João Aroso e a passagem pelo Sporting com muitos jovens lançados: «O Paulo Bento tinha essa coragem e os jogadores também mostraram rendimento»

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João Aroso foi o mais recente entrevistado pelo Bola na Rede. O técnico recordou a passagem pelo Sporting e os jovens treinados.

João Aroso, treinador adjunto da Coreia do Sul, foi o mais recente entrevistado pelo Bola na Rede. O técnico recordou a passagem pelo Sporting no início do século e destacou vários jogadores que orientou nos leões.

«Eu lembro-me do Liedson. No início não se imaginava o que poderia vir a ser, nos primeiros treinos. Tinha aquela figura, não é? Muito franzino e levezinho. Inimaginável a história que ele veio a ter, tendo em conta aqueles primeiros tempos. Mas a primeira equipa que eu encontro no Sporting era muito madura, com muitos jogadores mais velhos que eu, outros de idade semelhante. Pedro Barbosa ou Paulo Bento, com quem tive outro enquadramento. Havia o Rui Jorge, o Rui Bento, o Sá Pinto… jogadores com muitos anos de Sporting e que tinham à volta dos 30 anos ou mais. Era uma equipa muito experiente. Mais à frente trabalho com José Peseiro e Paulo Bento. Aí houve uma aposta maior, por necessidade, em jogadores jovens, vindos da Academia. Eu centrava nesses um grande crescimento. Ainda assim, no primeiro ano com o Fernando Santos, lançou-se o Custódio, o Miguel García e o Paíto, de uma forma menos regular, e pouco se fala disto. O Custódio acabou por vir a afirmar-se como um jogador importante no Sporting. Houve o Nani. Mas é importante dizer isto: eu falei de todos estes jogadores, mas é interessante que eu ainda trabalho com o Cristiano Ronaldo durante sensivelmente um mês, até ao jogo com o Manchester United. Ainda trabalho com o Cristiano no contexto Sporting. Dizia anteriormente que houve o Nani e outros jogadores que chegaram a um patamar importante no futebol português. Porém, eu tenho que salientar o João Moutinho. Foi um dos melhores jogadores com quem trabalhei em todos estes anos. Um dos melhores médios de sempre do futebol português. Foi alguém, que com 18 anos, começou a jogar na equipa principal e depois ano após ano, particularmente no período de Paulo Bento, foi talvez o jogador mais importante da equipa. Ele nunca se lesionava, felizmente. Era muito difícil de imaginar aquela equipa sem o João Moutinho. Se me pedes para destacar um em termos de crescimento e desenvolvimento, foi o João Moutinho», enalteceu João Aroso, que falou ainda na aposta na formação.

«Havia qualidade na Academia e havia necessidade. Eles jogavam porque eram melhores que as outras opções que era possível ao clube ir buscar. Quando assim é, e existe a coragem do treinador, neste caso o Paulo Bento, para fazer essas apostas… até poderia haver qualidade e necessidade, mas não haver a tal coragem de aposta em jogadores tão jovens. O Paulo Bento tinha essa coragem. Vinha de treinar os Sub-19, sabia da qualidade que existia e confiava nos jogadores. Proporcionou-se tudo e os jogadores também mostraram rendimento», destacou ainda João Aroso.

O treinador adjunto analisou ainda a passagem a nível de títulos e realçou as conquistas das Taças.

«Conquistámos duas Taças de Portugal e duas Supertaças. Estivemos mesmo muito perto de ser campeões. Até mesmo na primeira época. O FC Porto era treinado pelo Co Adriaanse. Perdemos em casa por 1-0, com um golo do Jorginho e isso matou a possibilidade de conseguirmos ser campeões. Também me lembro de uma outra época. Ao intervalo, o FC Porto que jogava com o Aves em casa, estava empatado. Nós ao intervalo éramos campeões porque era a última jornada. O FC Porto acabou por ganhar ao Aves. Foi uma outra época bastante boa da nossa parte. Mas sentimos que os meios eram desiguais, em termos de orçamentos. O FC Porto durante todos esses anos mostrou-se uma equipa competente. A primeira época com o Adriaanse e depois com o Jesualdo Ferreira. Eram estáveis, competentes. Ficámos sempre em segundo e ganhávamos algumas taças», considerou o técnico.

toda a entrevista de João Aroso.

Diogo Ribeiro
Diogo Ribeirohttp://www.bolanarede.pt
O Diogo tem formação em Ciências da Comunicação, Jornalismo e 4-4-2 losango. Acredita que nem tudo gira à volta do futebol, mas que o mundo fica muito mais bonito quando a bola começa a girar.

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