O FC Porto derrotou o Alverca por 2-0 no Estádio do Dragão. Fica com o meu relatório tático do encontro da 1.ª jornada da Primeira Liga.
O FC Porto garantiu o triunfo frente ao Alverca por 2-0, na jornada inaugural da Primeira Liga. Segue o meu relatório tático dedicado à análise do encontro, com foco na identificação dos principais comportamentos coletivos e individuais apresentados por ambas as equipas ao longo do jogo.
Relatório Tático – FC Porto x Alverca
1. ALVERCA
Organização defensiva
- Estrutura: 5-2-3 em bloco baixo / 4-4-2 em bloco médio-alto.
- Pressão: 3+2 na primeira fase de construção do FC Porto, com Ian Luccas como médio mais recuado e referência sobre Gabri Veiga. Na segunda parte, em 2+4 e um dos centrais a encaixar marcação em Gabri Veiga
- Controlo interior: utilização do 4-4-2 para fechar as ligações por dentro e limitar a influência de Alan Varela, Victor Froholdt, Gabri Veiga e André Silva.
- Terceiro homem: preocupação em impedir as ligações interiores e a dinâmica do terceiro homem.
- Orientação da pressão: intenção de direcionar o FC Porto para os corredores exteriores, evitando progressões pelo corredor central.
- Superioridades exteriores: procura de igualar ou criar superioridades numéricas nos corredores para limitar a influência dos extremos e as chegadas dos laterais/médios aos half-spaces.
- Primeira linha de pressão: Vivaldo Semedo a condicionar zonalmente Kiwior e Bednarek e a fechar as ligações para Alan Varela
Organização ofensiva
- Primeira fase: linha de três mais baixa constituída por Meupiyou, Bojang e Baseya, com os dois médios posicionados numa linha superior.
- Largura: projeção dos alas Nabil Touaizi e Isaac James para ocupar os corredores exteriores e dar largura.
- Transição após perda: recuperação posicional rápida dos alas Touaizi e Isaac James após perda da posse.
- Mobilidade ofensiva: Figueiredo e Chiquinho com maior liberdade para explorar terrenos interiores.
- Ligação vertical: Davy Gui como referência para procurar passes verticais para zonas entre linhas.
- Exploração entre linhas: Chiquinho como principal referência para receber e progredir entre linhas.
Comportamentos-chave
- Isaac James: alternância entre médio esquerdo e defesa esquerdo, permitindo variar entre uma linha de 4 e uma linha de 5 e controlar a largura defensiva.
- Meupiyou: alternância entre central exterior do lado esquerdo e defesa esquerdo, em função da posição de Isaac James e das movimentações do adversário.
- Figueiredo: alternância entre avançado, junto de Vivaldo Semedo, e posição de médio esquerdo.
- Chiquinho: exploração do espaço entre linhas, beneficiando das dúvidas na pressão do FC Porto, do atraso de Pepê em organização defensiva e da chegada tardia das coberturas de Gabri Veiga.
- Nabil Touaizi: referência no corredor exterior através das suas projeções, garantindo largura e uma opção de progressão exterior.
Limitações
- Minutos iniciais do jogo: dificuldade em impedir o passe e a ligação direta do FC Porto de central para extremo
- Ações defensivas: abordagens imprudentes na origem das duas grandes penalidades.
- Controlo interior: a partir do minuto 60′, maior dificuldade em controlar o jogo interior do FC Porto, associada à menor frescura física.
Impacto competitivo
- Controlo do corredor central: capacidade para limitar a influência de Alan Varela, dos médios interiores e de André Silva.
- Orientação exterior: sucesso em direcionar a construção do FC Porto para os corredores, reduzindo a sua capacidade de progressão pelo corredor central.
- Superioridades exteriores: capacidade para igualar/criar superioridades nos corredores e limitar a influência dos extremos e das chegadas aos half-spaces.
- Exploração entre linhas: capacidade para encontrar Chiquinho em zonas interiores, permitindo ultrapassar pontualmente a pressão do FC Porto e criar condições para progressão.
- Evolução do jogo: perda de eficácia no controlo interior após o minuto 60′, permitindo ao FC Porto assumir maior influência pelo corredor central.
2. FC PORTO
Organização defensiva
- Estrutura: 5-2-3 em bloco alto / 5-4-1 em bloco mais baixo.
- Recomposição: Alan Varela a baixar rapidamente para a linha de 5 após perda da posse.
- Pressão: 3+2 na primeira fase de construção do Alverca, com Pepê, William Gomes e André Silva na primeira linha e Froholdt e Gabri Veiga numa linha superior.
- Orientação da pressão: William Gomes como primeiro elemento da pressão exterior, procurando condicionar a saída de fora para dentro.
- Pressão sobre o guarda-redes: William Gomes a condicionar também a participação de Matheus Mendes (guarda-redes) na construção.
- Referência individual: Kiwior com responsabilidade de controlar Chiquinho entre linhas e impedir a sua progressão.
Organização ofensiva
- Estrutura: 4-1-2-3, com os extremos posicionados em largura.
- Ligação direta: Kiwior/Bednarek a procurar William Gomes/Pepê em posições exteriores.
- Half-spaces: Gabri Veiga e Victor Froholdt com movimentos de rutura para atacar espaços nas costas ou arrastar referências defensivas.
- Desequilíbrio individual: William Gomes como principal referência para receber em largura
- Ligação vertical: Pablo Rosário com papel de ligação e procura de facilitar a progressão pelo corredor central.
- Referência na área: André Silva como referência ofensiva na área, mantendo também mobilidade durante a construção.
Comportamentos-chave
- Jakub Kiwior: referência individual sobre Chiquinho, procurando controlar as suas receções entre linhas.
- William Gomes: principal foco de desequilíbrio individual, procurando receber em largura e atacar diretamente o adversário.
- Froholdt e Gabri Veiga: movimentos de rutura nos half-spaces, procurando atacar a profundidade ou arrastar marcações.
- Ligação central-extremo: procura frequente do passe direto entre central e extremo para ultrapassar a pressão interior do Alverca e explorar os corredores.
- Pablo Rosário: contribuição para a ligação vertical e para aumentar as soluções pelo corredor central, sobretudo na segunda parte.
Limitações
- Progressão interior: dificuldade em progredir pelo corredor central durante a primeira parte, sobretudo perante o 4-4-2 do Alverca.
- Espaço entre linhas: dificuldade em controlar o espaço entre linhas no lado esquerdo, permitindo a Chiquinho receber e progredir.
- Reposicionamento lento dos extremos após perda da bola: permitiu que o FC Porto ficasse em 5-2-3 em diversos momentos e consequentemente, maior dificuldade para controlar zona entre linhas.
- Dependência exterior: necessidade de recorrer frequentemente aos corredores e às ligações diretas para ultrapassar o bloqueio interior do Alverca.
Impacto competitivo
- Corredor central: dificuldade em encontrar soluções interiores durante a primeira parte perante a organização defensiva do Alverca.
- Corredores exteriores: capacidade para criar perigo através de William Gomes, Pepê e das situações de cruzamento.
- Ligação direta: utilização das ligações central-extremo como solução para ultrapassar a pressão interior do Alverca.
- Segunda parte: maior influência no jogo interior após a entrada de Pablo Rosário.
- Alteração do equilíbrio: maior capacidade para explorar o corredor central coincidindo com a perda de frescura física do Alverca.
Rodrigo Lima

