O antigo avançado búlgaro, Petar Mihtarski abriu o livro sobre a experiência em Portugal, com passagens no FC Porto e Famalicão.
Petar Mihtarski, antigo avançado búlgaro, vestiu as camisolas do FC Porto e Famalicão nos anos 90 e acabou por representar a sua seleção no Mundial 1994. Em declarações ao O Jogo, fez uma antevisão ao embate entre aos dois emblemas pelos quais alinhou em Portugal:
«Espero ver o Famalicão finalmente na Europa e o FC Porto voltar a ser campeão. É capaz de ser melhor esperar a vitória do FC Porto agora e o Famalicão ainda poderá qualificar-se na mesma».
De seguida, relembrou a chegada ao futebol português:
«Fui muito feliz por jogar em Portugal. Fiz com o FC Porto o primeiro grande contrato num momento de grandes expetativas para a carreira, pois estava a chegar a um grande clube europeu. Deu-se o interesse por envolvimento do Minguella, que havia feito também a operação do Kostadinov. (…) O ‘Kosta’ disse-me para vir, que era uma grande equipa com um grande balneário. E tive oportunidade de perceber isso, jogar com grandes atletas como João Pinto, Baía, Aloísio, Bandeirinha, Jaime Maagalhães, André ou Domingos».
O búlgaro refletiu sobre o seu desempenho pelos dragões e a transferência para o Famalicão:
«Joguei pouco, não tive as oportunidades que queria. Mas marquei vários golos vendo os jogos que atuei, na fase inicial rendi o Domingos que estava lesionado. Não foi mau, depois veio o José Romão que me disse que me queria no Famalicão. Andava um pouco chateado com o treinador, não me explicava porque não jogava. Nem entrava, nem era convocado, sofria com a questão dos estrangeiros, jogavam sempre o Vlk, Timofte e Kostadinov. Eu precisava de minutos e, ao mesmo tempo, ficava perto do Porto. Mantive-me a viver com o Kostadinov, foi assim durante três anos. Foi a melhor opção, porque joguei bem e fiz muitos amigos. Fizemos resultados espetaculares, vencendo o Benfica e o FC Porto fora, num jogo incrível nas Antas. Também perdemos por 4-3 no Sporting. Tínhamos bons jogadores. (…) Não conseguíamos passar do meio-campo, o FC Porto atacava com tudo, rematava constantemente, a bola cercava a nossa área. Mas num canto fomos nós que conseguimos marcar. O futebol é assim! Tivemos muita sorte, o Tó Ferreira fez uma exibição de outro mundo, e essa foi a primeira derrota do FC Porto nas Antas, no campeonato».
Petar Mihtarski olhou ainda para alguns momentos marcantes na carreira em Portugal, como a vitória frente ao Benfica:
«Foi outra grande vitória, importante para nós. Infelizmente perdi um penálti contra o Baía na primeira volta, quando perdemos por 3-0, na casa emprestada, em Coimbra. Estava 0-0, na altura».
Por fim, destacou a importância de Kostadinov, Pinto da Costa e Reinaldo Teles:
«O Kostadinov foi o meu alicerce e era um craque, além de um amigo que conhecia de antes. Era muito fácil o nosso entendimento. Conseguimos ganhar o campeonato e ele foi decisivo. Mas também eram importantes o Pinto da Costa e o Reinaldo Teles, dois homens incríveis».

