WWE SummerSlam: Reigns supera demónios do passado

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Depois de uma primeira noite de SummerSlam geralmente positiva, a WWE teve a segunda noite no dia imediatamente seguinte, com um cartaz que prometia menos, mas acabou por mostrar que tinha alguns truques na manga para o contrariar.

WELCOME BACK, KO

Finn Balor e Sami Zayn vieram primeiro para um combate para determinar o próximo candidato ao título da WWE, mas Nick Aldis tinha outras ideias. Primeiro, o general manager do SmackDown adicionou Gunther, adversário que o derrotou no sábado, para um triple threat. Depois, a surpresa da noite, com o regresso de Kevin Owens para um Fatal 4 Way. Owens venceu mesmo esse combate, com um stunner em Zayn para o triunfo.

Em relação às adições de Gunther e Owens, excelente pop e muito merecido para o regresso do canadiano e excelente surpresa para começar o show. Quanto a Gunther, também fez sentido depois de sábado, continuou a história de Zayn a ser colocado em posições difíceis pelas figuras de autoridade. O combate um contra um já era um combate que eu antecipava, acrescentar Gunther fez-me encolher um pouco os ombros, mas fazia um combate melhor. Adicionar Owens foi provavelmente o momento da noite.

O combate teve apenas oito minutos e meio, o que fez com que isto fosse um sprint, com muitas manobras de alto impacto e finishers, mas foi demasiado curto. Há aqui um novo capítulo para explorar na história de Zayn e Owens carimbar o regresso com uma vitória foi bom, mas custou a oportunidade ao melhor amigo e isso acrescenta à história. Owens mexeu-se bem tendo em conta a paragem, Balor foi talvez o MVP e é pena que o seu momento tenha sido ultrapassado por isto, vamos ver se a equipa criativa o consegue manter forte. Já Gunther foi uma boa adição ao combate e não necessitava obrigatoriamente da vitória. Mas o ponto de o combate ter sido muito curto tirou alguma coisa a isto. E Punk contra Owens é muitíssimo promissor.

Nota do combate: 4 (em 5)

CORBIN VOLTA E É CAMPEÃO

Seguia-se a defesa de título de Trick Williams contra o recém-regressado Baron Corbin, com Trick a ter Lil Yachty no seu canto novamente. Yachty esteve em alguns momentos importantes do combate, incluindo o decisivo em que um golpe de Williams em Corbin fez com que o rapper caísse em cima de uma mesa. Isso distraiu o campeão e o árbitro, com Corbin a atacar com o título e com um End of Days para conquistar o cinto.

A mudança de título aqui era uma possibilidade mais real depois de não ter havido nenhuma na primeira noite. Trick perder o título pode deixar algumas pessoas chateadas, mas isto pode ser uma oportunidade para ele elevar o seu estatuto de midcarder e aproximar-se do main event (já esteve em um ou dois segmentos com CM Punk). Isto também abre o midcard para outros candidatos (Hayes, Dragunov, Balor, etc). E Trick passa a ser uma possibilidade para ganhar o Money in the Bank. Mesmo que isto seja para Williams lutar contra a adversidade e ganhar o título outra vez, Corbin é um bom adversário para isso e Baron deu a Trick provavelmente o seu melhor combate no mais roster. Foi um bom combate em relação às minhas expetativas e Trick foi protegido na derrota.

Nota do combate: 3

CHELSEA GREEN SURPREENDE (E AGRADA) TODOS

Com Rhea Ripley ausente por lesão, surgia a hora de coroar uma campeã feminina interina da WWE, com Tiffany Stratton, Chelsea Green, Jade Cargill, Lash Legend e Charlotte Flair na disputa. O combate teve alguns bumps e momentos acrobáticos, muitos deles protagonizados por Stratton, até chegar aos derradeiros instantes. B-Fab e Michin vieram impedir Green de ganhar uma primeira vez, mas foram atacadas. Chelsea estava pendurada num escadote enquanto as restantes quatro lutavam noutros escadotes. Quando essas quatro se eliminaram, Green levantou-se e conquistou o título mais importante da sua carreira.

Fui bem enganado quando as Baddies apareceram para impedir Chelsea de ganhar na primeira vez, mas foi um swerve muito bem feito, o de ficar pendurada no escadote à espera que as outras se eliminassem, e é mesmo assim que a personagem dela devia ter ganho. Este alinhamento de wrestlers não era apropriado para um ladder match e confirmou-se, porque só havia Stratton para grandes bumps e manobras atléticas. Tirando isso, foi muito igual ao que se espera de combates destes. Lash não devia ter estado aqui. Ainda assim, isto excedeu as minhas expetativas por causa do booking e Chelsea teve tempo para celebrar, o que foi bom.

Nota do combate: 3.5

MAIS DO MESMO COM DANHAUSEN

Depois chegava o momento de Danhausen, desta vez com um Human Monies on a Pole match contra Dominik Mysterio. Num combate que teve interferência de JD McDonagh, os Minihausens (incluindo El Torito) e Joe Hendry, o duelo terminou quando Danhausen aplicou o curse a Dominik quando este estava junto ao dinheiro, com o turnbuckle a explodir, Dom a cair e Danhausen a ganhar.

