O Sporting deslocou-se a Vila do Conde e goleou o Rio Ave por 4-0, naquela que foi, até ao momento, a melhor exibição da equipa leonina na temporada oficial. No encontro referente à 4.ª jornada da Primeira Liga, Rui Borges voltou a colocar Gonçalo Inácio no onze inicial, em detrimento de Ibrahima Ba no lado esquerdo do eixo defensivo. A escolha acabaria por ter influência direta na forma como o Sporting construiu o seu jogo.
Do lado do Rio Ave, Sotiris Silaidopoulos também promoveu várias alterações relativamente ao triunfo diante do Estoril Praia. Vrousai entrou para o lado esquerdo da defesa, substituindo Abbey, Andreas Ntoi ocupou o lugar de Diogo Nascimento, Spikic foi titular em vez de Galcik e Gustavo Mancha substituiu Brabec.
O Sporting não poderia ter entrado melhor no encontro. Logo nos primeiros minutos, Issa Doumbia encontrou Flávio Gonçalves com um passe milimétrico a rasgar a defesa do Rio Ave, deixando o extremo leonino isolado perante Ennio van der Gouw. O extremo de 19 anos não desperdiçou e colocou os leões em vantagem no marcador ao minuto 5′.
O golo não alterou, contudo, a ideia inicial do Rio Ave. Perante as características dos seus jogadores mais adiantados (a fisicalidade de Tamble Monteiro, a velocidade de Jalen Blesa, a irreverência de Diogo Bezerra e a capacidade para disputar duelos e segundas bolas), a equipa de Sotiris Silaidopoulos procurava explorar o jogo direto e criar situações de 4×4 perante a última linha leonina.
Nesse sentido, e para evitar os problemas que existiram nos primeiros 30 minutos do jogo da temporada passada em Vila do Conde, Rui Borges pediu que Sergi Altimira e Issa Doumbia tivessem um papel fundamental no que toca às coberturas defensivas e ao ganho das segundas bolas quando existissem esses duelos e esses passes diretos para a última linha. O objetivo passava por não permitir que uma situação de 4×4 na frente se transformasse numa vantagem para o Rio Ave na disputa da segunda bola. Com a descida dos dois médios, o Sporting conseguia criar superioridade numérica nessa zona e dificultava a capacidade dos avançados vila-condenses para prolongarem ou recuperarem as bolas disputadas.


Em organização ofensiva, e tendo em conta que o Rio Ave pressionava apenas com Tamble Monteiro na frente de ataque, Rui Borges chamou novamente Gonçalo Inácio à titularidade para ter uma saída limpa desde trás e maior qualidade com o pé esquerdo. Ibrahima Ba, destro a jogar do lado esquerdo, não teria naturalmente a mesma capacidade para dar essa saída pelo corredor esquerdo.
Com Issa Doumbia a lateralizar várias vezes na construção, seja para a esquerda ou para a direita, ou Sergi Altimira a cair para o meio dos centrais, o Sporting conseguia construir a três numa primeira fase e libertar Gonçalo Inácio ou Zeno Debast para possíveis conduções ou passes verticais, exponenciando assim a qualidade dos dois centrais, visto que tinham espaço para progredir face à falta de pressão nessa primeira fase por parte do Rio Ave.
Nesse sentido, o Sporting tinha sempre superioridade na primeira fase de construção, seja em 3×1 ou 3×2, mediante a aproximação de Blesa à primeira linha de pressão. Com a qualidade com bola dos centrais do Sporting, era importante que os extremos do Rio Ave, Diogo Bezerra e Spikic, fechassem mais por dentro e na linha de Ntoi e Nikitscher, de forma a manter o bloco compacto e impedir que a bola entrasse entre linhas.


A partir daí, o Sporting foi conseguindo encontrar linhas de passe, muito devido às debilidades do sistema de 4-2-4 utilizado por Sotiris Silaidopoulos no Rio Ave. Perante a subida de posição dos extremos, permitia ao Sporting explorar os halfspaces e o espaço entre lateral e extremo, zonas onde os leões conseguiram ferir o adversário, seja em transições rápidas, seja em ataque continuado. Para confundir as referências e sobrecarregar os dois médios do Rio Ave, Andreas Ntoi e Nikitscher, o Sporting, à imagem da época passada, colocou vários jogadores por dentro e foi criando, ao longo da primeira parte, inúmeras superioridades em corredor central. Tornou-se muito difícil para os dois médios do Rio Ave controlar todas as referências e responder à desvantagem numérica por dentro.
