Francesco Farioli analisou o triunfo do FC Porto frente ao Benfica por 3-1. Lê as principais declarações do técnico em conferência de imprensa.
Francesco Farioli fez o rescaldo à vitória do FC Porto diante do Benfica no Estádio do Dragão. Em conferência de imprensa, o técnico italiano começou por fazer a análise à partida:
«Nós nunca planeamos a parte final, porque nunca sabemos como o jogo pode decorrer. Aquilo que tentamos fazer é procurar estar, minuto a minuto, bola a bola, na nossa melhor versão. Penso que esta noite tivemos momentos em que estivemos verdadeiramente positivos. Após o cartão vermelho, tivemos um momento em que talvez não tenhamos estado na nossa melhor forma; perdemos um pouco as referências e tudo o mais. Mas, no fim de contas, é muito importante, obviamente, este resultado. Contudo, como já disse na entrevista anterior, o caminho vai ser muito, muito longo. Por isso, nós merecemos… os rapazes merecem desfrutar esta noite, e depois, assim que estivermos de regresso, começar a trabalhar como deve ser, porque temos uma longa caminhada pela frente. Estava a referir antes que este jogo, mais uma vez, é uma vitória que tem muitos ‘pais’, na medida em que, por exemplo, o Gabri [Veiga], nos últimos dois dias, teve alguns problemas, não estava a 100% fisicamente e, ontem à noite, até à meia-noite, o Álvaro — o nosso responsável do departamento de fisioterapia — esteve em casa dele a trabalhar com ele para tentar deixá-lo pronto. Como se pode ver, o impacto que esta dedicação e este trabalho tiveram foi enorme. O facto de termos o Samu de volta diz muito, e o Samu esteve ali a felicitar todo o departamento médico e de performance, especialmente o Pedro [Silva], que esteve muito tempo com ele a prepará-lo para que ficasse pronto; o Oskar [Pietuszewski] da mesma forma. Somos uma equipa em que precisamos de todos. Jogámos, infelizmente, muitos meses sem ele e sabemos a falta que ele nos fez. Estamos muito felizes por tê-lo de volta e agora é momento de tentar recuperar aqueles que têm estado de fora nos últimos dias».
«Resposta às declarações de Marco Silva? Não, nessa parte não sei, porque nunca trabalhei na Premier League, por isso não posso fazer uma comparação. Acho que o que disse na semana passada foi algo que senti. E, como disse, acho que esta noite não houve coisas estranhas, correu tudo bastante bem. Nunca é fácil dirigir um clássico com esta tensão, mas penso que tudo correu da melhor forma possível».
«Ajustes após Benfica ficar reduzido a dez unidades? Bem, nós queríamos pressionar, continuar a pressionar como tínhamos feito no início do jogo, quando estávamos 11 contra 11, com grandes momentos, a recuperar muitas bolas. Mais tarde, quando eles ficaram com 10 jogadores, houve um momento em que começaram a sobrecarregar o lado esquerdo com muitos jogadores. O Rafa começou a jogar muito mais por dentro do que costuma fazer, o Bah vinha para dentro, pelo que praticamente jogavam sem ninguém no lado direito. Esse desenho criou um pouco de confusão porque é, obviamente, um cenário bastante antinatural. E, lá está, com a mobilidade, a qualidade e a capacidade que eles têm de circular à procura da bola e de encontrar combinações curtas, não era fácil saltar na pressão e chegar a tempo. Portanto, foi isso que aconteceu: não foi porque não quiséssemos [pressionar], mas sim porque era difícil chegar. Ao intervalo conseguimos, ou tentámos, ajustar; colocámo-los em frente ao vídeo para retificar algumas coisas. E, volto a dizer, estamos a falar de uma grande equipa, que veio aqui com 55 jogos de invencibilidade [no campeonato], por isso penso que o resultado de hoje tem um valor especial, se colocarmos tudo em consideração».
«Exibição de André Silva? Sim, sobre a primeira parte da sua questão: como sabe, vamos jogo a jogo. Não desperdiçamos energias em cálculos nem em projeções. Claro que é importante estarmos onde estamos, mas, mais uma vez, há tantos jogos por disputar que é ridículo fazer qualquer tipo de sonho ou análises a longo prazo. Sobre o André: fez, na minha opinião, um grande jogo. Por vezes é difícil ver ou é difícil julgar o trabalho sem conhecer os detalhes que são exigidos da nossa parte, mas, como treinador, sinto-me verdadeiramente afortunado por ter um jogador com esta qualidade, esta personalidade, este nível de compreensão do jogo e espírito de equipa».
«Equipa do FC Porto mais forte este ano? Antes de mais, creio que não faz qualquer sentido fazer comparações, porque nós somos diferentes, os nossos adversários e candidatos são diferentes — jogadores diferentes, treinadores diferentes —, duas equipas que, juntas, investiram mais de 200 milhões no mercado. Por isso, não faz realmente sentido algum fazer esse tipo de análise depois de uma época. Acredito que, se temos de retirar alguma lição da época passada, é sobre o equilíbrio, o ténue equilíbrio: há uma linha muito ténue que depende de ter jogadores disponíveis para jogar, de não ter atletas lesionados, de ter, como referi antes, o plantel coberto em todas as competições. No final de contas, a realidade é que vamos ter vários jogos com um nível de exigência altíssimo. Um exemplo é o Nehuén Pérez: esteve fora durante um ano, regressou, fez um grande jogo contra o Manchester City, mas, de certa forma, não conseguiu recuperar por completo e teve uma lesão bastante considerável no treino. Portanto, em última análise, há momentos na época em que um detalhe minúsculo pode mudar tudo, e temos de estar perfeitamente conscientes disso. Como disse, devemos fazer uma avaliação interna correta para recomeçar após a paragem internacional com margem para, como se diz, amortecer o impacto nos momentos de dificuldade».

