Em 2020, o Real Madrid venceu a final da Youth League e derrotou o Benfica na final. Seis anos depois, onde andam os elementos dos dois plantéis.
Há cerca de cinco anos e meio, entre confinamentos e uma pandemia avassaladora, Benfica e Real Madrid defrontaram-se em Nyon, na Suíça. Águias e merengues jogaram o troféu da Youth League, numa altura em que nem a juventude havia quebrado a premonição de Bella Gutman, e o troféu acabou por ficar por terras espanholas.
Na final, o Real Madrid venceu o Benfica por 3-2 num jogo em que foi a eficácia quem mais ordenou. Gonçalo Ramos (49’ e 57’) fez de tudo para trazer o troféu para Lisboa, mas Pablo Rodríguez (26’), Henrique Jocú na própria baliza (45’) e Miguel Gutiérrez (50’) garantiram o troféu para os merengues. Tiago Dantas (68’) ainda falhou um penálti no jogo.
A maioria dos jogadores nasceu em 2001 ou 2002 e, na altura, procurava uma transição para o futebol sénior. Entre acertos maiores ou menores, grandes promessas que nunca se chegaram a afirmar e nomes mais desconhecidos que acabaram por gozar de maior protagonismo, onde andam os 36 jogadores que apareceram na ficha de jogo da final?
O mais fácil é mesmo começar por olhar para os bancos, que apresentam histórias diferentes. Luís Castro era o treinador do Benfica, que viria a continuar o percurso nas águias, entre os sub-19, os sub-23 e a equipa B. Em 2023, deixou Portugal e foi em França, no modesto Dunkerque, que mais se destacou. Estabilizou a equipa na primeira temporada e, na segunda, esteve muito perto de uma histórica subida à Ligue 1. A equipa ficou nos playoffs, mas Luís Castro não. Esta época, o português orientou o Nantes, mas a ausência de resultados precipitou a saída. Anda agora por terras espanholas, procurando um novo milagre e lutando para a manutenção do Levante na La Liga.
Menos agitado foi o caminho de Raúl González, nome forte do madrilhismo e treinador da equipa que conquistou a Europa, na sua versão mais nova. O antigo avançado vai dando cartas na formação merengue e, depois da vitória na Youth League, deu o salto para o Real Madrid Castilla, a equipa B dos blancos. É por lá que ainda anda e de lá que, de tempos a tempos, surgem rumores da possibilidade do técnico ser promovido à equipa principal.
Os jogadores do Benfica


Há, num olhar mais abrangente, um maior sucesso da fornada encarnada em comparação aos espanhóis no que diz respeito à afirmação no futebol sénior. Do onze titular, nem todos conseguiram a afirmação, mas há dois nomes que se destacam claramente: Tomás Araújo, que fez o seu caminho até à titularidade no Benfica, e Gonçalo Ramos, nome maior da final e que brilha agora no PSG.
- Leo Kokubo: Sint-Truiden, Liga Belga;
- João Ferreira: Saint-Étienn, 2.ª Liga Francesa;
- Tomás Araújo: Benfica, Primeira Liga;
- Morato: Nottingham Forest, Premier League;
- Filipe Cruz: Felgueiras, Segunda Liga;
- Henrique Jocú: Botev Plovdiv, Liga Búlgara;
- Tiago Dantas: Rijeka, Liga Croata;
- Umaro Embaló: Fortuna Sittard, Eredivisie;
- Tiago Araújo: Gent, Liga Belga;
- Henrique Araújo: Benfica, Primeira Liga;
- Gonçalo Ramos: PSG, Ligue 1.


No banco, estavam prontos mais sete nomes para lançar a jogo. Só quatro foram lançados e, curiosamente, dois deles estão em destaque em Espanha.
- Rafael Brito: Casa Pia, Primeira Liga;
- Ronaldo Camará: Differdange, Liga Luxemburguesa;
- Duk: Leganés, La Liga 2;
- Martim Neto: Elche, La Liga.
Nos não utilizados, destacam-se dois jogadores que, curiosamente, chegaram a estrear-se pela equipa principal do Benfica, um dos quais ainda integrante do plantel às ordens de José Mourinho.


- Samuel Soares: Benfica, Primeira Liga;
- Fabinho: Concordia Chiajna, Liga Romena;
- Adrian Bajrami: Luzern, Liga Suíça.
Feito o balanço, entre os 18 jogadores na ficha de jogo, ainda três continuam na primeira equipa do Benfica: Tomás Araújo com maior preponderância, Samuel Soares e Henrique Araújo com menos fulgor. No total, 10 chegaram a fazer pelo menos um jogo pela equipa principal encarnada. No entanto, apenas cinco (além dos três do plantel atual, Morato e Gonçalo Ramos) o fizeram por mais de cinco ocasiões.
Os jogadores do Real Madrid


No Real Madrid, nenhum dos jogadores continua pelo plantel merengue. Dos nomes que venceram a competição, apenas um está agora num dos principais clubes do panorama europeu: Miguel Gutiérrez joga no Nápoles. É em Espanha, entre as três primeiras divisões, que a sua maioria encontrou o seu espaço para continuar a jogar futebol, mais longe ou mais perto dos holofotes. A maior estrela da geração, Sergio Arribas, está no Almería.
- Luis López: Eibar, La Liga 2;
- Víctor Chust: Elche, La Liga;
- Sérgio Santos: Nàstic, Primera RFEF;
- Pablo Ramón: Racing Santander, La Liga;
- Miguel Gutiérrez: Nápoles, Serie A;
- Antonio Blanco: Alavés, La Liga;
- Iván Morante: Burgos, La Liga 2;
- Carlos Dotor: Málaga, La Liga 2;
- Marvin Park: Las Palmas, La Liga 2;
- Sergio Arribas: Almería, La Liga 2;
- Pablo Rodríguez, Lech Poznan, Liga Polaca.
É no banco que se encontra a primeira ligação da lista a Portugal. Óscar Aranda, avançado do Famalicão a recuperar de uma grave lesão, foi chamado a jogo. Os restantes nomes, continuam todos pelas bandas dos Nuestros vizinhos.


- Jordi Martín: Huesca, La Liga 2;
- Álvaro Carrillo: Huesca, La Liga 2;
- Xavi Sintes: Córdoba, La Liga 2;
- Peter Federico: Valladolid, La Liga 2;
- Óscar Aranda: Famalicão, Primeira Liga.


Apenas dois nomes não foram chamados a jogo e, nestes, mais uma ligação a Portugal, embora seja preciso recuar à temporada passada. Israel Salazar passou, sem grande preponderância, no Estoril Praia, clube ao qual continua contratualmente ligado, embora esteja novamente em Espanha por empréstimo.
- Toni Fuidias: Nàstic, Primera RFEF;
- Israel Salazar: Eldense, Primera RFEF.
Olhando para o balanço geral, nenhum dos nomes continua no plantel do Real Madrid e a tendência é clara: o futuro continua a ser perspetivado em espanhol. Dos 18 nomes, apenas três jogam fora da Espanha. Nos merengues, só oito jogadores chegaram a jogar pela equipa principal e nenhum com grande destaque. Sergio Arribas (14 jogos) e Miguel Gutiérrez (10 jogos) são os únicos que precisam de mais de uma mão para contar as partidas pela equipa principal da Champions League.