Nesse sentido, e para além de Flávio Gonçalves, com um perfil mais próximo de Trincão e Pedro Gonçalves da época passada, Rodrigo Zalazar e até mesmo Luis Suárez, muitas vezes a funcionar como um 10, foram extremamente importantes para receber a bola entre linhas. A qualidade dos passes de Zeno Debast e Gonçalo Inácio, beneficiando da liberdade que tinham na primeira fase de construção, também foi fundamental para encontrar esses jogadores.


Ao procurar criar situações de 4×4 na última linha, seria fundamental para a equipa de Sotiris Silaidopoulos conseguir ganhar os duelos e as segundas bolas, aproveitando a fisicalidade de jogadores como Tamble e a velocidade e capacidade de exploração do espaço de Diogo Bezerra e Jalen Blesa. O facto de o Rio Ave raramente conseguir ganhar esses duelos fez com que a equipa ficasse exposta após a perda da bola, muitas vezes com apenas seis jogadores preparados para controlar a transição defensiva (dois médios interiores e a linha defensiva).
Ainda assim, importa destacar a decisão de Rui Borges em voltar a apostar em Gonçalo Inácio para o lugar de Ibrahima Ba. Tendo em conta o perfil mais físico de Ba, seria expectável que a sua presença pudesse oferecer maior capacidade para disputar os duelos e contrariar a presença de Tamble Monteiro. Rui Borges optou, no entanto, por privilegiar a qualidade de Gonçalo Inácio com bola, sobretudo na primeira fase de construção, onde a capacidade do central português para sair pelo lado esquerdo e encontrar soluções verticais acabou por ser determinante para o Sporting.
Os leões dilataram a vantagem através de Geny Catamo, aos 19 minutos, e de Luis Suárez, que bisou com golos aos 26 e 37 minutos, fixando o resultado em 4-0 ainda antes do intervalo, através de jogadas coletivas, boas combinações por dentro e transições rápidas.
Na segunda parte, e já com o resultado praticamente decidido, o Rio Ave conseguiu baixar mais as linhas e tornar o bloco mais compacto entre os três setores, algo que não tinha conseguido fazer durante a primeira parte. Apesar da maior organização e segurança defensiva após o intervalo, a desvantagem de quatro golos tornava praticamente impossível qualquer reação da equipa de Sotiris Silaidopoulos. Do lado do Sporting, foi sobretudo gerir o jogo de forma confortável e garantir os três pontos, numa segunda parte em que a equipa de Rui Borges não precisou de assumir os mesmos riscos nem de manter a intensidade apresentada nos primeiros 45 minutos.
Com este triunfo, a equipa de Rui Borges chega aos dez pontos e assume, à condição, a liderança da Primeira Liga, uma vez que o FC Porto ainda não entrou em campo nesta jornada. Já o conjunto de Vila do Conde, depois da vitória diante do Estoril Praia, volta a sofrer um desaire e é agora o 10.º classificado, com três pontos conquistados em quatro jornadas.
Rodrigo Lima
Relatório Tático – Rio Ave x Sporting
1. SPORTING
Organização defensiva
- Estrutura: alternância entre 4-2-3-1 e 4-4-2, dependendo sobretudo do posicionamento de Rodrigo Zalazar.
- Adaptação defensiva: Geny Catamo com capacidade para baixar e integrar a linha defensiva, formando uma linha de cinco em determinados momentos, sobretudo perante a projeção de Vrousai no corredor esquerdo do Rio Ave.
- Referências individuais: procura de referências HxH para controlar a estrutura ofensiva do Rio Ave e, sobretudo, impedir que a equipa explorasse as situações de 4×4 pretendidas na frente.
- Controlo da última linha: atenção às movimentações dos jogadores ofensivos do Rio Ave, com referências individuais a acompanharem as descidas e ruturas dos adversários (contra-movimentos do Rio Ave, com Tamble Monteiro ou Spikic a baixar e Jalen Blesa ou Diogo Bezerra a procurar o espaço, por exemplo).