Algum divertimento aqui, eu se calhar gostava bem mais se isto fosse um combate num pre-show, mas isto não merecia estar no meio de um cartaz de SummerSlam. Os Minihausens são muito repetitivos e o poste a explodir igualmente. Precisam de fazer coisas novas, porque já houve para aí quatro combates em que o poste explodiu. O facto de Dominik não ter de levar um pin faz com que não me importe tanto com a derrota dele, mas foi ainda assim uma oportunidade falhada para ele voltar a ter bastante heat. Em vez disso, 2026 está a ser um ano falhado para ele no main roster depois de um bom 2025 (e é campeão da AAA ainda por cima).

Nota do combate: 1.5

GABLE TERMINA A HISTÓRIA (MAS SEM TEMPO)

Antes do main event, chegava a hora de Chad Gable terminar a sua história, numa luta pelo título Intercontinental contra Penta.  O wrestling foi de bastante qualidade entre estes dois, como se esperava, e Gable, no final, conseguiu contra atacar um Mexican Destroyer para um ankle lock, fazendo Penta desistir quando aplicou o grapevine.

Tal como muita coisa neste SummerSlam, o booking foi perfeito, mas 11 minutos foi um tempo demasiado curto para a história que era, para os lutadores que eram e para o palco que era. O combate foi bom, mas pareceu apressado, o que foi pena para um momento de carreira de Gable. Penta desistir imediatamente depois do grapevine também não me soou bem e precisava de ser mais longo antes da desistência. Estou feliz com o resultado, irritado por terem aproveitado o momento para meter mais um patrocínio no festejo de Gable, mas ao menos o wrestling foi fantástico. Podia ter sido muito melhor se tivesse mais tempo.

Nota do combate: 4.25

REIGNS FAZ O QUE AINDA NÃO TINHA FEITO

Desta vez, ao contrário da primeira noite, não houve surpresas na escolha do main event, com Roman Reigns a defender o título mundial contra o antigo colega dos Shield, Seth Rollins. E os Shield foram grande parte da história deste duelo, que teve um pouco de tudo, incluindo uma longa luta fora do ringue, um powerbomb numa mesa, finishers roubados ao adversário e até um Dirty Deeds (antigo finisher de Dean Ambrose na WWE). No final, Reigns podia ter usado a cadeirada que Rollins usou há muitos anos, mas optou por não o fazer, vencendo de forma limpa com três spears. No final, Reigns e Rollins fizeram o fist bump dos Shield, com a máscara de Ambrose no meio.

A perfeição foi basicamente atingida e isto foi, por vários fatores, o melhor combate que eles tiveram juntos, dando também sequência ao triple threat que tiveram com CM Punk na WrestleMania 41. Isto era aparentemente suposto acontecer na Mania 42, mas a lesão de Rollins levou-os a adiar. O build para o combate não foi bom e o início do combate também deixou a desejar, mas depois foi excelente. As homenagens a Dean Ambrose foram bem feitas e gostava que ele tivesse estado ali, mas obviamente não era possível.

O storytelling foi excelente ao longo do combate, com Reigns a não se deixar levar desta vez pela sua raiva e a descartar a cadeira. Houve powerbomb na mesa, contra-ataques a finishers, finishers trocados, tudo isso acrescentou. A melhor parte foi não ter havido interferência, mesmo quando não havia árbitro. Facilmente o combate do fim de semana e excelente forma de fechar o capítulo dos Shield.

Nota do combate: 5

Não me lembro de muitos shows especiais em que não tenho críticas sobre as decisões de booking, tendo mesmo concordado com 90% do que aconteceu, mas ainda fiquei algo desapontado por causa do tempo dos combates. A noite dois teve Gable e Chelsea a ganharem títulos importantes, booking interessante com Trick e Corbin, Owens voltou, o primeiro combate teve swerves e bom wrestling e o main event foi excelente. Se não pensarmos em mais nada, foi uma excelente noite. Mas premium live events, sobretudo especiais, deviam ter mais wrestling e isso deixou a desejar. E não é pelos anúncios que os combates são mais curtos. E é pena porque uma noite que podia ter sido perfeita sofreu por causa disso.

Nota final da noite 2: 92 (em 100)

Nota final do SummerSlam: 91

Bernardo Figueiredo
Bernardo Figueiredohttp://www.bolanarede.pt
O Bernardo é licenciado em Comunicação Social (jornalismo) na Universidade Católica de Lisboa e está a terminar uma pós-graduação em Comunicação no Futebol Profissional, no Porto. Acompanha futebol atentamente desde 2010, Fórmula 1 desde 2018 e também gosta de seguir ténis de vez em quando. Pretende seguir jornalismo desportivo e considera o Bola na Rede um bom projeto para aliar a escrita ao acompanhamento dos desportos que mais gosta.

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