«Figo e Rui Costa saíram em minha defesa no caso do doping» – Entrevista BnR com Kenedy

- Advertisement -

O Bola na Rede esteve à conversa com Kenedy, de quem Sven-Goran Eriksson diz que é o melhor júnior que treinou. Dos jogos na rua a apanha-bolas dos seus ídolos no Estádio da Luz é um pulo. Formado no SL Benfica, sobe à primeira equipa e vence uma Taça e um Campeonato. Segue-se o Paris SG, onde aprende a falar francês rapidamente e se torna o pagode no balneário, de onde regressa precocemente para conquistar uma dobradinha no FC Porto. É treinado por JJ no Estrela mas é no Marítimo onde passa os melhores anos da carreira. Pelo meio, perde o barco para o Mundial 2002 devido a um controlo positivo de doping, numa situação que tem contornos sui generis. Na Grécia, vive na pele o louco futebol e como treinador adota uma relação de proximidade com os seus jogadores.

– Dos jogos na rua a apanha-bolas no Estádio da Luz –

Bola na Rede [BnR]: Nasces a 18 de fevereiro de 1974, na Guiné-Bissau. Quais são as primeiras memórias da infância?

Kenedy [K]: Tenho poucas memórias porque eu vim ainda pequeno para Portugal, mas já voltei lá depois disso. Lembro-me de em miúdo jogar à bola nas ruas, depois aqui em Portugal foi basicamente escola e futebol. Jogar futebol sempre foi a minha paixão, desde miúdo. Lembro-me que desde os 10 anos já jogava com rapazes de 15/16 anos e fui crescendo assim.

BnR: Eras adepto de algum clube em miúdo?

K: Não, em miúdo não era assim muito adepto de um clube. Às vezes ia com um tio meu ver os jogos do Sporting, porque ele gostava muito, mas eu não ligava muito. Obviamente que quando comecei a jogar nas camadas jovens do Benfica, desde esse momento passou a ser o meu clube.

BnR: Quando é que vens para Portugal?

K: Tinha 4/5 anos, vim viver com a minha avó. Penso que era infantil de primeiro ano, estava no Cultural da Pontinha e como infantil de segundo ano já vim para o Benfica, por volta dos 11/12 anos.

BnR: Fala-me do teu percurso no futebol de formação.

K: Foram tempos fantásticos, são totalmente diferentes de hoje em dia. No meu primeiro ano de infantil joguei no Cultural da Pontinha e lembro-me de nesse ano ter ido fazer uns treinos ao Benfica com um amigo meu que jogava comigo, o Hugo Costa. Ele jogava no Benfica já e disse “Vens comigo lá treinar”. Eu fui mas a equipa já estava mais ou menos feita, eu treinava um bocadinho ali atrás da baliza e tal mas nada. E acabei por ir para o Cultural da Pontinha. Fiz esse primeiro ano de infantil no Cultural e, por ironia do destino, o Benfica no ano a seguir contrata-me. Lembro-me que pagou ao Cultural bolas, equipamentos e mais uns trocos.

BnR: Tinhas algum ídolo quando eras jovem?

K: Em miúdo nem por isso mas a partir dos 14/15 anos já estava mais desperto para isso e o Benfica tinha grandes jogadores, o Valdo, lembro-me do Aldair, o Rui Águas, Pacheco. Eu era apanha-bolas deles quando estava na formação do Benfica. [pausa, houve-se uma voz no fundo e Kenedy desata-se a rir] O meu tio está a perguntar-me se eu não gostava do Eusébio e do Pelé (risos). Claro, eu não os vi jogar mas toda a gente sabia quem eram e o quão extraordinários eram, já tinham ouvido histórias deles. E tive a sorte de o Eusébio ter sido meu treinador nas camadas jovens, apanhei também o Mister Coluna, ouvi histórias dele, que tinha sido um grande jogador no Benfica. Mas pronto eu lembro-me perfeitamente de ser apanha-bolas deles e passado uns anos poder jogar com eles…

BnR: É um sonho de menino, como canta Tony Carreira.

K: É. Até tenho uma história engraçada desses tempos de apanha-bolas. Foi num Benfica-Steaua Bucareste, acho que o Rui Águas marcou dois ou três golos. Eu nesse jogo estava a apanha-bolas e fiquei na zona da baliza, ali dos lados. A certa altura fui buscar a bola e pu-la na marca do pontapé de canto. O Pacheco na altura chegou lá e nem mexeu na bola, porque eu tinha ajeitado a relva à volta quando coloquei a bola. O Pacheco bate o canto e o Rui Águas de cabeça fez o golo. Eu andei a semana toda a dizer que eu é que tinha preparado a bola (risos). Depois subo a sénior e jogo com eles, Rui Águas, Pacheco, Mozer, aqueles que eu andava a apanhar bolas acabei por jogar com eles.

Frederico Seruya
Frederico Seruya
"It's not who I am underneath, but what I do, that defines me" - Bruce Wayne/Batman.                                                                                                                                                O O Frederico escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Onde ver o Inter Milão x Juventus da 25.ª jornada da Serie A?

O Inter Milão vai receber a Juventus, em jogo da 25.ª jornada da Serie A. O encontro será transmitido na SPORT TV 4.

Podcast Papo de Bola #100 – Martín Anselmi no Botafogo: como vai correr?

O "Papo de Bola" desta semana traz uma análise ao treinador Martín Anselmi, que iniciou sua trajetória no Botafogo. Que treinador assinou pelo fogão? O do Del Valle ou o do FC Porto?

São Paulo derrota Grêmio de Luís Castro e sobe ao 1.º lugar do Brasileirão

O São Paulo venceu em casa o Grêmio de Luís Castro por 2-0 na terceira jornada do Brasileirão e subiu ao 1.º lugar.

Jaume Grau de saída do AVS SAD

Jaume Grau alcançou um entendimento com o AVS SAD para deixar o clube nesta fase da temporada.

PUB

Mais Artigos Populares

Boston Celtics de Neemias Queta bate Chicago Bulls e regressa às vitórias

Os Boston Celtics venceram em casa os Chicago Bulls por 124-105. Neemias Queta estava em dúvida, mas foi a jogo como titular.

Botafogo reforça plantel com Jhoan Hernández

O Botafogo anunciou a chegada do defesa Jhoan Hernández, lateral-esquerdo colombiano de 19 anos, proveniente do Millonarios. O jogador chega por empréstimo até final de 2026.

Pep Guardiola rendido a internacional português: «É insubstituível, quando não pode jogar ali, temos de mudar o sistema»

Pep Guardiola teceu elogios a Bernardo Silva após a vitória do Manchester City diante do Fulham, por 3-0, em jogo da Premier League.