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Sérgio Ferreira analisou a derrota do Alverca frente ao Braga: «Tem-nos faltado alguma assertividade e mais agressividade no último terço»

Manuel Nascimento · 4 min

Sérgio Ferreira
Foto: Diogo Cardoso / Bola na Rede

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O Alverca recebeu o Braga num duelo a contar para a quinta jornada da Primeira Liga. Sérgio Ferreira fez a análise da partida em conferência de imprensa.

Sérgio Ferreira fez a análise, em conferência de imprensa, à derrota do Alverca sobre o Braga por 2-1.

Sobre a alteração tática na parte final (saída do habitual 3-4-3 para arriscar mais) e o que falhou nesse ajuste, respondeu:

«Passámos o nosso central esquerdo quase como se fosse o nosso extremo, o lateral como central com mais mobilidade e ficámos com um pendor mais ofensivo. Mantivemos a base estrutural, mas com algumas diferenças tendo em conta o que o jogo pedia. Procurámos tirar o máximo das características do Camará para empurrar a linha defensiva da equipa adversária para trás, o que nos permite gerar espaço entre linhas e, fundamentalmente, atacar as costas deles. Foi isso que fizemos. Estivemos mais perto, com diferentes registos, tivemos mais presença na área, procurámos rematar e explorar tanto a bola corrida como a bola parada. Acima de tudo, o que mudou foi a coragem e a forma como encarámos a segunda parte. Mais uma vez, faltou-nos o último toque, a última ação ofensiva e a decisão».

Sobre ser a terceira vez que a equipa perde uma vantagem após ter o jogo controlado, e o que tem faltado para segurar os resultados, respondeu:

«Basicamente, prende-se com os nossos princípios. Temos de ser muito consistentes a este nível e muito contínuos na forma como defendemos. A este nível não dá para parar, e qualquer momento em que possamos parar de correr é muito complicado. Quando algum jogador fica parado e sem fazer nada, torna-se muito difícil, e foi exatamente isso que aconteceu na segunda parte. A primeira parte foi um exemplo daquilo que é ser solidário; fomos uma equipa com um bloco muito solidário e que não deu grandes espaços ao Braga. Na segunda parte não podemos de forma alguma dar espaço a jogadores com a qualidade que eles têm, com capacidade de resolver situações de um contra um. Faltou-nos essa solidez e, mais uma vez, posicionamento. Essa quebra obrigou-nos a abrir buracos e a sofrer consequências. Sempre que mantemos o nosso plano, a nossa ideia e nos mantemos fiéis aos nossos princípios, a equipa consegue ser sólida e condicionar equipas muito fortes, como já foi o caso do FC Porto e do Braga».

Sobre as dificuldades em superar a pressão do Braga na primeira fase de construção durante a primeira parte, respondeu:

«Primeiramente, faltou ter o nosso posicionamento a partir de trás. A nossa lógica é que o jogo parte de trás para a frente, e é assim que temos de chegar à frente. Faltou-nos a capacidade de quebrar linhas, ou seja, atrair o Braga através da circulação de bola para a nossa esquerda para, por exemplo, voltar a quebrar para a direita. A partir do momento em que se consegue fazer isso, os médios movimentam-se bem e ganham espaço, mas muitas vezes a bola ficou presa. Na segunda parte, a equipa teve a coragem de olhar para dentro, de encontrar o segundo médio e o nosso interior do lado da bola. Conseguimos chegar de forma junta e compacta. Hoje, a outra equipa na primeira parte foi superior e conseguiu desmontar-nos. A segunda parte foi diferente, conseguimos nós desmontá-los e, mesmo com o cansaço a vir ao de cima por falta de energia, acabámos bem. Acabámos fiéis à nossa ideia e com sentido no último terço».

Sobre o balanço de cinco jogos sem vencer, mas com um calendário exigente contra candidatos do topo da tabela (e a perspetiva de ‘ver o copo meio cheio’), respondeu:

«Nós, enquanto treinadores, temos de perceber e aceitar de forma tranquila e sem preconceitos todo o tipo de visões que possam existir. Há quem valorize muito aquilo que a equipa tem feito e o que tem sido construído desde as primeiras jornadas, e nós encaramos todos os jogos da mesma maneira. Logicamente, sabemos que existem equipas mais poderosas e com mais argumentos, mas é perfeitamente claro que estamos aqui para vencer. O nosso desejo é pontuar, mas não vamos perder o nosso sentido nem a nossa identidade, porque acreditamos que este caminho nos vai aproximar mais das vitórias. Tem-nos faltado alguma assertividade e mais agressividade no último terço para finalizar, mas a equipa tem capacidade para chegar à frente e criar ocasiões de golo. Temos uma visão alargada e andamos aqui para os resultados, mas cientes de um processo importante a este nível».

Sobre a contratação do jovem talento Mateus França no fecho do mercado e o que ele pode acrescentar, respondeu:

«Sim, ele está cá exatamente para isso, para aportar a qualidade que tem. Chegou ontem e, portanto, traz uma mente muito fresca. Ainda tem de se entrosar e perceber o nosso processo, mas é um jogador de enorme qualidade que nos vai trazer muito individualmente. Terá também de assimilar os nossos conteúdos coletivos e sem bola, o que vai ao encontro da atitude, do desejo e da ambição que esta estrutura tem: reforçar a equipa com jogadores com talento e muita qualidade».

Manuel Nascimento

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