Marcelo Bielsa deixou o comando técnico da seleção do Uruguai após a eliminação na fase de grupos do Mundial 2026 e fez o balanço do seu trabalho.
Marcelo Bielsa anunciou a saída do comando técnico da seleção do Uruguai, na sequência da eliminação precoce no Mundial 2026, onde a equipa não conseguiu ultrapassar a fase de grupos. Em conferência de imprensa de balanço, o treinador argentino assumiu a responsabilidade pelo desfecho e deixou a sua análise:
«Eu vim aqui e falo, respondo, sabendo que, quanto mais disser, pior é. Eu tenho a obrigação de clarificar a atuação da equipa dirigida por mim. Sinto que dececionámos os adeptos, é uma frustração muito grande. Era totalmente imprevisto que a nossa classificação final fosse a que foi», começou por referir.
Marcelo Bielsa foi ainda mais direto ao falar do seu papel no insucesso uruguaio, reconhecendo limitações na gestão do grupo:
«Relativamente à minha responsabilidade no que aconteceu, creio que é muito clara: não posso justificar a posição que alcançámos. A gestão que fiz com os recursos que contava não foi suficiente. Claro que demos o nosso máximo, tanto eu como os meus colegas de trabalho e os jogadores, mas claramente não chegou», admitiu.
O técnico abordou também a relação com o plantel, reconhecendo que não conseguiu criar uma ligação próxima com todos os jogadores:
«Eu cativei os jogadores? Não. Os jogadores sentiam-se à vontade comigo? Não. Tenho uma relação amigável com dois terços dos jogadores. A relação que eu tinha com os jogadores não foi um obstáculo para a equipa alcançar o que merecia».
Ainda assim, o técnico argentino explicou que houve ajustes internos durante a competição, na tentativa de melhorar o ambiente e o trabalho diário da seleção:
«Após a partida contra os Estados Unidos, depois da qual conversei com vários grupos de jogadores, incluindo Matías Pérez, discutimos essas duas coisas: reduzir o número de palestras e treinar todos juntos».
O selecionador uruguaio fez também questão de afastar qualquer conflito com o capitão Federico Valverde:
«Se existe algum conflito, ignoro a origem, porque eu nunca tive qualquer problema com o Valverde e ele sempre soube o respeito que tenho por ele».
No momento da despedida, Bielsa deixou ainda uma nota de desilusão pelo desfecho no Mundial:
«Não saio satisfeito. Fizemos o impossível, acompanhei os jogadores na procura dos objetivos e aconteceu o que aconteceu», concluiu.

