«Já acham que o Petro de Luanda é o FC Bayern de Munique de África» – Entrevista BnR com Alexandre Santos

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«Se continuarmos assim, vamos conseguir ser campeões»

Bola na Rede: O título do Girabola foge ao Petro há 13 anos. Que ambiente está criado em torno da equipa?

Alexandre Santos: O ambiente fora da equipa é o mais perigoso, porque já ninguém sabe o que é terminarmos um jogo a perder. Há uma sobrevalorização de tudo, como é típico no futebol. Já acham que somos o FC Bayern de Munique de África. Depois existem algumas comparações como dizerem que somos a equipa que marca mais golo só atrás do FC Bayern de Munique ou dizem que o nosso estilo de jogo é o tiki-taka de África. A época está a ser muito boa, mas é preciso concretizar. A equipa tem respondido de forma consciente e humilde. Há que aproveitar o momento. Se continuarmos assim, vamos conseguir ser campeões.

Bola na Rede: Mesmo que a Liga dos Campeões Africana não seja o principal objetivo, reconhece que é uma boa plataforma para projetar o seu trabalho e o talento dos jogadores?

Alexandre Santos:  A equipa tem percebido que a Liga dos Campeões Africana tem sido muito proveitosa, mas que o Girabola é o mais importante de tudo. Ganharam a Taça de Angola no ano passado, mas o que querem mesmo é o Girabola. É um clube com muita pressão. A equipa está a fazer algo que não é normal na Liga dos Campeões de Angola, estamos a ser uma exceção à regra. O Petro, no ano passado, fez apenas um ponto e não marcou nenhum golo na fase de grupos. Estão-nos a dar mais valor pela prestação na Liga dos Campeões Africana externamente do que internamente. Os egípcios e os marroquinos não estavam à espera e por isso falam muito de nós. O presidente quer que o Petro seja um grande de África. O problema é ter uma competição interna que é claramente inferior a muitas outras competições de África. O futebol angolano tem que se ir desenvolvendo internamente ao nível que os grandes clubes e os grandes países se vão desenvolvendo. Tem que ter melhor formação, mais organização e melhores condições de trabalho. Por exemplo, há muito futebol de rua, mas depois há dificuldades em passar para o futebol federado, porque há poucos clubes e poucas condições. Os jogadores chegam a seniores e é a primeira vez que trabalham em relvados, é a primeira vez que comem como deve ser e é a primeira vez que trabalham certas coisas.

Bola na Rede: O Petro tem condições para, no futuro, vencer a Liga dos Campeões de África? 

Alexandre Santos: Sim, mas tem que manter a estrutura profissional. Não pode mudar radicalmente o que está a construir. Estamos a falar de uma distância maior do que um SL Benfica ou um FC Porto ser campeão europeu neste momento. O futebol português está nas cinco/seis competições mais fortes da Europa. O futebol angolano não está nas melhores competições de África.

Bola na Rede: Que responsabilidade atribui a si próprio na campanha da equipa até agora?

Alexandre Santos: Vim numa fase em que eles precisavam que alguém fizesse o que faltava fazer: dar um rumo e uma lógica. Os jogadores queriam um líder que fosse exigente, mas, ao mesmo tempo, que os compreendesse. Houve aqui um passado recente com muitas confusões. Aquela coisa típica dos clubes que não ganham há muitos anos e depois é asneira atrás de asneira. Melhorarmos os nossos processos, com a qualidade dos jogadores que temos, foi essencial para reforçar a minha liderança.

Alexandre Santos
Fonte: Petro de Luanda

Bola na Rede: Do ponto de vista motivacional, como é que se mantém uma equipa dentro dessa dinâmica de vitória constante?

Alexandre Santos: Temos um plantel que é bastante homogéneo. Não há titularíssimos e não titulares. Olhei para o calendário e fiz questão de lhes mostrar que tínhamos que contar com todos. Era muito importante sermos uma equipa que não tivesse um onze e depois jogassem só mais dois ou três ou quatro. É muito habitual aqui jogarem sempre os mesmos, independentemente de haverem muitos jogos ou não. Os jornais diziam muitas vezes “o treinador Alexandre Santos ainda procura o seu onze”, porque eu nunca usava o mesmo onze. Quando os jogos têm dois, três dias de distância, somos capazes de mudar seis ou sete jogadores.

Bola na Rede: Ou seja, tem sempre os jogadores motivados, porque têm minutos.

Alexandre Santos: Há jogadores que, naturalmente, jogam muito mais do que outros. Os jogadores foram sentindo que ninguém era titular indiscutível e que toda a gente podia jogar. Havia gente a querer jogar, mas não havia gente descontente e desmotivada. Eles acreditaram nessa lógica.

Bola na Rede: Houve uma mensagem especial na altura da primeira derrota?

Alexandre Santos: A primeira derrota custou. Obrigou-nos a refletir, porque percebemos que tínhamos que ser mais fortes ainda em algumas coisas. Concentrámo-nos mais em nós próprios e percebemos que tínhamos que ser melhores, indiscutivelmente, que os outros todos. Isso transportou a equipa para um nível de rendimento muito superior. Ao início, eram dois, três jogadores nossos convocados à seleção angolana, agora são sete.

Bola na Rede: Tendo em conta que o selecionador de Angola também é português, qual é a relação que tem com Pedro Gonçalves?

Alexandre Santos: Já o conhecia há vários anos. Ele também trabalhou no Sporting CP. Depois, encontrámo-nos aqui, mas, antes de nos encontrarmos, falámos por telefone. Falámos de vários jogadores da minha equipa que ele conhecia.

Francisco Grácio Martins
Francisco Grácio Martinshttp://www.bolanarede.pt
Em criança, recreava-se com a bola nos pés. Hoje, escreve sobre quem realmente faz magia com ela. Detém um incessante gosto por ouvir os protagonistas e uma grande curiosidade pelas histórias que contam. É licenciado em Jornalismo e Comunicação pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e frequenta o Mestrado em Jornalismo da Escola Superior de Comunicação Social.

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