O Mundial 2026 começa a aproximar-se e Roberto Martinez falou sobre a posição de Portugal entre os candidatos e sobre o seu legado na seleção.
Em antevisão ao Mundial 2026, Roberto Martínez foi entrevistado pela ESPN Brasil. O selecionador refletiu sobre as hipóteses de vencer a competição e falou sobre o seu desempenho no comando da seleção portuguesa.
Roberto Martínez começou por dizer que Portugal não se deve considerar favorito a vencer o Mundial:
«Portugal favorito, não. Candidato, sim. Porque, na Europa, só há quatro seleções que estiveram em todas as competições importantes desde o ano 2000: Alemanha, Espanha, França e Portugal. Estamos no patamar certo para aceitar a responsabilidade, a exigência, a expectativa dos adeptos. Isso é ser candidato. Mas acho que para ser favorita uma seleção precisa de já ter sido campeã mundial, porque há um aspecto psicológico nisso. E só há oito seleções, durante 92 anos de Mundiais, que ganharam a competição. Seleções como a Argentina, como o Brasil, que estão num bom momento, são candidatas, mas têm o passado, a história que fazem a candidata ser favorita. Alemanha, Espanha, França, são seleções que são candidatas pelo momento em que estão».
De seguida, não quis escolher uma seleção que pudesse denominar como favorita:
«Não acredito que haja uma seleção que seja mais favorita que outra antes do torneio. Temos quase 20 semanas (até ao Mundial), as lesões e outros aspectos podem mudar tudo. E há o período da fase de grupos. Acredito muito que as equipas crescem dentro dos torneios. É um Mundial muito complexo, com muita logística, condições climáticas, condições de altitude… Há um aspeto muito exigente dentro da preparação no Mundial e acho que os três primeiros jogos são essenciais para diferenciar, entre as seleções candidatas e favoritas, qual é a seleção mais favorita».
O espanhol falou ainda sobre a sua nacionalidade e o facto de se poder tornar o espanhol mais importante na história do futebol português:
«Nasci em Espanha, mas vivi 21 anos em Inglaterra e, depois, sete anos na Bélgica. Acho que a nacionalidade não é uma vantagem e não te limita para seres bom no teu trabalho. Não é a nacionalidade, é a oportunidade de partilhar um objetivo comum. Que, para mim, agora, é tentar ajudar a Seleção Portuguesa a ganhar um Mundial. (…) Acredito muito nos sonhos. Os objetivos começam em sonhos. E isso acho que é um bom sonho. Por que não?».
Respondeu também às críticas relativas à qualidade do futebol praticado pela seleção:
«A paixão é opinião, é debate, faz parte. Posso controlar o compromisso, a atitude, o trabalho dos jogadores, o que acontece em campo, o que acontece no balneário. E, com isso, fico muito, muito satisfeito. Nós trabalhamos para o objetivo, que é ganhar, marcar golos. Fico satisfeito de ver os números desta Seleção, que tem a maior percentagem de golos e de pontos por jogo. É isso que é a conversa objetiva. Depois, subjetivamente, faz parte. Tenho respeito por todas as opiniões, mas acho que este Portugal convence. Os números dizem isso: uma equipa que corre riscos, que gosta de ter a bola, que gosta de atacar. E isso faz com que seja uma equipa que tem muito reconhecimento fora de Portugal, o que também é importante. Mas acredito que todas as críticas, todas as opiniões, são saudáveis. Porque são opiniões da paixão que as pessoas têm pela Seleção».
Por fim, o selecionador destacou o empenho e entrega dos jogadores, e a importância da preparação:
«Acho que, na Europa, é difícil jogar pela Seleção e os nossos jogadores portugueses são exemplares, o compromisso é total. (…) A Seleção precisa de mais tempo para relembrar os conceitos, ou aquilo que nós somos como equipa. São estágios, e falo de março de 2024, março de 2025, em que a nossa equipa precisa de mais tempo para recuperar aquilo que foi feito durante novembro, outubro e setembro».

