Em conferência de imprensa, José Mourinho saiu em defesa de Vinícius Júnior após o triunfo do Real Madrid frente ao Espanyol.
José Mourinho fez a análise ao triunfo do Real Madrid no terreno do Espanyol, por 2-1. No regresso aos jogos oficiais pelos merengues, o técnico destacou a exibição dos seus jogadores e considerou que a equipa justificou os três pontos:
«Penso que merecíamos ganhar, mas o Espanyol não merecia perder. Fizemos um grande controlo, pressionámos, arriscámos muito e penso que merecíamos ganhar, mas uma equipa que joga como o Espanyol, defendendo como defendeu e saindo para o contra-ataque com perigo, muito bem organizada, penso que para eles é duro ir para casa sem nada. Mas repito, nós merecemos».
O treinador português explicou ainda a importância da condição física na capacidade de pressão da equipa:
«Intensidade defensiva? Quando se fala de sistemas defensivos, há uma coisa que não posso nunca deixar de ter em conta: a condição física. Penso que eles não tiveram nenhum jogador no Mundial e estão a trabalhar juntos há muito tempo, e isso nota-se. Nem esperava que o Jude pudesse jogar tanto tempo. Há jogadores por baixo e, quando se trata de pressionar como eu gosto de pressionar, faltam-nos minutos e quilómetros de trabalho e de jogo. Por isso, esta vitória vai dar-nos muito, é uma vitória do banco. Um banco frustrado não ajuda em nada e um banco com espírito de equipa pode ajudar-te a ganhar».
José Mourinho abordou também a situação de Vinícius Júnior, deixando críticas à forma como o avançado brasileiro é constantemente visado pelos adversários e pelos adeptos:
«Vinícius Júnior? Corro o risco de vocês recuarem alguns meses e recuperarem as minhas palavras quando eu era adversário do Vini. Agora, o Vini é meu. Não é um santo, mas o que lhe fazem é demasiado. Logo no primeiro minuto. É algo que tem um padrão, uma coisa que se repete de adversário para adversário. Eu dou-lhe, agora dás tu. Se me mostram amarelo, dás tu. Se me substituem, entra outro sem amarelo e dás tu. Tem de ter muito controlo emocional. Disse-lhe que, se marcar um golo, tem de estar atento à forma como o vai festejar. Estamos numa era social de combate ao bullying e, com o Vini, continuamos no bullying, por parte dos adversários e do público. Temos de o educar e prepará-lo ao máximo e pronto».
Sobre Jude Bellingham, o técnico português não escondeu a preferência pela posição em que o médio inglês pode estar mais próximo da baliza adversária:
«Bellingham? Fisicamente e mentalmente é muito forte. Para mim, essa é a posição dele, é um jogador que tem golo. Se jogar como 6 ou como 8, estamos a perder a sua proximidade com o golo e gosto deste Jude. Em condição física de topo, faz 90 minutos de trabalho e de qualidade. Hoje começámos com Bernardo e Fede atrás, perdemos um pouco do Fede no ataque, aquele remate dele ao poste… Se jogar com Tchouaméni ou Camavinga, pode chegar mais vezes a essa posição; com Bernardo, temos na organização e perdemos um pouco do Fede. Estamos a conhecer-nos e é melhor que nos conheçamos sem perder pontos».
José Mourinho falou ainda sobre Carlos Espí, avançado que acabou por ser decisivo no triunfo:
«Carlos Espí? É um rapaz muito divertido. Vivemos juntos em Valdebebas. Tomamos o pequeno-almoço juntos, almoçamos juntos, jantamos juntos. A minha equipa técnica, ele e o Cucu. É um rapaz muito divertido. Imaginem: amanhã é a apresentação dele, que maneira de ser apresentado com o presidente e a família. Vive um sonho, mas não trabalha como alguém que está na Lua. Trabalha imenso. Tem um lance de costas para a baliza em que deixa o Kylian de frente para a baliza, é um ótimo jogador. Quando soubemos que o Gonzalo podia ir para o Fulham, o Juni colocou alguns nomes em cima da mesa, falámos de perfis e, quando analisámos bem, ficámos muito satisfeitos com ele. Precisamos dele neste tipo de jogos».
Questionado sobre a arbitragem, o treinador português deixou elogios ao trabalho do árbitro:
«Árbitro? Não o digo porque tenhamos ganho, mas penso que o árbitro fez um grande jogo. Digo-o a partir do banco; talvez amanhã o veja do gabinete e mude de opinião, mas penso que fez um trabalho extraordinário sem VAR. Nada na área, nada que pudesse decidir um jogo ou uma vitória. Respeito a opinião do Manolo».
José Mourinho explicou as dificuldades na gestão de um plantel com muitos jogadores disponíveis:
«O difícil é começar o jogo com onze jogadores e ter 12 no banco. E temos lesionados… Se não tivermos, teremos de deixar algum em casa. Disse aos jogadores que não posso resolver isto, que não posso começar um jogo com 14 ou 15. São eles que têm de lutar contra a frustração. Se não trabalharem, se perderem a motivação… Não digo que tenhamos ganho por causa dos cinco que entraram hoje, mas os cinco entraram para ajudar, com bom espírito. Disse-lhes desde o primeiro dia que nem nos jogos amigáveis o Madrid pode dar-se ao luxo de não lutar para ganhar».

