«Bruno Fernandes é merecedor de outras equipas e campeonatos» – Entrevista BnR com Vítor Bruno

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– O regresso às raízes: a família Feirense e a força boavisteira  –

“Senti desde o início que aquilo [primeira época no Feirense] ia ter uma história feliz.”

BnR: No final dessa época, regressas a Portugal para assinar pelo Feirense. De que forma o nascimento da tua filha e as saudades das tuas gentes influenciaram este regresso?

VB: Estava nos meus planos voltar. Queria ser um pai presente e não em part-time. Apareceu o Feirense, acabado de subir. Sabes, senti desde o início que aquilo ia ter uma história feliz. Senti logo uma “cumplicidade” com o estádio. Não dá para explicar. Isso sente-se. Queria voltar a sorrir e a estar feliz. Sou alguém que precisa de sentir o apoio dos familiares e dos amigos e sentia falta disso. Acresce que o próprio clube é acolhedor, familiar e humilde. Em poucos dias, parece que já fazes parte do Feirense há anos. Na altura, o Barge e o Cris tinham essa mística, de dar conforto a quem chegava e eu senti isso. Resumindo, o desejo de voltar era forte e encontrei o que precisava ali.

BnR: A tua época de estreia nos “Fogaceiros” coincide com a melhor classificação de sempre do clube (8.º lugar) e o início de três épocas consecutivas na primeira divisão, inédito na história do Feirense. Quais os fatores que possibilitaram tamanho feito?

VB: Sim, de facto, a primeira época do Feirense foi absolutamente incrível. Terminámos em oitavo lugar, acabando o campeonato com quatro vitórias consecutivas. A segunda volta do campeonato foi excelente. Fizemos 48 pontos, a dois pontos do sexto lugar. Sentíamos que podíamos ganhar a qualquer equipa. Tínhamos um grupo saudável, sem vícios e bastante competitivo. Os treinos eram uma luta constante. Todos queriam ganhar. Honestamente, o Feirense, nestes anos, sempre construiu boas equipas, que podemos comprovar pelas vendas mais recentes. No entanto, o maior alicerce, o maior segredo, estava lá dentro, no grupo, e penso que esse espírito, no último ano, se foi perdendo. A dificuldade de jogar no Marcolino [estádio do Feirense], onde as equipas não se sentem confortáveis pelas dimensões do terreno, este ano não se notou. Fomos demasiado vulneráveis e deixámo-nos abater por um conjunto de situações que se foram passando ao longo do ano. Eu, como o Feirense, acredito que vamos rapidamente voltar. Há pessoas competentes para perceber o que falhou e melhorar.

BnR: Na época seguinte, trocas o Marcolino de Castro pelo Bessa, onde pudeste testemunhar a força do clube e da massa adepta axadrezada. O que falta ao Boavista para voltar a intrometer-se na luta por lugares mais cimeiros?

VB: Bem, aprendi muito no Boavista. Sou um privilegiado por lá ter passado. Não foi com o sucesso que pretendia, devido a um conjunto de situações que não podia controlar. O que podes controlar? O teu trabalho diário. Depois, apenas podes influenciar as decisões técnicas. Não ter jogado nem um minuto na minha posição foi angustiante. Costumo dizer que a maior vitória foi quando saí, ao dizerem-me que fui sempre um grande profissional. Podem considerar que somos bons ou não, que temos mais ou menos talento, porém, o rótulo de bom profissional nunca pode falhar. Quanto ao clube, tem um espírito de vitória intrínseco. Não importa o orçamento, ali jogas para ganhar e ponto final. A força dos adeptos, a vontade deles, a paixão incrível que eles sentem pelo clube, leva-nos a gostar do clube e a retirar coisas importantes para o futuro, como eu retirei. Falta o clube poder criar condições próprias em termos de infraestruturas e acabar com outros problemas, que são de matéria pública.

Fonte: Facebook de Vitor Bruno
Miguel Ferreira de Araújo
Miguel Ferreira de Araújohttp://www.bolanarede.pt
Um conjunto de felizes acasos, qual John Cusack, proporcionaram-lhe conciliar a Comunicação e o Jornalismo. Junte-se-lhes o Desporto e estão reunidas as condições para este licenciado em Estudos Portugueses e mestre em Ciências da Comunicação ser um profissional realizado.                                                                                                                                                 O Miguel escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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