Roberto Martínez e o sonho de conquistar o Mundial 2026: «Se as pessoas pensam que esta equipa pode ir longe, vamos em frente com isso»

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Em declarações ao The Guardian, o selecionador nacional, Roberto Martínez, abordou o sonho de Portugal conquistar o Mundial 2026.

O selecionador nacional, Roberto Martínez, concedeu uma entrevista ao The Guardian, durante a qual abordou vários temas. O técnico começou por abordar o sonho de levantar o troféu do Mundial pela primeira vez na história de Portugal, fazendo referência a uma citação histórica de Otto Glória antes do Mundial de 1966:

«Ele disse: ‘Deixem-nos sonhar’, e eu acho isso adorável. Por que não abraçar a expectativa agora? Construir esperança? Por que não assumir essa responsabilidade? Se as pessoas pensam que esta equipa pode ir longe, vamos em frente com isso».

De seguida, destacou a cultura futebolística do país:

«Portugal é uma escola de futebol. Dez milhões de pessoas e, no entanto, preenchem os melhores balneários do mundo. É também um país de navegação. Prontos para partir, aprender línguas: abertos, virados para a Europa. Há uma vontade de sair para completar o seu desenvolvimento, o que os ajuda a ser ultra-competitivos mas respeitadores, enquanto a estrutura permite que, dos 15 aos 23 anos, haja oito jogadores por posição a seguir a mesma metodologia de elite. Pedro Neto, Vitinha, João Neves e Renato Veiga chegaram todos ao onze desde que chegámos: esse nível de desenvolvimento é exemplar».

Roberto Martínez reforçou ainda a necessidade de criar um núcleo forte no balneário da Seleção:

«Não podes criar um espaço onde se ouça: ‘Tens de ganhar’. Ganhar, claro, mas como? Tens de criar um hábito, uma cultura, clareza nas funções dos jogadores. Ganhar a Liga das Nações foi muito importante para nós: a estrutura, os processos, ganhar uma final contra a Espanha, a n.º1 do Mundo, os campeões europeus. Eu não diria que há uma ansiedade em Portugal para ganhar o Mundial; diria que é entusiasmo, esperança. Isso vem com estes jogadores. Estamos a falar de Cristiano Ronaldo. Do capitão do Manchester United (Bruno Fernandes). Do capitão do FC Porto (Diogo Costa). Do capitão do Manchester City (Bernardo Silva). Quatro jogadores importantes nos campeões europeus (Nuno Mendes, João Neves, Vitinha e Gonçalo Ramos). Isso faz o povo português sentir-se bem e confiante».

Por fim, revelou o seu interesse por numerologia, indicando que os números podem estar alinhados para um feito histórico:

«Sabemos que nunca ganhámos o Mundial e isso diz-nos que é difícil. Sabemos que as coisas podem mudar depressa, que o talento sozinho não chega, que pequenos detalhes podem ir contra ti e, claro, é um golpe duro quando não tens sucesso, mas deixem-nos sonhar. Acho que podemos. E essa é a atitude que quero que a nossa equipa tenha. Não sou supersticioso, mas gosto de numerologia. E isto vindo de quem nasceu a 13 de julho. (…) Em Inglaterra diziam sempre: ‘Uau, que azar!’, ‘Que dia’. Não! Eu gosto. E é maravilhoso pensar no Euro’2016 ou em Eusébio: melhor marcador em 1966, vencedor da Bola de Ouro em 1965, os 60 anos desde o seu Mundial [2026]… É tudo seis. Vamos sonhar. Por que não?».

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