Fábio Espinho foi o mais recente entrevistado pelo Bola na Rede. Técnico lançou o caminho e os objetivos como treinador principal.
Fábio Espinho concedeu uma entrevista exclusiva ao Bola na Rede. Técnico falou na vontade em ser treinador principal e destacou principais necessidades de um treinador e relacionamento com o balneário como pontos-chave.
«Como fiz carreira como futebolista, agora quero seguir carreira como treinador. Já tive três experiências como treinador-adjunto e consegui adquirir muita coisa, não só como jogador, mas também como treinador. Penso que está na altura para pôr em prática como treinador principal toda a minha experiência e tudo o que vivi. Neste momento estou a fazer, e termina em junho, o UEFA A. É o nível 3 que me permite treinar até à Segunda Liga. É claro que se pudéssemos começar logo pelo topo era ótimo, mas sei que não é assim tão fácil. Independentemente da divisão, desejo que seja um projeto sustentado, ambicioso e que me permita fazer o meu trabalho dentro da visão do clube», destacou Fábio Espinho.
«Costumo dizer que ser treinador não tem nada a ver com ser jogador. Muitos de nós somos jogadores a terminar carreira e com o objetivo de sermos treinadores, mas há diferenças. Um treinador tem mais responsabilidade, tem de lidar com vários departamentos, de liderar a equipa técnica, de gerir o grupo de jogadores, de se gerir com a estrutura do clube, de comunicar, de gerir a comunicação social. Não é só saber de futebol, é preciso tocar em várias áreas. Um treinador não tem de ser um especialista em tudo, mas tem de ser muito bom em pelo menos uma característica. Há treinadores muito bons no técnico-tático, no planeamento do treino, na metodologia do treino, na relação com os jogadores e com as pessoas. Há muitos fatores importantes e um treinador tem de ter pelo menos uma característica muito boa, tal como os jogadores. Os jogadores não são todos iguais, uns fintam mais, outros deixam tudo em campo, há uns mais rápidos, mais técnicos, mais inteligentes. O treinador também tem de ter características variáveis e ser bom em, pelo menos, uma», elencou o técnico, que fez ainda uma autoanálise.
«Nunca fui treinador principal, fui treinador-adjunto na Segunda Liga no Torreense e no Académico de Viseu e na Primeira Liga no AVS. Falar de nós é sempre complicado, mas do feedback que recebo e que vou ouvindo, destacam o relacionamento e a relação que crio com as pessoas. Não estando a falar de mim, é esse o feedback que recebo. O relacionamento é de todo o tipo, com jogadores, com a administração, com qualquer pessoa. Isso satisfaz-me, porque falam da minha pessoa, da forma como vivo o meu dia-a-dia, enaltece os meus valores e o que me passaram na minha educação. Mais do que conhecedor do jogo, e acho que conheço o jogo da minha experiência como jogador e pelas variadíssimas posições onde joguei em toda a carreira que me deram uma visão abrangente do jogar o jogo, acho que a nível pessoal é isso. Da relação dá para extrair muito, não só da outra pessoa, mas também de mim», salientou Fábio Espinho, que olhou para o balneário e para as suas características.
«Não vou mentir, é diferente porque os tempos também são diferentes, as educações são diferentes. Falo por mim, pela forma como lido com os meus filhos. Muitas vezes queixamo-nos das novas gerações e nós próprios damos esse tipo de educação aos nossos filhos. Antigamente havia maior respeito pelo jogador mais velho, pelo capitão, pelos jogadores com mais estatuto dentro do balneário. Fazia-se ouvir mais as vozes deles e os mais novos respeitavam. Agora não digo que não aconteça nem que não haja respeito, mas é diferente. Há mais irreverência, há mais mimo. Um jogador jovem não lida tão facilmente com a crítica nem com uma forma de estar tão agressiva. Cabe ao treinador perceber a cabeça e a tipologia de cada um para tentar adaptar a sua forma de comunicar», vincou o treinador.
Lê toda a entrevista de Fábio Espinho.

