No último dia do Fórum ANTF, Rui Borges refletiu sobre a sua evolução como treinador e a as dificuldades na chegada ao comando técnico do Sporting.
Rui Borges marcou presença no segundo e último dia do Fórum ANTF 2026, ao lado de Paulo Fonseca e Carlos Carvalhal. O técnico do Sporting começou por destacar as maiores diferenças no seu método de trabalho desde que iniciou a carreira de treinador:
«Quando comecei (a carreira de treinador), trabalhava todos os momentos de jogo, todas as semanas, sempre em função do adversário, pois achava que quem fosse mais equilibrado, teria mais sucesso. Acreditava muito nisso, acredito muito nisso, mas é preciso ter tempo para treinar. É difícil, hoje, ir a tudo, portanto foco-me no essencial. Quando cheguei ao Sporting, cheio de vontade, queria treinar e não podia – e tinha de ganhar, de ser campeão. Foi uma dificuldade grande. Sou obcecado pelo treino, acredito que a repetição nos leva a ser melhores… Numa semana normal, vamos buscar sempre algo para a equipa; e chegamos ao jogo e estamos melhores; não treinando, vamos perdendo certas coisas, pequenos hábitos – ou ficamos mais desconcentrados em certos jogos».
De seguida, continuou a reforçar a sua ‘obsessão’ pelos treinos, refletindo sobre a experiência na chegada ao comando dos leões:
«No início (da aventura no Sporting), foi uma dificuldade enorme, até porque tivemos os problemas das lesões, não tínhamos jogadores para treinar e um sistema que não era muito meu…. Treinando todos os momentos, vamos estar mais preparados. Digo sempre que há vários momentos do jogo: não vamos estar sempre em pressão alta nem vamos ter sempre bola; é diferente chegar e dizer que vamos jogar com o Arsenal – e eles aqui olham mais para o momento defensivo; se falo de uma equipa de meio da tabela e falo num bloco médio… Eles querem é ter bola e ir para cima. No treino, explicamos e eles vão acreditando, ligando-se na exigência. O treino dá muito, mas os treinadores têm de se adaptar. Quando não há tempo? O inegociável é o vídeo, as imagens… Daí a semana longa ser importante. Até a mim me deixa desconfortável. Papas 20% e os outros 80… assim assim. Passas demasiada informação no -1 [dia anterior ao jogo]. A parte do vídeo, a estratégia, os esquemas… Tento ser o mais leve possível. É muita informação e ficamos na dúvida se a equipa a consegue levar toda. Mas felizmente tem resultado».
Para finalizar, dirigiu-se à plateia num gesto de reconhecimento do trabalho dos colegas de profissão:
«Queria mais tempo aqui, com os meus colegas, para ter mais conhecimento. Pelo futsal teria conhecimento de algo que nos podia ajudar; mesmo com o míster Paulo Fonseca e Carlos Carvalhal, com os quais me identifico muito e que têm carreiras fantásticas. Roubaria tempo a ambos para poder roubar conhecimento».



