Fábio Espinho foi o mais recente entrevistado pelo Bola na Rede. Antigo médio refletiu sobre o final da carreira.
Fábio Espinho concedeu uma entrevista exclusiva ao Bola na Rede. Antigo médio terminou a carreira no Feirense em 2023 e não teve jogo de despedida depois de uma lesão que se foi prolongando.
«Estava mentalizado de que seria o meu último ano e em dezembro ou janeiro sofri uma lesão no tornozelo. É uma lesão difícil de explicar, estava a correr, pisei um defesa e rebentei com o pé todo e não joguei mais. Fez-me aceitar mais o término de carreira. Já estava mentalizado de que seria o meu último ano e davam-me um mês, máximo dois, de recuperação da lesão e o que é certo é que foram três, quatro, cinco e sempre que voltava o tornozelo lixava-se e sentia dores. Fez com que me fosse despedindo aos poucos, aceitando e mentalizando. Não houve o impacto do último jogo e ainda bem. Fui-me mentalizando com o tempo e com a minha disponibilidade física», destacou Fábio Espinho, que destacou este ponto.
«Sim, acabou por ser natural. Os meus colegas de balneário e de grupo não eram burros nenhuns e percebiam a relação que tinha com o Rui. Era porreiro porque eu era capitão de equipa e tratavam-me à vontade sabendo de antemão da relação que eu tinha com o treinador. Infelizmente no futebol quando há determinados grupos que sabem da relação de um treinador com um jogador cria-se, por vezes, um bicho de sete cabeças, mas tinha ali um grupo espetacular que confiava em mim. Também abri o jogo com eles e ouvi boquinhas todos os dias a dizer que ia para a equipa técnica. Abri o jogo com eles e foi na boa. Foi de forma tranquila e natural, sem despedidas. Foi muito facilitado nesse sentido. Não tive a despedida típica no campo não. Na altura fiquei um bocado triste pela carreira que tive, pelos anos, pela dedicação ao futebol e ao clube. Tinha essa pergunta. Por que é que não me fizeram uma despedida? Hoje digo, ainda bem que não a fizeram. Facilitou ainda mais a minha despedida», analisou o antigo médio, que falou na readaptação nos últimos anos de carreira.
«Às vezes há ex-jogadores que até acabam por ter problemas porque não conseguem fazer o desmame. Não sei se foi pela longevidade, porque acabei a carreira com 38 anos e a um nível bom. Depois, também comecei a ter pequenas dorezinhas que me chateavam no treino. Ao contrário do que era no início de carreira, no final da carreira gostava de treinar a sério. No início, pela irreverência e juventude, achamos que não era preciso dar tudo, mas os anos e a experiência demonstraram-me que estava completamente errado. Foi isso que me elevou a outros patamares. Havia dores residuais no tornozelo e no pé que me chateavam e não deixavam estar a 100%. Lá dentro a exigência é máxima e numa altura senti que o corpo já não acompanhava a mente. Eu pensava como há 10 anos atrás, mas o corpo não corresponde da mesma forma. Ao longo dos anos, percebi que perdi alguns atributos físicos. É claro que ganhei outras coisas mentais, mas o físico acaba inevitavelmente por se perder», destacou Fábio Espinho.
Lê toda a entrevista de Fábio Espinho.

