Jorge Jesus será apresentado esta sexta-feira como novo selecionador nacional, na Cidade do Futebol, em Oeiras. O técnico português sucede a Roberto Martínez.
Jorge Jesus foi apresentado esta sexta-feira como novo selecionador nacional, sucedendo a Roberto Martínez. A cerimónia realizada na Cidade do Futebol, em Oeiras, contou com declarações do técnico português aos meios de comunicação social.
Jorge Jesus começou por prestar as primeiras declarações como selecionador nacional:
«Queria agradecer ao presidente a oportunidade que me deu, a treinar uma das melhores seleções do mundo. Hoje, a minha apresentação, é formal. O que mais querem é fazer perguntas. Como está nesse slogan, viemos para ganhar e vencer. Quando chegamos a qualquer lado vencemos, com estas condições e esta qualidade, sabemos que temos uma seleção para poder acreditar e valorizar o espetáculo, os jogadores, a seleção. Uma oportunidade para trabalhar numa das melhores seleções do mundo, principalmente, a do meu país,. Tenho um grande orgulho em ser português, a oportunidade vai justificar o que é ser português. Sou o treinador de 12 milhões, do povo português. Certezas absolutas também as tenho, quero que Portugal esteja ligado como esteve neste Campeonato do Mundo. Encheram-nos de vaidade, como português senti isto. Não senti desportivamente, por aí não estava aqui. Quero e tenho a certeza de que viemos para vencer. Não passa só por treinadores, jogadores, pelo dentro de campo. Entro numa casa que não conheço, mas vou conhecer em pouco tempo. Vou trabalhar com Lourenço Coelho, com quem trabalhei seis anos no Benfica. Não vamos facilitar nada ou ter receios de confrontar seja quem for. Queremos começar a 24 de setembro, jogo com o País de Gales, a ganhar. O nosso caminho é ganhar».
Jorge Jesus comparou o papel de selecionador ao de treinador de clube:
«Há muita tendência de dizer que o treinador de seleção é diferente de equipa. Não é verdade. Não tem é tantos dias de trabalho como no clube. O método de cada um não é uma ciência exata, mas é uma ciência, se não éramos todos iguais. Vou-me adaptando às circunstâncias. Preparei-me pata este dia, para ser selecionador da nossa seleção. Nada para mim vai ser muito diferenciado, trabalhar numa seleção ou num clube».
O treinador português garantiu estar preparado para o exigente desafio de assumir o comando da Seleção Nacional:
«Quando chego é para vencer, esta casa é igual. Gosto de assumir a responsabilidade quando tenho matéria-prima para o resolver. Estou habituado a essa pressão. Estamos preparados para começar a traçar o nosso caminho. Com 71 anos, o número está lá, mas no que sou está lá 50. Tenho uma saúde, todos os dias posso treinar 1 ou 2 horas. Estou preparado pata um desafio difícil, mas convencido de que posso vencer».
Jorge Jesus falou sobre a relação com Cristiano Ronaldo e as perspetivas para o futuro do avançado português na Seleção Nacional:
«Cristiano Ronaldo? Ainda não falei com o Cris. O Cris nunca vai ser um problema para a seleção ou para mim. O que é como jogador e a polémica, cada um pensa como quiser. O Cris, quando tiver de tomar uma decisão, vou falar com o Cris e com todos individualmente. Não vou falar com o Cris por ser o Cris. É um símbolo do futebol português, da seleção de Portugal. Vai ficar sempre na história. É fácil trabalhar com ele, desde que ele perceba ate onde ele pode chegar e onde eu posso chegar. É uma relação. A partir daqui as coisas serão fáceis. Será sempre ele que decidirá o que quer fazer. Sei que quer continuar a jogar no Al Nassr, disse-me que ia acabar a carreira do Al Nassr. Enquanto estiver selecionável e a jogar, definirei, consoante as condições que achar. Esqueci-me de dizer sobre o Cris. O Al Nassr fez 50 jogos, ele fez 31 o ano passado. No campeonato substitui-o 16 vezes. Nunca nos confundimos, ele jogador, eu treinador. quanto à pergunta, não vou perder nenhum. Só se ele se lesionar».
