«Vivemos um futebol onde se cobram demasiados favores» – Entrevista Bola na Rede com Romeu Ribeiro

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«Fiz uma pré-época toda como lateral-direito».

Bola na Rede: Voltando à sua estreia: o Romeu Ribeiro estreou-se como sénior pela mão de José Antonio Camacho. Na altura, sentiu que era e ia ser uma aposta sólida do técnico espanhol ou percebeu que era mais uma experiência?

Romeu Ribeiro: Só um apontamento: quem começa a época é o Fernando Santos. A ideia era nós treinarmos na equipa principal e jogarmos pelos juniores. O Fernando Santos foi muito cedo embora e entrou o Camacho. Nos treinos, as coisas começaram a correr-me mesmo muito bem, fizemos vários jogos contra os juniores, as coisas correram muito bem e o Camacho chamou-me e disse-me que não ia voltar mais para os juniores, que ia ficar ali a tempo inteiro. Entendi que era mesmo aposta e nos jogos isso dava mesmo a entender. Na minha estreia na equipa principal, na Liga dos Campeões, eu sou o primeiro a entrar. Na altura, até fiquei surpreendido por ele me mandar aquecer. Senti que era mesmo aposta e fiquei mesmo contente. Depois, pronto, dá-se ali também o empréstimo e já sentia que era aquele tal fosso que tínhamos falado, não havia uma equipa B onde pudéssemos jogar regularmente. Os juniores, se calhar, já não se adequava, então, a solução foi o empréstimo. Mas senti que, da parte do treinador, era para apostar, não era nenhuma experiência.

Bola na Rede: No empréstimo ao CD Aves, sentiu que era uma aposta ou é como alguns empréstimos que vemos em que se percebe que a ideia é “não dá para vendê-lo, vamos empresta-lo”?

Romeu Ribeiro: Na altura, pensei que era para regressar e tudo dava a entender isso, mesmo a conversa com o mister dava para entender isso. Foi o que senti, que ia para o CD Aves, mas ia regressar na época seguinte. Só que, lá está, era o que estávamos a falar: não existia um plano para mim, que estava emprestado. Para o mister Camacho, eu regressaria no início da época seguinte. O problema é que o Camacho foi despedido e existia um plano, talvez, do treinador. Era um plano do treinador, não era um plano da estrutura. Entra o Quique Flores e ele nem sabia quem é que eu era, de certeza. Eu lembro-me que regressei para fazer a pré-época com ele, mas senti que fui fazer a pré-época porque tinha havido um Europeu e faltavam jogadores. Eu fiz a pré-época praticamente toda a lateral-direito. Aí senti que o regresso era uma mentira.

Bola na Rede: Hoje em dia, olhando também para o SL Benfica, falta uma coincidência de planos, falta a estrutura escolher um treinador que coincida com os planos…? O que é que falta ali, porque parece-me que isso acontece cada vez mais, quando se devia estar a melhorar nesse aspeto?

Romeu Ribeiro: É um bocado difícil dizer, mas vai um bocado ao encontro ao que estamos a falar de não existir um plano. Agora, é óbvio que não vão poder jogar todos na equipa principal e os empréstimos vão acabar por acontecer e nem todos os jogadores têm a capacidade para jogar na equipa principal. Só que a grande diferença que existe hoje em dia – lá está, também por existir equipa B – é que um mesmo um miúdo que esteja na equipa B e seja emprestado, é sempre a um excelente clube. O empréstimo é sempre para um clube da Primeira Liga ou conseguem ser vendidos para mercados excelentes. A equipa B trouxe isso aos jogadores. Claro que ser emprestado ninguém quer ser, toda a gente quer jogar na equipa principal, mas hoje em dia os miúdos podem olhar para um empréstimo com mais tranquilidade do que existia na minha altura, por exemplo. São emprestados a clubes de Primeira Liga, clubes que lutam por excelentes objetivos. E mesmo que seja lutar para não descer, é sempre Primeira Liga.

Bola na Rede: Já voltamos a esta temática, mas agora pedia que nos focássemos um pouco no patamar sénior. Acaba por fazer poucos jogos pela equipa principal das águias e segue para alguns empréstimos consecutivos, passando pelo CD Aves, pelo CD Trofense e pelo CS Marítimo B até assentar praça em Penafiel. Na primeira época nos durienses, garante a subida à Primeira Liga e participa em 38 jogos. Juntando o plano individual ao plano coletivo, foi a melhor época da sua carreira como sénior?

Romeu Ribeiro: Somando tudo, sim, sem dúvida. Foi uma época brilhante, uma época que guardo com muito carinho. Acabamos por subir de divisão, ou seja, alcançámos o objetivo coletivo que é sempre o mais importante. Mas mesmo a nível individual foi uma época em que eu senti que cresci muito, cresci em aspetos que não pensei que fosse crescer tanto. Até a esse nível, foi mesmo muito bom e somando tudo foi claramente a melhor época.

Bola na Rede: Acredito que a época que esteja em segundo lugar nessa lista será a época imediatamente a seguir, porque é a temporada em que volta a jogar Primeira Liga. Sobe com o FC Penafiel em participa em 17 encontros primodivisionários. O FC Penafiel acabou por descer, mas foi o seu segundo contacto com o principal escalão (e, até ver, o último), depois das cinco partidas em que alinhou pelo SL Benfica na época 2007/08. Quão difícil e quão gratificante foi este caminho até voltar ao principal escalão do futebol português?

Romeu Ribeiro: Foi muito gratificante conseguir voltar à Primeira Liga, porque é o que eu costumo dizer: subi a montanha, consegui chegar ao topo e depois caí, mas caí lá bem para o fundo, mas consegui reerguer-me e consegui voltar a onde queria estar. Mas foi um caminho duro, um caminho muito complicado, mas quando conseguimos alcançar o objetivo é muito bom e faz-nos muito felizes.

Márcio Francisco Paiva
Márcio Francisco Paivahttp://www.bolanarede.pt
O desporto bem praticado fascina-o, o jornalismo bem feito extasia-o. É apaixonado (ou doente, se quiserem, é quase igual – um apaixonado apenas comete mais loucuras) pelo SL Benfica e por tudo o que envolve o clube: modalidades, futebol de formação, futebol sénior. Por ser fascinado por desporto bem praticado, segue com especial atenção a NBA, a Premier League, os majors de Snooker, os Grand Slams de ténis, o campeonato espanhol de futsal e diversas competições europeias e mundiais de futebol e futsal. Quando está aborrecido, vê qualquer desporto. Quando está mesmo, mesmo aborrecido, pratica desporto. Sozinho. E perde.

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