Alma e coração, assim se faz um campeão – Entrevista a Vítor Alves

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BnR: Centrando-nos agora na presente temporada. O que é que acha que é necessário para o Santa Clara poder alcançar a subida?

V.A.: Subir de divisão não é fácil. É uma caminhada enorme. Julgo que seja a consistência. Uma equipa que é consistente e que demonstra domingo após domingo que é merecedor de ganhar e que transforma em resultado aquilo que traduz em campo, ou seja, a qualidade. O nível de qualidade está muito semelhante, apesar de achar que somos uma equipa com qualidade individual e coletiva acima de tudo. Existem sete ou oito equipas que vão lutar pela subida de divisão. Depois a que tiver mais astúcia, qualidade de jogo e experiência vai acabar por subir.

BnR: Enquanto jogador mostra um perfil explosivo, intempestivo, temperamental.

V.A.: Sou um jogador de raça, determinação e quando estou a ver que é preciso dar um abalo no jogo eu dou. Quando vejo que é preciso dar um palavrão ao colega, digo. se precisar de dar porrada a alguém dou. É a minha forma de estar. Sou um bocado duro. É difícil quando não estás a ganhar. Há jogadores que não são fortes mentalmente, é preciso picares esse jogador, dar-lhe um abanão para ele sentir qualquer coisa.

BnR: Quem tem como referência na sua carreira?

V.A.: Sempre gostei de jogadores de qualidade e agressivos que querem vencer. Gostei muito do Fabio Cannavaro.

BnR: E daqueles com quem partilhou balneário?

V.A.: Tive tantos. Seria injusto para com os outros falar só sobre um. Tenho alguns colegas que fiz uma amizade enorme e adoro a forma de jogar, neste momento o que mais me marcou no futebol foi o Edu Machado. Pela sua simplicidade, amizade. Teve comigo no Tondela, no Freamunde. Teve comigo quando ele era ainda júnior. Ele ia para la treinar com os seniores no chaves. Na altura até dei-lhe umas botas e disse agora podes me chamar pai (risos).

Vitor Alves com Edu Machado, uma das amizades que criou no futebol Fonte: Facebook Vítor Alves
Vítor Alves com Edu Machado, uma das amizades que criou no futebol
Fonte: Facebook Vítor Alves

BnR: E treinadores?

V.A.: Houve muitos que me marcaram. Desde o primeiro que me treinou nos distritais até ao Carlos. Marcaram-me todos. Quando cheguei ao Porto, o João Pinto invocou o espírito de vitoria, de luta, de raça mesmo à Porto. O Vítor Pereira fez-me ver outras questões ligadas ao jogo. O Carlos fez-me ver, em certa altura, que não estava a seguir o caminho que devia. O Leonardo jardim foi o primeiro que me deu a subida. Foram todos importantes e contribuíram para aquilo que sou hoje e seria chato dizer que um é mais importante que o outro.

BnR: Agora com 32 anos quais as expetativas de futuro?

V.A.: Neste momento estou focado com um objetivo. Saí do continente com um objetivo claro: quero subir. Se não fosse para isso, não tinha deixado a minha mulher e o meu filho no continente. Quero subir e ser campeão.  Depois seguir para outro lado e seguir o mesmo objetivo: subir de divisão ou ser campeão. A longo prazo existem duas vertentes no futebol que gosto: o treino e a observação de jogadores. São duas opções a ter em conta. Apesar disso, não tenho pressa de acabar.

Foto de capa: Bola na Rede

artigo revisto por: Ana Ferreira

Raquel Roque
Raquel Roquehttp://www.bolanarede.pt
A Raquel vem dos Açores, do paraíso no meio do Oceano Atlântico. Está a concluir a licenciatura em Estudos Portugueses e Ingleses. Guarda os clássicos da literatura, a Vogue e os jornais desportivos na mesma prateleira.                                                                                                                                                 A Raquel escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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