«No início do Belenenses SAD X SL Benfica vieram-me as lágrimas aos olhos» – Entrevista BnR com Tomás Ribeiro

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Professor Neca entrevista À BnR

Da Liga Revelação veio um defesa-central esquerdino que a Primeira Liga conheceu no Belenenses SAD. Aos 22 anos, Tomás Ribeiro era já capitão dos azuis, mas deixou a braçadeira em Lisboa e foi contribuir para o aumento da diáspora portuguesa na Suíça. Os interessados na sua contratação, falava-se, eram muitos, entre eles o Sporting CP, de quem diz nunca ter recebido qualquer abordagem. Fala-nos sobre a adaptação a partir das instalações do novo clube, o Grasshoppers, onde sente que está há mais tempo do que apenas desde janeiro, ainda com o dia em que o Belenenses SAD entrou em campo com nove jogadores na memória.

– Nova casa –

«Tempo útil de jogo? Na Suíça é sempre a andar»

Bola na Rede: Assinaste pelo Grasshoppers até 2026. Já estás a aprender a falar alemão?

Tomás Ribeiro: Sem dúvida que é uma das coisas que, assim que cá cheguei, pensei que fosse importante fazer. Não porque o pessoal de cá não fale inglês, mas obviamente que o alemão é a língua-mãe aqui. O próprio clube proporciona isso. Têm um professor ao dispor e temos aulas de alemão. Como houve alguns jogadores que já estavam mais avançados, teve que se perceber aqui como é que íamos fazer. Mesmo eu, que sou muito curioso, tenho tentado usar algumas aplicações que eles me deram e dar uns toquezinhos, mas não é fácil. Prometo que estou afincadamente a trabalhar nisso.

Bola na Rede: O português também deve funcionar aí no balneário.

Tomás Ribeiro: Funciona muito e funciona bem.

Bola na Rede: Que papel têm tido os portugueses na tua integração?

Tomás Ribeiro: Estaria a mentir se dissesse que não foram muito importantes. No entanto, temos um balneário muito aberto. Ninguém chega ao Grasshoppers e tem dificuldade em entrar no grupo. Sinto-me como se estivesse aqui há mais tempo do que só desde janeiro.

Bola na Rede: Estás aí a morar sozinho?

Tomás Ribeiro: Já tive cá a minha namorada, já tive cá os meus pais, mas estou cá a viver sozinho.

Bola na Rede: És natural de Lisboa e jogaste sempre por aqui. Nesta tua primeira experiência fora, do que é que tens sentido mais falta?

Tomás Ribeiro: Vou sentindo falta de algumas coisas, mas por haverem muito portugueses aqui e por a Suíça ser um país muito multicultural, consegue-se arranjar sempre muitas coisinhas tipicamente portuguesas. Tenho alguma independência ao nível de cozinhar e, às vezes, gosto de inventar, mas falta sempre aquela ida àquele restaurante, aquele prato da avó e do avô. Essas coisas, de vez em quando, apetece. Uma pessoa parece que está a fazer aquele prato que está a imaginar, do restaurante ou da avó, e aquilo sai completamente ao lado.

Bola na Rede: Fala-me da tua adaptação. Já te perdeste a ir para o centro de treinos?

Tomás Ribeiro: Não, não. Isto aqui é espetacular. Estamos aqui a 15 minutos do aeroporto e a 20 do centro da cidade. Assim como eu cheguei, chegaram mais jogadores, inclusivamente, o Bruno Jordão, que também é português. Eles são muito preocupados em arranjar-nos logo casa, o que não é uma coisa fácil aqui, ainda que, como tinha saído um jogador, acabei por ficar com a casa dele. Preocupam-se muito que os jogadores tenham as condições básicas como casa, carro ou mesmo tarifário. Portanto, nada disso foi muito difícil. Foram tudo coisas tratadas na primeira semana de trabalho e coisas feitas em dias.

Bola na Rede: Depois de todos os rumores em que estiveste envolvido, aterraste no contexto que esperavas?

