais apoios no pé do que no espaço. Ele trabalhou muito contra o Moreirense e quando a energia dele acabou hoje decidimos colocar o Mario Dorgeles, que também nos ajuda a ter mais controlo a partir da esquerda.
O Bétis procurou encontrar Abde nos contra ataques, forçando Lagerbielke a defender em zonas mais abertas. Quão importante foi esta dinâmica num jogo em que tiveram dificuldade para controlar a posse de bola?
Manuel Pellegrini: A posse de bola já sabíamos que ia ser difícil contra uma equipa como o Braga. Tivemos o contra-ataque na segunda parte com o Abde que nos permitiu igualar o marcador. Mas acho que na primeira parte conseguimos criar com todo o setor ofensivo, não só pelo lado do Abde. E acabamos por criar 4 ou 5 oportunidades claras.

