Geovany Quenda emocionado na despedida do Sporting: «Tive noites em que não conseguia dormir»

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Geovany Quenda não conteve as lágrimas numa entrevista de despedida do Sporting, na qual refletiu sobre os sete anos de ligação ao clube.

Com muita emoção à mistura, Geovany Quenda concedeu uma entrevista de despedida aos meios do Sporting, antes de rumar a Inglaterra para representar o Chelsea. O extremo de 19 anos refletiu sobre os sete anos de ligação aos leões, começando por referir que ainda não conseguiu processar a mudança e por escolher aquilo que deixará mais saudades:

«Ainda não me caiu a ficha. Acho que só me vai cair a ficha quando começar mesmo a vestir a camisola de outro clube. Mas passou tudo muito rápido. Acho que é do balneário. Como tinha dito, o balneário, o grupo e a união que existe aqui no Sporting não sei se vou encontrar isso noutros balneários. É a união».

De seguida, abordou a importância do Sporting na sua vida, destacando algumas das pessoas que o apoiaram ao longo do caminho:

«Foram as pessoas na Academia. Todos os anos as pessoas tentam ajudar os miúdos da formação. As pessoas certas que estão na Academia ajudam sempre. Tentei sempre ouvir os conselhos de toda a gente. (O Sporting) teve um papel muito importante. Fez-me crescer e sei que o Sporting vai estar sempre na minha vida. É difícil esquecer o Sporting. As pessoas vão continuar sempre do meu lado, vão continuar a ajudar e vou tentar sempre ouvir as pessoas. Muita gente. Ainda ontem falei com muita gente… Tenho muito a agradecer. Mesmo o senhor Tomaz (Morais). Vou levar muita gente comigo».

O jovem relembrou os primeiros passos no Polo EUL:

«Cheguei ao Sporting, fui direto para a Academia e depois trocava entre lá e o Pólo. Às vezes treinava na Academia com os mais velhos e aos fins-de-semana fazíamos jogos no Pólo ou na Academia. Dividíamos entre os dois lados. Fomo-nos adaptando a isso. Tinha comigo o Gabriel Silva, o João Simões… Éramos muitos, então fomo-nos adaptando a isso e tínhamos de fazer isso todas as semanas quase».

Sobre os tempos na academia, Geovany Quenda destacou a união da sua geração:

«Éramos muito unidos. Até temos um grupo no Whatsapp em que falamos todos. Havia uma grande união daquela geração, ainda conseguimos ganhar o campeonato nacional de sub-15 e depois acho que nunca mais jogámos juntos. Continuamos sempre a falar e mantemos o contacto. Lembro-me de estar a ver um Sporting-FC Porto em que o Jovane marcou dois golos, na Taça da Liga. Estávamos todos na sala de jogos e, quando acabou o jogo, estávamos todos na Academia sem camisola a correr. Também quando o Youssef (Chermiti) marcou contra o Rio Ave, no campeonato, estávamos todos no quarto a fazer barulho. Isso vai ficar para sempre. (…) Os momentos mais marcantes na Academia foram a conquista do campeonato de sub-15 e estreia pela equipa B».

Recordou ainda alguns conselhos recebidos por colegas mais velhos da formação:

«Tinha muitos mais velhos. O Youssef, o Joelson (Fernandes) também, o Nuno Mendes, o Saná Fernandes… Tinha muitos mais velhos que nós ouvíamos, mas obviamente diziam para nunca desistir. Todos na Academia tinham o sonho de chegar à equipa principal. Diziam que para chegar ali tínhamos de trabalhar muito. E fomos fazendo isso. A ‘míster’ Aida (Ramos) disse que, para chegarmos ao outro lado, tínhamos de fazer muitos sacrifícios. E esse conselho foi num dia em que me tinha portado mal na escola. Fiquei de castigo no jogo com o Benfica nos sub-15. Isso ficou-me na cabeça até hoje»

Confessou também a dificuldade de dizer adeus ao Sporting:

«Tive noites em que não conseguia dormir. Até mandava mensagem à míster Aida àquelas horas. Estava a ser difícil despedir-me de um clube que me ajudou muito a mim e à minha família. Para mim… [pára em lágrimas durante alguns minutos]. É difícil. Não conseguia mesmo dormir. Pensava como é que seria sair de um clube que me deu praticamente tudo. Ajudou-me a mim e à minha família. Vai ficar sempre na minha cabeça o que fizeram por mim. Não tenho como agradecer ao Sporting. Obrigado pela ajuda, pela forma como trataram bem os meus pais. Isso é muito importante. A minha família está bem e isso é a coisa mais importante. O Sporting teve sempre esse lado de ajudar os pais, familiares e isso é muito importante»

Relativamente à estreia pelos leões, sob o comando de Ruben Amorim, referiu:

«Tinha tido uma época nos sub-23 e equipa B e depois ia fazer a pré-época na equipa principal. Não tinha a certeza que iria ficar. Soube que ia ficar antes da Supertaça contra o FC Porto. Até disse ao meu pai, que ficou sem palavras. A minha mãe também ficou sem reação. Ficaram muito felizes. É um orgulho ter a minha família com um sorriso na cara. Quando soube que ia ficar na equipa principal, fiquei muito feliz. Trabalhamos muito na formação para ter o sonho de chegar à equipa principal. Quando soube que ia jogar com o FC Porto, não disse nada a ninguém. Só disse no dia. Foi tudo muito rápido desde os sub-23 até à equipa principal. Deram-me conselhos de que na equipa principal o difícil é manter. Ficaram colados a mim para fazer o que tinha feito. Tivemos uma reviravolta que ninguém esperava. Mas para mim foi o viver de um sonho. Sempre trabalhei para chegar à equipa principal e, se me dissessem que jogava o primeiro jogo contra o FC Porto e marcava golo, toda a gente assinava por baixo..».