Tomás Ribeiro: Entendi que era um projeto que me interessava muito, porque senão tinha ficado no Belenenses SAD, a quem devo imenso por me ter lançado na Primeira Liga e por me ter deixado usar a braçadeira de capitão. Estou num contexto que me vai permitir evoluir muito. É um futebol muito diferente do português, ainda que não seja, de todo, inferior. Vê-se que é um clube que não tem medo de apostar. Só posso agradecer pela oportunidade.

Bola na Rede: Quão perto estiveste de ser reforço do Sporting CP?

Tomás Ribeiro: Nunca soube de nada. O meu foco estava mesmo no Belenenses SAD. Todos os dias saíam notícias diferentes. Sempre relativizei as coisas e soube organizá-las. Por isso, é que tenho um empresário. Estive em contacto com ele, mas não estava preocupado se ia ser reforço daqui ou dali. Até ao momento em que ele me ligasse, ia ser um rumor. A partir do momento em que ele me ligasse sobre o que quer que fosse, pensar-se-ia nisso. Sobre o Sporting CP eu nunca tive nenhuma abordagem.

Bola na Rede: Mudaste de uma equipa que lutava para não descer em Portugal para uma equipa que luta por não descer na Suíça. Apesar de tudo, sentes que evoluíste no patamar competitivo?

Tomás Ribeiro: Muito. Não estamos na melhor situação agora. O clube sabe, o grupo sabe. temos tido umas exibições melhores, outras piores, o que é normal num grupo jovem como o nosso, mas não tenho dúvidas nenhumas que mais tarde ou mais cedo os resultados vão aparecer.

Bola na Rede: As condições do clube são muito diferentes do que tinhas em Portugal?

Tomás Ribeiro: Sim, bastante. Aqui é muito, muito bom.

Bola na Rede: Em que aspetos é que melhorou?

Tomás Ribeiro: A capacidade de termos três campos relvados e dois sintéticos. Aqui, equipas como o BSC Young Boys ou FC Lausanne-Sport têm campos sintéticos. É importante nessas semanas trabalhar no sintético, porque é completamente diferente jogar num sintético ou jogar num relvado. Já não sabia o que era treinar num sintético há muito tempo. O Grasshoppers tem muitas condições de ginásio, mesmo a parte do spa é espetacular. Temos um complexo muito bem equipado.

Bola na Rede: Se estabelecêssemos um paralelo com o futebol português, estaríamos a falar dos de condições ao nível dos clubes que ocupam os primeiros lugares?

Tomás Ribeiro: Sim. Top-5, provavelmente.

Bola na Rede: Quais são as principais diferenças que destacas entre o futebol português e o futebol suíço?

Tomás Ribeiro: No futebol português fala-se imenso do tempo útil. Eles aqui é sempre a andar. O futebol aqui é sempre jogado. As equipas procuram sempre jogar para a vitória. Não há a procura pelo pontinho, as equipas tentam sempre vencer. É um futebol extremamente competitivo. Diria também que é um bocadinho mais físico.

Bola na Rede: Quem é que achas que são os principais responsáveis por esse tempo útil de jogo?

Tomás Ribeiro: Toda a gente tem um papel importante nisso. Os jogadores porque não procuram aquele tipo de faltas fraquinhas, os árbitros por não darem esse à-vontade aos jogadores e mesmo a cultura que já está imposta na Suíça que é a de deixar andar. Se o árbitro errar, que é humanamente possível, tem a oportunidade de ir ao VAR, em algumas situações, obviamente, e voltar atrás na sua decisão.

Francisco Grácio Martins
Francisco Grácio Martinshttp://www.bolanarede.pt
Em criança, recreava-se com a bola nos pés. Hoje, escreve sobre quem realmente faz magia com ela. Detém um incessante gosto por ouvir os protagonistas e uma grande curiosidade pelas histórias que contam. É licenciado em Jornalismo e Comunicação pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e frequenta o Mestrado em Jornalismo da Escola Superior de Comunicação Social.

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