Se a Champions League é a Prova Milionária, o Benfica saiu de Madrid com outras notas

- Advertisement -

O Benfica competiu contra o Real Madrid, mas voltou a falhar onde e quando não o é possível. Mesmo na vitória na fase de liga, houve oportunidades encarnadas a lamentar que, numa fase a eliminar e diante de uma equipa com o histórico e o historial dos merengues na competição, se pagaram.

Há muitos méritos na forma como o Benfica conseguiu entrar em ambas as partes, como conseguiu evidenciar alguns dos seus jogadores e como, no cômputo geral, tenha criado lances de perigo. No entanto, a diferença nas áreas – nas balizas, nas falhas defensivas e nos avançados – voltou a fazer a diferença.

Benfica Jogadores
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

A surpresa de Richard Ríos catapultou o Benfica para um cenário que, como o próprio Álvaro Arbeloa, técnico do Real Madrid, admitiu, deixou os merengues desconfortáveis. O colombiano não começou no meio, como previsto, mas à direita no lugar que Aursnes já ocupou e que a suspensão de Prestianni deixou aberto.

Com bola, o colombiano era praticamente um segundo avançado, num Benfica que em certos momentos se posicionava num 3-2-5 claro com Dahl mais baixo e o colombiano sobre a meia direita. Os movimentos de fora para dentro do médio permitiam a Vangelis Pavlidis circular sobre a direita, variar posicionamentos e confundir marcações. Foi desta maneira, por exemplo, que surgiu o golo de Rafa Silva, com o grego a arranjar espaço sobre a direita para trabalhar a bola e cruzar.

Também o autor do golo, Rafa Silva, esteve em evidência. Com campo para acelerar – nem sempre com a decisão correta – o português foi-se infiltrando, procurando constantemente as ruturas e dando opções ao Benfica no espaço e a Pavlidis em apoio. Faltou outra precisão técnica ao avançado grego que, apesar do destaque posicional, limitou a exibição do grego.

Rafa Silva Vangelis Pavlidis Benfica Jogadores
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Não só aí houve exibições a assinalar. Fredrik Aursnes, mantendo-se no meio, voltou a garantir segurança nas posses, mais prolongadas e controladas com a influência do norueguês. Leandro Barreiro, em vários momentos, conseguiu preencher espaços e recuperar lá à frente. Amar Dedic voltou a evidenciar-se em bom plano defensivamente diante de um jogador com o potencial criativo de Vinícius Júnior. Andreas Schjelderup encheu o campo na segunda parte, mais irreverente e ligado, com maior desequilíbrio individual e sendo capaz de pegar no jogo com uma ousadia que ainda lhe raramente foi vista em Portugal e cuja sequência, tão pedida para o norueguês, lhe tem permitido evidenciar.

Faltou ao Benfica, na verdade, ser diferencial. Se o controlo do jogo ser dividido foi um mérito encarnado, perante um plantel com recursos superiores e um onze com qualidade inegável, houve pontos nas áreas que impediram as águias de sorrir no Bernabéu.

Se no Estádio da Luz – na primeira mão, não é preciso sequer recuar ao golo mítico – Anatoliy Trubin deu pontos, desta vez não deu. Não tem culpas em nenhum dos golos sofridos, mas não se transcendeu como do lado contrário. O que Thibaut Courtois faz jogo sim, jogo sim, acumulando defesas, agarrando a equipa e somando pontos nas suas costas não está bem evidente em muitos casos. Fartou-se de defender e, mesmo no golo que sofreu, teve um primeiro momento assinalável.

Rafa Silva Benfica Thibaut Courtois Real Madrid
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Também não foi o jogo mais certinho da dupla defensiva do Benfica, nem da equipa no seu geral, especialmente na defesa da área e da última linha. Se o trabalho na pressão e os dois médios mais avançados conseguiram recuperar bolas, lá atrás houve erros que se pagaram caro. Nicolás Otamendi falha num primeiro momento e o golo do Real Madrid que empatou a partida num momento em que o Benfica estava a ser claramente superior – e segundos após o golo encarnado – é em tudo semelhante ao de Mbappé na Luz, no 4-2. Também aí se abriu uma cratera para rematar alguém na passada. No segundo golo, e numa altura em que o Benfica jogava a precisar do resultado, Tomás Araújo falhou a leitura. Saindo em Valverde, era proibido a bola entrar em Vinícius.

De resto, o Real Madrid não precisou de suar tanto como o Benfica para, com menos aproximações perigosas, criar perigo. É certo que não é um clube na máxima força, mas para lá de mais um grande jogo de Arda Guler a criar, da maior presença de Tchouaméni nas jogadas, da avidez dos médios exteriores e de meia dúzia de lances de Trent Alexander-Arnold, um dos mais diferenciados em campo, não houve um avolumar de lances que reiterem uma superioridade inequívoca que nunca existiu. Mesmo Vinícius Júnior, autor do golo merengue celebrado com uma dança que hoje era obrigatória, não viveu muito para lá do momento que coloca um ponto final, por agora, numa das semanas mais turbulentas de que há memória relativamente à luta que o brasileiro chamou a si, mas que não se fecha sobre ele. Se o Benfica precisou de fazer tudo muito bem para chegar ao golo, o Real Madrid fê-lo com uma naturalidade diferente. Foi essa a grande diferença no Bernabéu.