O técnico foi questionado sobre o jogador da Seleção Nacional que não gostaria de perder:
«Jogador que não gostava de perder? Eu estou na seleção. Tenho vantagem, hoje posso falar. Destes 26, 12 trabalharam comigo. Mais de metade desta seleção já trabalho. Conheço-os bem, são todos grande jogadores. A seleção tem tanta qualidade, todos fazíamos uma equipa da seleção e em 10, todos faziam uma diferente. Todos tem muita qualidade. Esta equipa, esta seleção que acabou o mundial, e vão aparecer novos jogadores nestes quatro anos, Portugal tem escalões de formação com muita qualidade, conheço muitos deles. Vou estar mais inserido na formação do futebol mais jovem. O importante é o presente. Remodelação e sangue novo? Neste momento não. Desta seleção, só seus jogadores acima dos 30. E dois são guarda-redes. Não é uma equipa velha, média de idades de 28 anos. Aos 28 anos é o nosso melhor período, já conhece tudo o que é o jogo. Não é por aí que a seleção terá problemas».
Jorge Jesus comentou os egos e os estatutos presentes no plantel de Portugal:
«Acima dos egos e estatutos? Não tenho dúvida nenhuma. O ego há em todas as equipas e seleções. É mais difícil trabalhar com jogadores que julgam que são grandes jogadores com os que julgam ser grandes jogadores. São todos grandes jogadores na seleção, nas melhores equipas da Europa. Conquistam títulos nas suas equipas. O mais importante agora é conquistar títulos na seleção. Vamos fazer por isso».
O técnico de 71 anos falou sobre os capitães de Portugal:
«Capitães? São cinco, pelo que sei são o Cris, Bernardo, Bruno, Ruben e Diogo. Não sei qual a ordem. Não tenho hábito de que os anos de seleção ou jogador dão direito a capitão. É muito para lá disso. São os expoentes máximos do pensamento do treinador. além de escolher o campo. Não vai ter problema».
Jorge Jesus falou sobre o antigo caso com Bernardo Silva:
«Bernardo? O Bernardo de 2013 era um menino que estava a começar os passos dele, com muita ambição. Confiava muito nele e queria jogar e ser jogador. Não tivemos . Foi mais o que se falou do que aconteceu no treino. Posso falar abertamente, não há segredos. Quis pô-lo num jogo a lateral esquerdo… não é bem assim. Foi na pré-época, o Djuricic lesionou-se, fiz uma alteração e coloquei o Bernardo nos últimos minutos naquela posição. Ainda estava no início da carreira. Agora é formado, nível mundial e Pep [Guardiola] também o colocou lá. Não há problema, difícil é trabalhar com os jogadores que julgam ser grandes jogadores».
O treinador português falou sobre as exigências do cargo de selecionador nacional e a gestão do grupo:
«O treinador não é treinador, é selecionador? Primeiro temos de escolher, fazer uma convocatória e, depois, treinar os jogadores. Na seleção fala-se muito que eu gosto do treino e do trabalho de campo e que agora não há tempo. Ao longo da minha carreira como treinador, principalmente nos últimos anos, estive em equipas que jogavam de dois em dois dias e de três em três dias. Vai acontecer o mesmo. Há treino. Julgam que os jogadores chegam cansados e que não treinam, que vão dormir. Há treino ativo, há muitas formas de treinar. Há treino para além do trabalho de campo. Tudo isso está ligado ao que têm sido os meus últimos anos como treinador. Não vai haver problema nenhum. O importante é montar e organizar uma equipa. A recuperação dos jogadores é um dos segredos do futebol. Quem está mais habilitado e tem maior conhecimento parte em vantagem. Os selecionadores saem com prestígio? É como tudo. Uns ganham, outros perdem. Não há treinadores que ganhem sempre, eu também perdi algumas vezes. Faz parte do crescimento. O que mais me pode atrapalhar é convocar 23 ou 24 jogadores e só poder jogar com 11».
«Análise ao Mundial? Não fica bem. É o jogo que dita. Não posso ter certezas absolutas. O importante é o rendimento. Se tiver de ser substituído, é; se não, não é. O nome não conta. Já treinei dois dos melhores jogadores do mundo, o terceiro ainda não. Treinei Neymar, treinei Ronaldo. Um dia disse ao Neymar: “Tu… finish».
