Marie-Louise Eta assumiu a liderança técnica do Union Berlin e tornou-se na primeira mulher a treinar um clube da Bundesliga.
Marie-Louise Eta, treinadora de 34 anos, foi nomeada após a saída de Steffen Baumgart, e tornou-se na primeira mulher a treinar uma equipa masculina nas cinco principais ligas europeias. A chegada da alemã gerou bastante expetativa que surge num contexto em que o Union Berlin ainda não assegurou a manutenção a cinco jornadas do fim.
«Não sou a primeira mulher no futebol. Houve treinadoras antes de mim, até na segunda divisão francesa. Entendo o interesse que desperta, mas seria ótimo que estas questões desaparecessem um dia. Todos queremos obter o melhor resultado possível, independentemente do género», referiu a técnica perante uma sala de imprensa lotada, em Berlim.
«Para mim, sempre se tratou de futebol, de trabalhar com pessoas, que é o que mais gosto. Estou contente com a confiança e com o jogo deste fim de semana. Sei que isto tem um impacto social significativo, mas agora só penso no adversário», afirmou.
Maria-Louise Eta, que já se encontrava na estrutura técnica e orientava a equipa sub-19, confessou que o convite para assumir a equipa principal a apanhou de surpresa:
«Não houve nada a pensar quando me ligaram. Estava em casa a preparar o jogo dos sub-19. No início, fiquei surpreendida, mas claro que fiquei feliz com a confiança depositada em mim e comecei imediatamente a trabalhar para perceber como nos poderíamos preparar melhor para o jogo contra o Wolfsburgo».
A treinadora abordou o tema das redes sociais, onde tem recebido tantas mensagens de apoio como de ódio, e acredita que o fenómeno é transversal:
«Sei que houve comentários de ódio, mas também muitos comentários positivos. É um problema comum nas redes sociais, onde as pessoas se expressam de forma anónima. Não se trata de mim, mas da situação em geral, e isso levanta-me muitas dúvidas. Diz muito mais sobre quem publica esses comentários do que sobre as pessoas afetadas», explicou.
A fechar a sua intervenção, Marie-Louise Eta espera que a sua experiência abra portas às mulheres e possa ter um efeito mais amplo, servindo de «inspiração para as mais jovens».

