«Vivemos um futebol onde se cobram demasiados favores» – Entrevista Bola na Rede com Romeu Ribeiro

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«Casa Pia vai dar cartas, mesmo na Primeira Liga».

Bola na Rede: Voltava aqui ao patamar sénior… O FC Penafiel acaba por descer à Segunda Liga e o Romeu transfere-se para o Académico de Viseu, também do segundo escalão. Faz uma época nos viseenses e regressa aos penafidelenses, somando mais quatro temporadas pelos rubro-negros. A passagem por Viseu foi uma escolha própria ou alheia?

Romeu Ribeiro: Na altura, o que eu senti quando descemos de divisão que, nessa época em especial, (e o FC Penafiel até me convidou para renovar) senti que o FC Penafiel não me estava a dar o devido valor e senti que tinha que sair e surgiu a oportunidade do Académico de Viseu através do treinador que tinha começado a época anterior na Primeira Liga em Penafiel, o Ricardo Chéu, que me levou para Viseu com ele. Optei por isso, mas mais numa de estar “sentido” com o FC Penafiel. Senti que não me estavam a dar o devido valor, que faltava ali qualquer coisa. Quis sair para mostrar que eles iriam talvez sentir a minha falta. O que acabou por acontecer foi que sentimos a falta um do outro [risos]. As coisas em Viseu começaram bem até ao Ricardo Chéu sair, mas o clube na altura, comparado com o FC Penafiel, não tinha nada a ver. Em termos de condições, então… Era um clube que ainda estava muito atrás dos outros todos, estava demasiado amador e na altura eu não sabia disso. Depois da saída do Ricardo Chéu, senti que talvez não tivesse tomado a melhor escolha. Decidi voltar para o FC Penafiel, decidi voltar para casa, como costumo dizer, e era onde me sentia bem. Foi uma aprendizagem para os dois, tanto para o clube, como para mim. Acabámos por perceber que estávamos a precisar um do outro.

Bola na Rede: A verdade é que, nessa época, o Académico de Viseu, estando muito atrás dos outros clubes, ficou a cinco pontos do FC Penafiel. O que é que se passou nessa época – ao FC Penafiel ou ao Académico de Viseu?

Romeu Ribeiro: Foi mérito nosso, porque nós também com pouco conseguimos fazer muito – com pouco em termos de condições, porque em termos de equipa, tínhamos uma boa equipa. E o FC Penafiel tinha descido de divisão, então houve muita entrada de jogadores novos e perdeu-se um bocado do “ADN FC Penafiel”. Acho que eles acabaram por pagar um bocado essa fatura, foi o que eu percebi no ano em que regressei, falando com os colegas. Perdeu-se um bocado o ADN, porque o FC Penafiel é sempre uma equipa aguerrida, uma equipa que, mesmo as coisas não correndo bem, nunca vira a cara a luta, ou seja, muito perto do que é o povo duriense. Nós também começámos bem, lembro-me de andarmos lá em cima no início, mas depois as coisas desabaram.

Bola na Rede: Regressa, então, a Penafiel, onde fica por quatro épocas. Sai depois para o Casa Pia AC, onde esteve uma temporada (a transata). Foi uma passagem singela, mas que lhe deu prazer?

Romeu Ribeiro: Imenso, imenso prazer. Eu penso bastante nisto: gostava de ter apanhado o Casa Pia AC numa altura diferente da minha carreira, porque do Casa Pia AC só posso falar bem, enquanto clube. E até diria que os clubes da Segunda Liga deveriam olhar para o projeto Casa Pia AC como um projeto-piloto. Deviam guiar-se pelo projeto que está a construir o Casa Pia AC, porque é aquilo que eu defendo. É um clube que vai crescer e está a crescer – tinha a certeza disso. E é um clube que vai crescer ainda mais, tenho a certeza que o Casa Pia AC vai acabar por subir de divisão – e espero que assim aconteça em breve – e, mesmo na Primeira Liga, vai dar cartas. Não tenho dúvida nenhuma, porque o projeto é extremamente sólido. As pessoas entendem de futebol, sabem o que é preciso e têm uma parte que eu também gosto bastante que é o scouting, onde eles são mesmo muito fortes. São pessoas excelentes, conseguiram construir ali um ambiente excelente. Também estão muito bem orientadas pelo mister Filipe Martins, tanto ele, como a equipa técnica são mesmo muito bons no que fazem. Eu só posso dizer bem do Casa Pia AC. Só tenho mágoa de ter apanhado o Casa Pia AC numa fase diferente da minha carreira.

Bola na Rede: Ia perguntar se acreditava, já na época passada, que os casapianos tinham capacidade para subir esta temporada, mas já acabou por me responder. Caso subam – e partilho da opinião, também acho que vão subir -, este projeto é suficiente para depois se agarrarem vários anos à primeira divisão? Basta este projeto ou as coisas podem correr mal mesmo havendo um projeto bem definido? Pode haver aqui um novo caso GD Estoril Praia, em que sobem e dão logo cartas na época seguinte, ou as pessoas dentro do Casa Pia AC têm consciência de que precisam de solidificar o projeto para daqui a uns anos se tornarem uma equipa de primeira metade da tabela na Primeira Liga?

Romeu Ribeiro: É um bocado das duas. É curioso que eu ia dar até o exemplo do próprio GD Estoril Praia, ia dizer que acreditava que o Casa Pia AC subisse e que na época seguinte fosse mais ou menos o que está a ser o GD Estoril Praia agora. E acredito nisso! Acredito que mesmo dentro do projeto eles sabem que têm que fazer ajustes, mas acredito tanto no projeto e acredito tanto nas pessoas que estão à frente do projeto que acredito que eles, caso consigam subir e acho que sim, consigam fazer uma época excelente, porque vão ter ali o suporte dessas tais pessoas que fazem parte do projeto. Eles, acima de tudo, são conscientes e sabem o que é necessário para se conseguirem depois manter. É um clube que vai dar cartas e que, se continuar assim, aguentam-se uns bons anos na Primeira Liga, sem problemas nenhuns.

Bola na Rede: O Romeu dizia que os clubes da Segunda Liga deviam olhar para o Casa Pia AC como um projeto-piloto. Eu diria que, se calhar, até alguns da Primeira Liga deveriam fazê-lo, não sei se concorda…

Romeu Ribeiro: Também concordo, também concordo. Acho que há clubes na Primeira Liga – pelo menos é o que dá a entender a nós que estamos de fora – que se nota que não têm um plano definido, que não sabem por onde é que querem ir. E quando assim é, são projetos a curto prazo. E esses projetos curto prazo acabam por não funcionar tão bem. O Casa Pia AC, é o que eu costumo dizer, é um projeto a longo prazo, mas é um projeto bem consolidado, eles sabem por onde querem ir, sabem o que é necessário para o conseguirem e, logo por aí, é meio caminho andado.

Márcio Francisco Paiva
Márcio Francisco Paivahttp://www.bolanarede.pt
O desporto bem praticado fascina-o, o jornalismo bem feito extasia-o. É apaixonado (ou doente, se quiserem, é quase igual – um apaixonado apenas comete mais loucuras) pelo SL Benfica e por tudo o que envolve o clube: modalidades, futebol de formação, futebol sénior. Por ser fascinado por desporto bem praticado, segue com especial atenção a NBA, a Premier League, os majors de Snooker, os Grand Slams de ténis, o campeonato espanhol de futsal e diversas competições europeias e mundiais de futebol e futsal. Quando está aborrecido, vê qualquer desporto. Quando está mesmo, mesmo aborrecido, pratica desporto. Sozinho. E perde.

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