«Nova geração? Há jovens e há jogadores mais experientes. Portugal tem uma capacidade muito grande para formar novos jogadores. Às vezes digo que Portugal é o Brasil da Europa. Dá-se um pontapé numa pedra e sai um jogador. Agora já não saem tantos como antigamente, mas continuam a aparecer. São os jogadores que vão dizer como temos de agir. A nova Seleção tem uma média de idades de 28 anos. Não há problema. O que interessa é o valor. Se um jogador tiver 17 ou 18 anos e qualidade para ser integrado, será. Entrará. Tenho 12 jogadores que já treinei. Se me recordar de quatro ou cinco, fui eu que os comecei a pôr a jogar: Rafael Leão, aos 17 anos; Gonçalo Guedes, aos 18, no Benfica; João Cancelo; Bernardo… Fui eu que o pus a jogar. Foi contra o Cinfães, na Taça, mas jogou. O importante é sentir que há qualidade e não ter medo. Não olho para a idade do jogador. O mesmo aconteceu com o Cristiano. O Cristiano trabalhou um ano comigo sem uma lesão. Fazia oito quilómetros por jogo. Sendo ponta de lança, é muito bom. Atingia velocidades acima dos 25 km/h. Tinha dados que me permitiam contar com ele. Quando achava que tinha de jogar, jogava. Quando entendia que não, nem o levava para o banco».
«Convite a Pepe? Não tenho uma equipa técnica minha e outra da Federação. Vai ser minha e, consequentemente, da Seleção. Nunca falei com o Pepe. Se me podia agradar? Sim. Chego aos clubes, no estrangeiro ou em Portugal, e procuro sempre integrar alguém que conheça bem a realidade. Quando cheguei ao Benfica, fui buscar o Luisão. Na Arábia Saudita, fui buscar um antigo jogador do clube para fazer parte da equipa técnica. O Pepe é um jogador que reúne todas as condições, mas o último a decidir é ele. Se quiser abraçar outros projetos, virá outro. Haverá uma escolha, ou não. Também há antigos treinadores que faziam parte da equipa técnica do anterior selecionador».
«Rendimento da Seleção? Vi jogar a Seleção e todas as outras seleções, mas não quero entrar por aí. Não me compete. Não quero fugir às questões, mas também não seria elegante da minha parte dizer o que poderia ter sido feito. Para mim, o importante seria terminar em primeiro lugar no grupo. Já se conhecia o calendário. Não é a mesma coisa jogar com a Espanha ou com a Suíça. Faria tudo para terminar em primeiro. Quanto ao resto, não quero comentar».
«Treino? Quanto mais dias, horas e minutos treinarmos com os jogadores, mais consolidado ficará o processo. O que partilhamos são as ideias que temos e o tempo disponível para trabalhar a equipa. A 24 de setembro, os jogadores chegam e, três dias depois, há jogo. É o primeiro, mas não há desculpas. A 4 de outubro será o quarto jogo. São jogos seguidos, o que é positivo. Vou estar diretamente com os jogadores durante esse período. Se não funcionar, não será por esse motivo».
«Seleção a jogar o dobro? A Seleção tem de jogar o dobro, caso contrário fica tudo na mesma. A qualidade está cá. Acredito muito no nosso trabalho e nos nossos jogadores, mas só isso não chega. A outra parte da estrutura, para além dos jogadores e da equipa técnica, também é importante. Isto é muito mais do que um clube, mas as ideias sobre o que é uma seleção e um clube não diferem assim tanto. Aí não há hipótese. Se alguém achar que isto é para ver os amigos e a família, não é. Todos temos de pagar o preço. Se queremos ganhar, temos de pagar o preço. Vamos criar uma ideia de jogo e uma identidade. Não tem nada a ver com a ideia de jogo da anterior Seleção. Tenho uma forma diferente de olhar para o jogo. Acredito plenamente que viemos para vencer».
ATUALIZAÇÃO
A apresentação de Jorge Jesus acontece precisamente dez anos após a conquista do Euro 2016 por Portugal, alcançada a 10 de julho de 2016.