- Ivan Fresneda sobre Spikic: acompanhamento HxH das descidas de Spikic, procurando impedir que o extremo pudesse baixar, receber e ligar o jogo.
- Compactação: preocupação em não permitir ao Rio Ave ganhar espaço entre linhas ou explorar as segundas bolas depois do jogo direto.
- Recuperação dos médios: Inicialmente com referência aos dois interiores do Rio Ave (Ntoi e Nikitscher), mas já sabiam que o Rio Ave iniciava curto para depois procurar jogar direto. Nesse sentido, Sergi Altimira e Issa Doumbia procuravam baixar rapidamente para apoiar a linha defensiva, sobretudo quando o Rio Ave procurava o 4×4 na última linha através do jogo direto.
- Controlo das segundas bolas: a descida dos dois médios permitia transformar situações potencialmente equilibradas numéricas em superioridade defensiva, ajudando o Sporting a controlar as segundas bolas. (tentativa de criar um 6×4 naquela zona).
Pressão
- Orientação da pressão: o Sporting procurou orientar a construção do Rio Ave da esquerda para a direita.
- Rodrigo Zalazar: iniciava a pressão sobre Gustavo Mancha de dentro para fora, encaminhando a circulação para o corredor.
- Objetivo: levar a bola para o lado de Vrousai e condicionar a progressão do Rio Ave nesse setor.
- Marios Vrousai: o facto de atuar como lateral esquerdo, apesar de ser destro, podia condicionar algumas soluções de saída e favorecer a orientação da pressão do Sporting.
- Flávio Gonçalves e Geny Catamo: importância dos jogadores exteriores em fechar por dentro numa primeira fase e reagir rapidamente às variações de flanco do Rio Ave para tentar procurar as projeções dos laterais (sobretudo Flávio Gonçalves ou Rodrigo Zalazar quando trocava posição e permanecia a extremo esquerdo)
- Pressão sobre o lateral: após uma mudança de corredor, o extremo do lado da bola procurava rapidamente saltar sobre o lateral para impedir a progressão.
Organização ofensiva
- Primeira fase: construção frequente a três, com diferentes soluções.
- Alternância dos médios: Issa Doumbia podia lateralizar para a esquerda ou para a direita, enquanto Sergi Altimira podia baixar entre os centrais, ou até o próprio Iván Fresneda mais baixo.
- Linha de três: estas movimentações permitiam ao Sporting construir com três jogadores atrás, juntamente com Zeno Debast e Gonçalo Inácio.
- Superioridade na primeira fase: perante apenas Tamble Monteiro na primeira linha de pressão do Rio Ave ou, por vezes com Jalen Blesa a juntar-se à primeira linha de pressão, o Sporting conseguia frequentemente criar situações de 3×1 ou 3×2 na 1.ª fase.
- Conduções dos centrais: a inferioridade numérica do Rio Ave permitia a Debast e Gonçalo Inácio conduzir com liberdade e transportar a bola para zonas mais adiantadas, tendo em conta a qualidade das suas tomadas de decisão.
- Qualidade na construção: utilização de Zeno Debast e Sergi Altimira para alternar entre conduções, passes verticais para jogadores entre linhas e ligações pelos corredores laterais.
- Escolha de Gonçalo Inácio em detrimento de Ibrahima Ba: a presença do central português permitia uma saída mais natural pelo lado esquerdo devido à sua utilização do pé esquerdo e à qualidade na construção.
- Coragem na escolha defensiva por parte de Rui Borges: a opção por Gonçalo Inácio e Debast privilegiou claramente a qualidade com bola, apesar da presença física de Tamble Monteiro e Jalen Blesa na frente do Rio Ave. Inicialmente, e tendo em conta o perfil mais físico de Ibrahima Ba, podia pensar-se que a escolha recairia sobre o central costa-marfinense, mas Rui Borges preferiu privilegiar o jogo com bola do Sporting.
- Exploração do espaço lateral do 4-2-4: o Sporting conseguiu explorar o espaço estruturalmente disponível entre o extremo e o lateral do Rio Ave. Com Diogo Bezerra e Spikic frequentemente projetados ou com dificuldades em recuperar posição após perda, surgiam espaços laterais que o Sporting procurava atacar através da mobilidade dos jogadores entre linhas e das aproximações pelos corredores.
