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«No início do Belenenses SAD X SL Benfica vieram-me as lágrimas aos olhos» – Entrevista BnR com Tomás Ribeiro

– Passado Azul –

«No início do Belenenses SAD X SL Benfica vieram-me as lágrimas aos olhos»

Bola na Rede: Acabaste por ser um dos primeiros grandes produtos da Liga Revelação. Que importância teve a competição para ti?

Tomás Ribeiro: Imensa. A Liga Revelação foi uma das melhores coisas que já criaram em Portugal. O jogador português é muito bom a nível técnico e tático e, ao mesmo tempo, é muito trabalhador. A Liga Revelação vai continuar um papel muito importante no que toca a jovens que possam, ao fim e ao cabo, ver facilitada a transição de júnior para sénior.

Bola na Rede: Acontece também que na formação não participaste com regularidade, por exemplo, em fases finais dos campeonatos nacionais ou na Youth League, como acontece com outros jogadores.

Tomás Ribeiro: Fez-me crescer a outros níveis. Nunca tive o peso de jogar em equipas ditas grandes em Portugal, mas creio que ter jogado no CAC, no Clube de Futebol “Os Belenenses”, cresci mentalmente como atleta. Aprende-se muito. Como em tudo na vida, seja nas situações positivas, seja nas situações não tão positivas, há sempre algo de bom a tirar. Mesmo nas próprias lesões. No futebol há uma coisa boa: no dia a seguir, temos sempre mais uma oportunidade. Portanto, se as coisas não estão a correr bem e deitarmos a toalha ao chão, aí é que as coisas não vão mudar.

Bola na Rede: Na maior parte do tempo, enquanto sénior, estiveste com o mister Petit. Ele soube espremer ao máximo as tuas capacidades?

Tomás Ribeiro:  Para um jovem como eu, tive que trabalhar e ouvir muito para garantir um lugar a titular. Muito lhe devo a ele. Uma das características que tive que mudar foi o responder e ser teimoso. O próprio mister trabalhou isso comigo. Bebi muito de todos os treinadores, mesmo os da formação. Tive treinadores que, até agora, sempre quiseram retirar o melhor de mim.

Bola na Rede: A braçadeira pesou no braço de um jovem de 22 anos?

Tomás Ribeiro: A braçadeira é um símbolo de orgulho e responsabilidade. Não tem a ver com privilégios e benefícios. Em onze jogadores de campo, há um que tem que usar a braçadeira, mas há onze que têm que ter um papel determinante no jogo, no treino ou no balneário. No Belenenses SAD, até podia ser o capitão e usar a braçadeira, mas há um capitão dentro do balneário, um capitão que põe a música. Cada um de nós é diferente e, por ser diferente, há de ser mais forte nuns aspetos do que noutros. Foi um orgulho tremendo usar a braçadeira este ano no Belenenses SAD, mas cada jogador deve tentar tirar o capitão que tem dentro de si.

Bola na Rede: Como capitão, o que é que disseste aos nove jogadores que foram para dentro do campo no jogo frente ao SL Benfica?

Tomás Ribeiro: Disse-lhes que a vergonha estava a acontecer e que ia ser um dia negro para o futebol português, mas que entrassem dentro de campo e honrassem o símbolo que tinham ao peito. Estava a imagem de todos em causa. Essa situação não foi fácil. Lembro-me de estar a assistir àquilo tudo e não parecia real. Não tenho palavras para descrever. Foi muito mais do que estranho. Pesou. No momento do apito inicial, vieram-me as lágrimas aos olhos. Na altura, estava com a minha família em casa em isolamento. Aquilo custou-me muito. Viram-se tantos jogos de outros campeonatos serem adiados. Por que não o Belenenses SAD X SL Benfica ser adiado? Não o foi. Ainda tentei falar com eles no intervalo e falámos depois do jogo. Não é fácil retirar coisas positivas daí, mas há.

Bola na Rede: Como por exemplo…

Tomás Ribeiro: É um assunto delicado. A forma como nos manifestámos no Instagram mostrou o espírito de grupo. O quão longe isso chegou mostra o dia negro que foi para o futebol português.

Em criança, recreava-se com a bola nos pés. Hoje, escreve sobre quem realmente faz magia com ela. Detém um incessante gosto por ouvir os protagonistas e uma grande curiosidade pelas histórias que contam. É licenciado em Jornalismo e Comunicação pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e frequenta o Mestrado em Jornalismo da Escola Superior de Comunicação Social.

Em criança, recreava-se com a bola nos pés. Hoje, escreve sobre quem realmente faz magia com ela. Detém um incessante gosto por ouvir os protagonistas e uma grande curiosidade pelas histórias que contam. É licenciado em Jornalismo e Comunicação pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e frequenta o Mestrado em Jornalismo da Escola Superior de Comunicação Social.

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