Francesco Farioli concedeu uma entrevista à BBC Sport, na qual refletiu sobre a experiência feliz no comando do FC Porto.
Francesco Farioli chamou à atenção dos tubarões europeus com a campanha de estreia no comando do FC Porto, sagrando-se campeão nacional e levando a equipa aos quartos-de-final da Europa League. Em entrevista à BBC Sport, o técnico italiano afirmou que tomou a decisão certa ao renovar com os dragões:
«Sinto que não poderia estar num sítio melhor. Como disse no nosso jantar de fim de época, eles criaram-me um problema, pois teria levar o presidente e os diretores comigo».
De seguida, Francesco Farioli refletiu sobre o que o levou a assinar pelo FC Porto, depois do final de época desastroso no Ajax:
«Estou habituado a entrar em situações desconfortáveis, em que falta orientação e as coisas não estão organizadas. Procurava um clube com um espírito semelhante, não por vingança, mas que quisesse pôr as coisas em ordem».
O italiano abordou também os comentários que o descrevem como um ‘treinador defensivo’:
«Um ano antes, no Ajax, fui acusado de ser demasiado ofensivo. Agora, no Porto, fui acusado de ser demasiado defensivo. Provavelmente não se trata de uma coisa ou de outra, mas sim de encontrar o equilíbrio na equipa».
Questionado sobre o que contribui para a solidez defensiva do FC Porto, afirmou:
«Uma vertente que é bastante subestimada é a que diz respeito à posse de bola. Não se pode realmente separar os momentos. Trata-se de fases do mesmo ciclo. Este registo defensivo deve-se, em grande parte, também à forma como atacamos, ao tipo de estrutura que procuramos quando atacamos e à forma como nos preparamos no momento em que perdemos a bola. Tudo está interligado».
Francesco Farioli explicou os detalhes que definem a pressão alta dos dragões:
«Tem muito a ver com compreensão e timing, fatores desencadeantes específicos e a capacidade dos jogadores de interpretar o momento do jogo de acordo com a nossa posição em campo e com o que o adversário está a tentar fazer. Dedicamos muito tempo ao trabalho com vídeo, à correção e à explicação. São necessários jogadores capazes de compreender e de dar esse esforço extra. A colaboração entre os jogadores é fundamental».
Ainda sobre a estratégia defensiva do FC Porto, o técnico acrescentou:
«A forma como abordamos estes momentos é algo que comecei a fazer na minha primeira experiência na Turquia: aplicar ideias e implementar um método. Mas, mais uma vez, não se trata apenas do momento sem a bola, trata-se também da forma de atacar. Algo que vivemos bastante com o Roberto de Zerbi foi jogar com determinadas distâncias, mantendo a equipa muito compacta quando tem a posse de bola. É uma forma de facilitar a transição e de reequilibrar a equipa quando perdemos a bola, para evitar contra-ataques».
Por fim, Francesco Farioli destacou os aspetos que o descrevem como treinador:
«Acredito que o futebol, e a vida em geral, se baseiam em dois princípios: a entropia, ou seja, o caos, e a entropia negativa, a intenção de criar ordem. Como treinador, posso ajudar a equipa trazendo mais ordem, uma linguagem comum e, talvez, uma perspetiva que permita ver a realidade e compreender o jogo da mesma forma».