- Sobrecarga sobre o duplo pivô do Rio Ave: o posicionamento de vários jogadores entre linhas, Rodrigo Zalazar, Flávio Gonçalves, Luis Suárez, Geny Catamo, criou dificuldades acrescidas a Ntoi e Tamás Nikitscher. O Sporting conseguiu gerar, em vários momentos, situações de superioridade numérica de 4×2 ou 5×2 sobre os dois médios do Rio Ave.
- Manipulação das referências: perante tantos jogadores a ocupar zonas interiores e entre linhas, os dois médios do Rio Ave foram obrigados a percorrer maiores distâncias e tiveram maior dificuldade em identificar e controlar as suas referências. A mobilidade dos jogadores do Sporting permitiu criar dúvidas constantes sobre quem devia acompanhar, quem devia saltar à pressão e quem devia proteger o espaço.
- Espaço entre extremo e lateral: quando os extremos do Rio Ave demoravam a recompor, o Sporting encontrava condições para receber no espaço lateral do 4-2-4. A partir daí, conseguia ligar por dentro, atrair os médios e criar superioridades numéricas em zonas mais centrais.
- O principal objetivo defensivo do Sporting perante o jogo direto do Rio Ave foi evitar que a igualdade numérica na última linha se prolongasse para a zona da segunda bola.
Ocupação entre linhas
- Sobrecarga dos médios do Rio Ave: o Sporting colocou vários jogadores entre linhas, procurando sobrecarregar Ntoi e Nikitscher (conseguiu expor as debilidades do espaço no 424)
- Jogadores entre linhas: Rodrigo Zalazar, Flávio Gonçalves, Luis Suárez, Geny Catamo e, em determinados momentos, Issa Doumbia e Sergi Altimira.
- Superioridades numéricas: depois de ultrapassar a primeira linha, o Sporting conseguia criar situações de 4×2 ou 5×2 perante os dois médios do Rio Ave.
- Luis Suárez: descidas entre linhas para receber entre o meio-campo e a linha defensiva adversária.
- Rodrigo Zalazar e Flávio Gonçalves: procura constante do espaço interior e capacidade para atacar zonas libertadas.
- Movimentos complementares: quando Suárez baixava, Zalazar ou Flávio Gonçalves podiam atacar a profundidade.
- Maxi Araújo: várias ruturas interiores para aumentar a presença ofensiva e atacar os espaços criados.
A comparação com o jogo da época passada (Rio Ave 1-4 Sporting – 11/05/2026)
- Ajuste de Rui Borges relativamente ao jogo da época anterior: no encontro da temporada passada, o Rio Ave conseguiu inicialmente criar dificuldades ao Sporting através do jogo direto e da capacidade para ganhar duelos na primeira linha. Perante esse cenário, Rui Borges recorreu à diagonal atrasada de Morita sobre Bragança para reforçar a zona da segunda bola e equilibrar a equipa.
- Resposta nesta época: perante um Rio Ave novamente orientado para explorar o jogo direto e as situações de 4×4 na frente, Rui Borges procurou antecipar esse problema. Issa Doumbia e Sergi Altimira, apesar de inicialmente poderem ter referências individuais sobre os médios do Rio Ave, baixavam rapidamente para apoiar a linha defensiva e reforçar a zona dos duelos e das segundas bolas.
- Superioridade na zona da segunda bola: este comportamento permitia ao Sporting transformar rapidamente uma situação de 4×4 numa superioridade de 6×4, reduzindo a probabilidade de Tamble Monteiro ou Jalen Blesa ganharem o primeiro duelo e permitindo ao Sporting ter mais jogadores preparados para recuperar a segunda bola.
Impacto competitivo
- Superioridade na construção: a construção a três permitiu ao Sporting ultrapassar com frequência a primeira linha de pressão do Rio Ave.
- Liberdade dos centrais: Debast e Gonçalo Inácio beneficiaram da falta de pressão direta para conduzir e encontrar jogadores entre linhas.
