José Mourinho dá a primeira grande entrevista como treinador do Real Madrid: elogios para Vinícius e Mbappé e a explicação sobre o negócio “Rodri”

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José Mourinho realizou a sua primeira entrevista desde o seu regresso ao Real Madrid. A temporada dos merengues arranca neste sábado, frente ao Espanyol.

José Mourinho deu uma entrevista na reestreia do programa El Chiringuito de Jugones, guiada por Josep Pedrerol. O técnico, que regressou recentemente ao Real Madrid abordou vários temas e até começou por se dar a conhecer aos adeptos, nesta fase nova da carreira:

«Diria que tenho o mesmo ADN. Obviamente, não posso esconder nem tentar ser o que não sou. Tenho muito mais maturidade, sou menos emocional e mais controlado. Como sempre, a aprender com os erros. Mas sem me arrepender disto ou daquilo, porque acho que, na vida, arrepender-se de algo que já aconteceu não ajuda em nada. Aprender com as experiências, sim. Nesta função de treinador, acho que quanto mais experiência temos, quanto mais «déjà vu», mais qualidade se adquire», afirmou.

O técnico setubalense garantiu também que viu o balneário com vontade de conquistar títulos:

«Encontrei um balneário com muita vontade de vencer. Encontrei um balneário aberto ao bom senso, porque tudo o que lhes peço desde o primeiro dia é bom senso. Até agora, não tive nenhuma situação em que tivesse de ser o líder agressivo que posso ser. Eles protegeram-me dessa faceta que também faz parte de mim».

O técnico dos merengues deixou ainda rasgados elogios para Kylian Mbappé:

«O Mbappé é incrível. Às vezes, faz-me rir nos treinos. [Porquê?] Porque é demasiado bom. Está num nível estratosférico. Não me cabe a mim julgar ou analisar o que fez na época passada. Uma época estranha, uma época complicada para todos. No fim de contas, é sempre a mesma história. O Arbeloa e o Xabi pagaram as consequências. Digo sempre que ganhar ou perder depende de vários fatores. Disse-o no primeiro dia em Valdebebas a todos, não só aos jogadores: não aceito que a culpa ou os aplausos recaiam apenas sobre um. Não é o meu estilo. Muitas pessoas falharam no ano passado, não só treinadores ou jogadores. Quando me falas do Mbappé, prefiro pensar no que o Kylian pode vir a ser agora. Um rapaz que podia ter chegado a 14 de agosto e se apresentou já a 12 diz-me alguma coisa. A razão pela qual ele quer apresentar-se a 12 é porque quer jogar contra o Schalke em condições mínimas. Depois, treinar como todos, com o mesmo empenho, com a mesma vontade de melhorar e em treinos difíceis».

José Mourinho explicou também por que motivo Rodri Hernández não rumou ao Real Madrid e acabou por seguir caminho para o rival, Barcelona:

«Não, não sinto falta do Rodrigo. Temos soluções, temos qualidade, temos jogadores que talvez se olhem e se analisem pelo que fizeram, mas gosto de pensar que tenho a capacidade de melhorar os jogadores. Que um jogador que hoje é assim, amanhã possa ser um jogador diferente. [Falou com ele?] Sim, falei com ele umas duas vezes e o Real Madrid fez-lhe uma oferta muito boa. Acho que há uma relação muito boa com o City. Sem negociar com o City, o clube teve contactos com o Rodrigo e fez-lhe uma oferta importante. O Rodrigo teve dúvidas, hesitou… e as dúvidas do Rodrigo fizeram-me duvidar também. É um jogador extraordinário e foi muito correto connosco, não há nada de negativo a dizer. Mas o Real Madrid tem uma dimensão tal que não pode ter jogadores que pensem duas vezes. Entras em contacto e o jogador pergunta: «Quando é que tenho de ir?». É mais ou menos este o conceito. O Rodrigo foi muito correto connosco, desejo-lhe o melhor. Não demasiado bem, obviamente. Mas desejo-lhe o melhor».

José Mourinho falou também da relação com Vinícius Júnior e de como estaria tudo, após a acusação do avançado brasileiro contra Gianluca Prestianni, no Benfica x Real Madrid da temporada passada:

«É óbvio que falei com ele, mas o Vinicius apaixonou-se pelo Real Madrid. A única coisa que lhe disse foi: «Vini, para onde queres ir? Só estiveste no Brasil e só conheces o Real Madrid… Só vais conhecer o Real Madrid quando te fores embora. Quando te fores embora… vais saber o que é o Real Madrid. Não te vás embora. Não vale a pena». Acho que o que ele sentiu em relação ao crescimento do grupo, à forma como estávamos a trabalhar e a evoluir, lhe deu uma sensação muito importante. Este (Vinicius) é outro jogador que dá prazer ver a trabalhar. Temos muita qualidade. Exato, mas a resposta é muito simples: o Prestianni era o meu jogador, ponto final, não há discussão. Se o Prestianni é o meu jogador… podem vir 20 jogadores, que eu fico com o Prestianni, não há o que discutir. Acho que o Vini agora sabe disso, sabe de que lado estou e sabe que pode contar comigo para estar ao seu lado. No outro dia, quando não lhe marcaram um grande penálti no Bernabéu, eu já estava no meio-campo a lutar por ele; ele sabe que vou estar com ele».

O treinador português saiu depois em defesa de Vinícius Júnior:

«Acho que as pessoas têm de aprender a comportar-se com ele, e refiro-me também aos árbitros. O Vinicius é também um jogador como os outros; não se pode marcar um penálti só porque se trata do Pedrerol… e não marcar um penálti só porque é o Vinicius. Não se pode proteger o Mourinho e não proteger o Vinicius. As pessoas têm de olhar para ele para além do facto de ser muito simpático ou menos simpático. Têm de olhar para o Vinicius dentro do campo como mais um jogador. Ele é melhor do que os outros. Não, não… não o respeitam. No que diz respeito aos estádios… concordo contigo e também já abordei um pouco esse assunto. Uma coisa é comemorar um golo com os teus e outra coisa é comemorar diante da claque adversária. Podes encontrar um pouco de equilíbrio… Mas que sentido faz um estádio vaiar um dos melhores jogadores do mundo quando não se tem nada contra ele? Vais jogar um amistoso em A Coruña ou contra o Schalke, e não creio que o Vinicius tenha jogado contra o Schalke no passado ou contra o Depor. Por que razão o vaias na primeira vez que ele toca na bola? É preciso tentar encontrar um meio-termo, porque vê-lo jogar é um privilégio».

José Mourinho garantiu ainda que não faltam jogadores ao Real Madrid, mas não fechou a porta à chegada de mais reforços ao clube da La Liga.

Ricardo João Lopes
Ricardo João Lopeshttp://www.bolanarede.pt
O Ricardo João Lopes realizou a sua formação na área da História, mas é um apaixonado pelo desporto (especialmente pelo futebol) desde criança, procurando estar sempre a par da atualidade.

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