Andreas Schjelderup Benfica
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Sobre o Benfica, e concluindo, o campo dos “ses” é muito dúbio. Ainda assim, fica por saber o que teria sido o jogo com Sudakov a permitir (ainda) maior continuidade nas ações de um Benfica que se quis colocar a jogar no meio-campo adversário, e com Dodi Lukebakio na reta final, aproveitando as pernas desgastadas adversários. A lesão de Raúl Asencio e a interrupção demorada pareciam ser o timing perfeito para as substituições que já se andavam a arrastar. Num cenário de dificuldades físicas, normais dada a intensidade, o Benfica reagiu. Com isso, entregou o ouro a um bandido que gosta demasiado do pragmatismo europeu para o deixar fugir. Até à quebra física, a segunda parte encarnada estava a ser superior à merengue. Tal como o foi a exibição nas bancadas.

BnR na Conferência de Imprensa

Bola na Rede: Em relação às substituições do Benfica, o que pretendia com a entrada do Ivanovic à esquerda e com as mudança? Também em relação ao timing, depois de um momento em que o jogo esteve um pouco parado, qual o objetivo das substituições e o que pretendia com as trocas?

João Tralhão: Pela nossa experiência, sabíamos que este tipo de jogos, pela intensidade a que se jogam, qualquer jogador que entre é sempre para um ritmo difícil de acompanhar. Nós sabíamos disso. O ritmo estava alto, o jogo estava muito repartido, com o Real Madrid a defender baixo e a sair em transição e com nós a conseguirmos defender baixo e trazer o jogo de forma mais apoiada para o meio-campo do Real Madrid. Sabíamos que o ritmo estava alto e a determinado ponto do jogo, tentámos manter a solidez do início até ao máximo de tempo possível. Não é que os jogadores do banco não trouxessem solidez. Sabíamos que banco tínhamos, um banco recheado de bons jogadores, preparados para entrar e para mostrar que estão inteirado naquilo que é o nosso processo. Não foi por causa dos jogadores, foi por causa da situação do jogo. Relativamente ao Ivanovic, traz velocidade, traz verticalidsde, traz imprevisibilidade sem bola que precisávamos. Relativamente ao [Sidny] Cabral, tentámos abrir um bocado o corredor direito. Em vez de atacarmos sobretudo com o Amar Dedic, atacar com dois jogadores, o Cabral e o Dedic. As substituições permitiram-nos estar perto da baliza do Real Madrid. Devíamos ter marcado, não marcámos e saímos frustrados.

Diogo Ribeiro
Diogo Ribeirohttp://www.bolanarede.pt
O Diogo tem formação em Ciências da Comunicação, Jornalismo e 4-4-2 losango. Acredita que nem tudo gira à volta do futebol, mas que o mundo fica muito mais bonito quando a bola começa a girar.

Subscreve!

Artigos Populares

João Tralhão responde ao Bola na Rede: «Para qualquer jogador que entre neste tipo de jogos é sempre um ritmo difícil de acompanhar»

João Tralhão analisou a derrota do Benfica diante do Real Madrid. Treinador respondeu à pergunta do Bola na Rede em conferência de imprensa.

Samuel Dahl após a eliminação frente ao Real Madrid: «Eles jogaram bem, mas também estivemos bem em alguns momentos»

Samuel Dahl analisou o duelo entre o Real Madrid e o Benfica. Encontro marcou a 2.ª mão do playoff da Champions League.

José Mourinho com registo para esquecer nas últimas participações na Champions League

José Mourinho já não sabe o que é vencer um jogo numa eliminatória de Champions League desde 2014, quando orientava o Chelsea.

Álvaro Arbeloa e os oitavos de final: «As pessoas já se habituaram a um City x Real Madrid. De certeza que nos vai calhar...

Álvaro Arbeloa analisou o encontro entre o Real Madrid e o Benfica, que terminou com a vitória dos merengues por 2-1.

PUB

Mais Artigos Populares

Eis o Ranking UEFA depois da eliminação do Benfica na Champions League

O Ranking UEFA já foi atualizado e Portugal não somou qualquer ponto, depois do Benfica ter sido eliminado da Champions League.

Sporting conhece a sua sorte: quando é o sorteio dos oitavos de final da Champions League?

O sorteio dos oitavos de final da Champions League realiza-se na sexta-feira, a partir das 11 horas, na Suíça.

Eis o quadro dos oitavos-de-final da Champions League após o playoff

Já são conhecidas as 16 equipas que estarão presentes nos oitavos-de-final da Champions League. Fica com os possíveis embates da próxima fase.