- Controlo das segundas bolas: o reposicionamento de Altimira e Doumbia reduziu a capacidade do Rio Ave para explorar o jogo direto e o 4×4.
- Sobrecarga interior do Sporting: a capacidade para colocar vários jogadores entre linhas e explorar o espaço entre extremo e lateral do 4-2-4 do Rio Ave foi determinante para desorganizar o duplo pivô adversário. Ntoi e Nikitscher foram frequentemente colocados perante situações de inferioridade numérica e obrigados a percorrer grandes distâncias para controlar diferentes referências.
- Antecipação ao jogo direto: Rui Borges procurou corrigir desde o início um dos problemas que o Sporting tinha enfrentado na época anterior. Com Issa Doumbia e Sergi Altimira a baixarem rapidamente para apoiar a zona defensiva, o Sporting conseguiu reforçar os duelos e a disputa das segundas bolas, transformando muitas situações de 4×4 em cenários de superioridade numérica.
- Exploração das fragilidades do 4-2-4: a dificuldade dos extremos do Rio Ave em recuperar posição e controlar simultaneamente o lateral e os movimentos interiores permitiu ao Sporting encontrar espaço entre o extremo e o lateral e, a partir daí, criar condições para progredir por dentro.
- Mobilidade ofensiva: as trocas posicionais e movimentos complementares dificultaram a manutenção das referências individuais do Rio Ave.
2. RIO AVE
Organização defensiva
- Estrutura em bloco médio: 4-2-3-1, com momentos em 4-4-2, sobretudo na segunda parte.
- Primeira linha: inicialmente, pressão reativa na construção do Sporting, sem conseguir criar superioridade numérica perante a saída a três dos leões.
- Segunda parte: maior utilização de Jalen Blesa e Tamble Monteiro na primeira linha de pressão.
- Problema na primeira fase: mesmo com dois jogadores na frente, o Sporting mantinha superioridade através da construção a três.
- Inferioridade numérica: o Rio Ave encontrava-se frequentemente em 3×1 ou 3×2 perante Debast, Gonçalo Inácio e o médio que baixava.
- Consequência: liberdade para os centrais do Sporting conduzirem e progredirem e exponenciar as suas qualidades na tomada de decisão.
- Segunda fase: depois de ultrapassada a primeira linha, Ntoi e Nikitscher ficavam frequentemente em inferioridade perante os vários jogadores que o Sporting colocava entre linhas.
Organização ofensiva
- Estrutura ofensiva: procura de criar uma linha de quatro jogadores mais adiantados com Jalen Blesa, Tamble Monteiro, Diogo Bezerra e Spikic mais adiantados.
- Jogo direto: intenção de procurar os jogadores da frente e criar situações de 4×4 contra a linha defensiva do Sporting.
- Movimentos complementares: alternância entre jogadores a baixar para receber e outros a atacar a profundidade na linha ofensiva do Rio Ave (ex: Tamble ou Spikic a baixar no terreno e Diogo Bezerra ou Blesa a procurarem atacar o espaço).
- Objetivo: balançar a linha defensiva do Sporting, criar espaço e dificultar a manutenção das referências individuais.
- Vrousai e Liavas: lateral esquerdo com maior projeção ofensiva e Liavas numa linha mais baixa.
- Vrousai: Na saída de bola do Rio Ave, o lateral procurou movimentos de fora para dentro para abrir linhas de passe direta de Gustavo Mancha para Spikic.
- Ataque à profundidade: em determinados momentos, Vrousai procurava atacar a última linha através de movimentos verticais.
- Geny Catamo: atento à referência individual e ao controlo dessas projeções, muitas vezes a cair para a linha de 5 defensiva do Sporting.
- Trocas posicionais: Bezerra e Blesa procuravam trocar de posição para criar dúvidas nas referências defensivas de Maxi Araújo e Sergi Altimira.
- Médios como referências: Na saída de bola, Ntoi e Nikitscher procuravam fixar Altimira e Doumbia, criando espaço entre linhas e procurando favorecer a exploração do 4×4.
- Troca de extremos: alteração entre Diogo Bezerra e Spikic ainda na primeira parte, uma dinâmica já utilizada pelo Rio Ave noutros jogos.