Relembrou também a estreia em Alvalade e as celebrações do golo na Supertaça:

«Foi nos Cinco Violinos contra o Athletic Bilbao. Sempre trabalhei para isso: para jogar na equipa principal e no Estádio José Alvalade. Para mim, foi muito importante. Foi o realizar de um sonho com que sonhamos na Academia. Vai ficar sempre marcado (…) Supertaça? Não sabia o que fazer. Então fui ali para o banco ter com os meus colegas. Só arranquei. Sobre os meus colegas, o Esgaio estava sempre a ajudar-me. Dava-me muita fruta no treino e depois dizia que era para aprender e que não era fácil. Para mim, foi muito importante para amadurecer. Ele foi muito importante para mim. Os jogadores acolheram-me muito bem na equipa principal quando cheguei lá. Ajudou-me a estar mais tranquilo».

Questionado se ter outros jogadores da sua geração na equipa principal ajudou na sua adaptação, respondeu:

«Sim. Ver os meus colegas também a conseguirem chegar à equipa principal do Sporting também é uma felicidade para mim. Estávamos ali juntos desde os sub-12 e, como é óbvio, estar todos na equipa principal era algo sobre o qual sempre falámos. Estávamos sempre juntos a ver os jogos e fico contentes por eles, porque conseguiram realizar sonhos. Vou estar sempre a torcer por eles para chegarem ao mais alto nível do futebol. São os meus colegas, crescemos juntos e vou estar sempre a apoiar»

Geovany Quenda abordou também a ligação com Rui Borges, que deixou fortes elogios ao extremo:

«Ele fala sempre comigo. Mesmo não estando no meu melhor momento, ajuda-me sempre, dá-me minutos, mete-me sempre a jogar… Tenho de agradecer. É uma pessoa que me ajudou muito também desde a chegada dele. Só tenho de agradecer»

Relativamente ao palmarés com dois troféus da Primeira Liga e um da Taça de Portugal, referiu:

«Lembro-me de no campeonato, ainda antes do jogo com o Vitória, estar em chamada com os meus colegas e eles a dizer que não sabiam se iria ganhar o campeonato, por estar na luta com o Benfica. E eu disse para terem calma, porque íamos ganhar. Mandaram mensagem depois e são os meus colegas. Estão ali para me apoiar. O caminho para o Marquês de Pombal? Supreeendeu-me. Porque vi mesmo que tinha lá muita gente. Quem viveu, viveu. Para mim, foi incrível. Os adeptos do Sporting são incríveis. Estão sempre ali a apoiar, mesmo nos maus momentos. Isso é importante, ter essa ajuda».

Geovany Quenda abordou ainda o facto de já ter sido convocado para a Seleção Nacional, pela qual ainda não se estreou:

«Para chegar às seleções, tens de estar bem no clube. Isso é muito fruto do trabalho e também da ajuda dos colegas e equipas técnicas. Foi importante chegar à Seleção principal, mas não consegui fazer a minha estreia. Espero conseguir. Sem os meus colegas, não seria possível».

Questionado sobre a sua evolução como jogador, respondeu:

«Defendo mais, sou mais maduro, com um bocadinho de experiência, um pouco mais batido no futebol. O Sporting ajudou-me muito e vou levar sempre o Sporting no coração. Só tenho de agradecer muito».

Descreveu também o significado do clube e do facto de ser um exemplo da formação do Sporting:

«Significa tudo. Significa união, paixão e, como já disse, ajudou-me muito e nunca vou esquecer o Sporting. Não é um adeus, é um até já. Espero um dia voltar a vestir a camisola do Sporting. Tive de aprender a ser um leão. Cheguei a uma equipa campeã e para entrar numa equipa campeã não é fácil. Trabalhei muito e tinha de dar o máximo para conseguir jogar. Tive de fazer um esforço grande. O que tenho para dizer é que os miúdos que continuem a trabalhar, que tudo é possível. Um dia podem ser eles a estrear-se na equipa principal do Sporting. Vou estar sempre a torcer por eles para realizarem os sonhos. Não é fácil estar ali na Academia, longe das famílias, e por isso devem fazer valer a pena todo o esforço e chegar à equipa principal do Sporting. Tenho de agradecer a toda a gente que me ajudou na Academia e na equipa principal».

Por fim, deixou uma mensagem para o Geovany Quenda que entrou pela primeira vez na Academia:

«Diria que valeu a pena todos os sacrifícios para tentar ajudar a minha família. Hoje em dia, digo que valeu a pena. Só tenho a dizer obrigado a toda a gente que me apoiou desde o primeiro momento. Vou levar sempre os adeptos do Sporting no coração e só tenho de agradecer por tudo o que fizeram por mim».

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