Comportamentos-chave
- 4×4 ofensivo: tentativa de criar igualdade numérica perante a linha defensiva do Sporting.
- Contra-movimentos: jogadores da frente a alternarem entre apoios e ruturas para movimentar a linha defensiva adversária.
- Jogo direto: utilização dos centrais Gustavo Mancha e Petrasso para procurar rapidamente os quatro jogadores mais adiantados.
- Vrousai: maior liberdade ofensiva no corredor esquerdo, com Liavas mais contido.
- Movimentos interiores: Vrousai a procurar receber ou movimentar-se de fora para dentro.
- Bezerra e Blesa: trocas posicionais para criar dúvidas nas referências individuais.
- Extremos: troca de corredores entre Bezerra e Spikic como forma de alterar os duelos individuais.
Limitações
- Pressão sobre a construção: incapacidade para criar igualdade ou superioridade numérica perante a construção a três do Sporting. Com o Rio Ave a pressionar inicialmente com apenas um ou dois jogadores na primeira linha, o Sporting conseguiu frequentemente gerar situações de 3×1 ou 3×2, obrigando o bloco do Rio Ave a realizar ajustes constantes.
- Conduções dos centrais adversários: a ausência de uma pressão suficientemente eficaz sobre a primeira fase de construção concedeu demasiada liberdade a Zeno Debast e Gonçalo Inácio. Com espaço para conduzir, ambos conseguiram atrair adversários e alterar as referências defensivas do Rio Ave antes de encontrar jogadores entre linhas ou nos corredores laterais.
- Exposição do duplo pivô: depois de ultrapassada a primeira linha de pressão, Ntoi e Tamás Nikitscher ficavam frequentemente expostos perante a quantidade e mobilidade dos jogadores do Sporting entre linhas. Rodrigo Zalazar, Flávio Gonçalves e Luis Suárez, entre outros, apareciam em diferentes zonas interiores, obrigando os dois médios a percorrer grandes distâncias e dificultando a identificação das referências individuais.
- Espaço entre extremo e lateral: a estrutura ofensiva do Rio Ave e o comportamento dos extremos deixavam, em determinados momentos, espaço entre o extremo e o lateral. O Sporting procurou explorar essa fragilidade através da mobilidade dos seus jogadores e das aproximações aos corredores, criando dificuldades adicionais aos médios interiores e à linha defensiva.
- Reposicionamento dos extremos: Diogo Bezerra e Spikic tiveram dificuldades em recuperar rapidamente a posição após perdas de bola ou momentos de transição. Essa demora na recomposição aumentava a distância entre os extremos e os médios interiores, deixando Ntoi e Nikitscher mais expostos e facilitando a exploração dos espaços interiores pelo Sporting.
- Transições defensivas: quando o Rio Ave não conseguia ganhar o duelo inicial ou conquistar a segunda bola, ficava exposto às transições rápidas do Sporting. A projeção dos jogadores da frente e a dificuldade de recuperação dos extremos permitiam ao adversário encontrar espaços antes de o bloco conseguir reorganizar-se.
- Largura pelo lado esquerdo: Vrousai, por ser um jogador destro utilizado como lateral esquerdo, apresentava tendência para movimentos interiores. Embora esses movimentos permitissem criar algumas ligações por fora na ligação entre Gustavo Mancha e Spikic, limitaram em determinados momentos a largura natural da equipa no corredor esquerdo e reduziram as opções para construir e progredir por esse lado.
- Dificuldade em contrariar a sobrecarga interior: perante a capacidade do Sporting para acumular jogadores entre linhas, o Rio Ave revelou dificuldades em equilibrar a proteção do corredor central com o controlo dos espaços laterais. Ao tentar fechar por dentro, surgiam possibilidades nos corredores; quando saía para pressionar, apareciam espaços entre linhas.
O QUE EU FARIA
- Baixava mais vezes Ntoi para construir a três e alargava Gustavo Mancha como central do lado esquerdo na primeira fase de construção. Desta forma, aumentava as distâncias de pressão para Rodrigo Zalazar, sobretudo tendo em conta que Vrousai já apresentava tendência para procurar terrenos interiores.
- Nesse sentido, existiria também maior facilidade para estabelecer a ligação direta entre Gustavo Mancha e Spikic, algo que o Rio Ave foi procurando ao longo do jogo pelo corredor esquerdo na saída de bola.
- Além disso, com Ntoi a baixar, poderia atrair a pressão de Doumbia ou Altimira, tornando mais difícil para o Sporting controlar as segundas bolas, uma vez que passaria a faltar um dos dois médios interiores nessa zona.
- Caso Sergi Altimira ou Issa Doumbia não saltassem na pressão sobre Ntoi, o Rio Ave teria maior facilidade para construir, mantendo a superioridade numérica na primeira fase. Perante a pressão do Sporting em 4-4-2, poderia também ativar o jogo direto de forma mais eficaz e com menos oposição na primeira fase.
- Em processo defensivo, defenderia em 4-4-2, colocando Jalen Blesa na mesma linha de Tamble Monteiro, como Sotiris Silaidopoulos fez na segunda parte, e baixaria o posicionamento de um dos extremos, Diogo Bezerra ou Spikic, para a linha dos médios, formando um 4-4-2 assimétrico. Desta forma, procuraria controlar melhor o espaço entre linhas e evitar as superioridades interiores criadas pelo Sporting na 1.ª fase de construção, permitindo ao extremo mais baixo acompanhar as conduções de Zeno Debast ou Gonçalo Inácio, enquanto o outro extremo poderia permanecer mais adiantado, fechando por dentro e, simultaneamente, condicionando a linha de passe para o corredor exterior.
BnR na Conferência de Imprensa
Bola na Rede: O Rio Ave teve algumas dificuldades em controlar o espaço entrelinhas, sobretudo na primeira parte. O que é que mudou ao intervalo para melhorar esse aspeto na segunda parte?
Sotiris Silaidopoulos: Sim, é verdade. Na primeira parte, o Sporting colocou vários jogadores no espaço entrelinhas, especialmente entre a nossa linha defensiva e a linha média. Foi algo em que não conseguimos estar bem organizados ou preparados, como já tinha dito, como tínhamos treinado. Foi um grande problema na primeira parte para nós e concordo em absoluto com isso. Mas, se fores ver, dois golos do Sporting foram em transições rápidas. Eu acho que, às vezes, fomos agressivos e tentámos recuperar a bola em zonas altas do terreno. Na segunda parte, tentámos compactar mais as linhas e os jogadores e ser mais agressivos quando a bola viesse para a nossa área. Às vezes, não precisamos de seguir as rotações do adversário, precisamos de manter a posição e controlar a área, e acho que estivemos melhor na segunda parte nesse sentido. Quero agradecer aos adeptos pelo apoio. É importante mantermo-nos juntos, como fizemos na época passada, quando tivemos momentos difíceis, e acho que vamos ter uma boa época.
Bola na Rede: Na antevisão, tinha alertado para a possibilidade de o Rio Ave criar um 4×4 na linha ofensiva. A realidade é que o Sporting acabou por beneficiar disso, sobretudo pelo posicionamento mais adiantado dos dois extremos do Rio Ave. Pergunto-lhe de que forma é que a equipa conseguiu sobrecarregar os dois médios interiores do Rio Ave, através do jogo entrelinhas e das transições rápidas?
Rui Borges: Tínhamos de ser muito competentes nos primeiros duelos e nas segundas bolas. Era mesmo muito importante a forma como o Doumbia e o Altimira, quando eram atraídos pelas referências da frente, rapidamente se transportavam para trás para ganhar as segundas bolas. E isso conseguimos numa fase inicial. Porque o Rio Ave, às vezes, pode perder a primeira bola, depois a bola cai ali e está outro homem por perto, e torna-se difícil, porque os alas do Rio Ave dão-se um bocadinho à morte, até em espaços difíceis para os laterais pegarem nas referências, e nessas segundas bolas conseguem acelerar outra vez. E foi muito competente toda a nossa linha defensiva nesse aspeto, nas coberturas, nos primeiros duelos e nas segundas bolas também. Os nossos médios, depois, claro, quando ganhávamos bolas, tínhamos homens livres e bola descoberta em segundas linhas para entrarem e depois acelerarem, que foi o que aconteceu na primeira parte, e conseguimos facilmente desbloquear e, acima de tudo, finalizar.

