O globetrotter da tática – Entrevista a Eduardo Almeida

- Advertisement -

entrevistas bola na rede

“Em África, treinava com duas ou três bolas, num campo pelado, com paus a fazer de baliza. Era complicado. Que não se compare a países onde dispomos de 40 bolas, dez balizas amovíveis e tudo e mais alguma coisa; no entanto, o produto final a alcançar é o mesmo: que a equipa jogue e ganhe!”

O mister Eduardo Almeida é um treinador com uma grande “cultura tática”. Aos 38 anos, já trabalhou com equipas de três continentes do globo e é um apaixonado por futebol. Estivemos à conversa e deu-nos a oportunidade de saber um pouco mais sobre a sua eclética carreira.

Bola na Rede: Começou por treinar os iniciados do Alenquer e Benfica, aos 20 e poucos anos. Como é que essa paixão surgiu tão cedo?

Eduardo Almeida: Sim, foi no Alenquer e Benfica que tudo começou. Na altura já gostava muito de futebol, embora não fosse propriamente muito dotado para a modalidade. O que jogava inclusive, era hóquei em patins. Mas gostava mesmo muito de futebol. Depois fui para a faculdade tirar a licenciatura em Desporto e surgiu a oportunidade de ir para o Alenquer e Benfica e para as escolinhas de formação do Benfica. A partir daí comecei a treinar e a gostar cada vez mais do treino e da modalidade.

BnR: Em seguida passou pela equipa técnica do União de Almeirim e do Atlético do Cacém, e dá-se aqui uma grande mudança. Como surge esta oportunidade de ir para Hong Kong fazer parte da equipa técnica de um clube da Primeira Liga?

EA: Fui para os seniores como adjunto do Atlético do Cacém, e depois Adjunto da Equipa A e principal da B. Fiquei mais uma época até surgir Hong Kong, é verdade. Um treinador meu conhecido, o Zé Luís, com quem já tinha trabalhado no Benfica, nas camadas jovens, estava em Hong Kong e precisava de alguém para ir treinar com ele o South China, e eu aceitei de imediato.

Fonte: Eduardo Almeida
Fonte: Eduardo Almeida

BnR: E a adaptação ao futebol asiático e aos jogadores?

EA: Nesse ano, e comparando com o nosso futebol, ainda eram um pouco amadores, na verdade. Não tinham comportamentos muito profissionais, e tratava-se de um futebol com pouca visibilidade. Recordo-me de um torneio que fizemos de Ano Novo, onde jogámos contra equipas estrangeiras, o La Galaxy, por exemplo, e como iam jogadores de fora, como Beckham, os estádios enchiam mas o futebol não era, de longe, o desporto de eleição. Lá, gostam mais de corridas de cavalos e desportos desse tipo.

BnR: Volta a Portugal, em 2008, ao Atlético do Cacém novamente, mas como treinador principal. Passa pelo Estrela da Amadora e dá-se outra mudança, African Lyon FC. Sei que gostou particularmente desta experiência na Tanzânia; pode contar-nos porquê?

EA: Na altura as redes sociais não eram tão desenvolvidas como são hoje mas vi num site que precisavam de um treinador para um clube da 1.ª Liga, na Tanzânia, que eu nem sabia bem onde ficava, sinceramente. Enviei o meu currículo por e-mail, eles gostaram, trocámos alguns mails e acabei por acertar as coisas com eles e meter-me no avião. Não conhecia lá ninguém mas superou as minhas expectativas! São completamente apaixonados por futebol e gostei logo muito da equipa, da forma como vivem o futebol. Os adeptos também vão muito aos estádios, e no que toca às equipas grandes, então, é estádio cheio garantido.

Hoje, os clubes têm mais dinheiro, mas naquela altura não era assim, então a vivência da modalidade era outra, acabando por envolver mais paixão, porque dinheiro não havia. Só dois ou três clubes eram organizados; os restantes eram muito limitados.  E depois comecei a gostar do país, fiz muitos amigos e já lá voltei novamente para fazer férias e para trabalhar também, a ajudar o presidente, que se tornou, aliás, num grande amigo. Gosto da simplicidade das pessoas e da alegria que têm, mesmo perante as dificuldades. Foi isso que me fez apaixonar-me verdadeiramente!

Patrícia Ribeiro Fernandes
Patrícia Ribeiro Fernandeshttp://www.bolanarede.pt
Desde que se conhece que a Patrícia gosta de bola e chegou mesmo a jogar, mas a vida seguiu por outros rumos. Como mulher de paixões que é, encontra no Benfica a maior de todas e é a escrever que se sente em casa.                                                                                                                                                 A Patrícia escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Especial Bola na Rede: A análise aos sorteios do FC Porto e Sporting na Champions League

O Bola na Rede lançou um episódio especial de análise ao sorteio da Champions League. Caminho de FC Porto e Sporting debaixo de olho.

Torino avança por Daniel Bragança e já conhece preço do médio do Sporting: eis o motivo que atrasa o negócio

Daniel Bragança é alvo do Torino. O emblema italiano quer o médio do Sporting, mas terá que fechar vendas antes.

Nova regra da UEFA impede confronto do Benfica no sorteio da Europa League

O Benfica não pode defrontar a Juventus em Turim na fase de liga da Europa League. Regulamento da UEFA impede jogo.

Bernardo Palmeiro confessa satisfação com o mercado e olha para o fado do Sporting na Champions League: «Estamos no grupo dos melhores da Europa...

Bernardo Palmeiro fez a análise do sorteio do Sporting na Champions League. Diretor-geral do futebol profissional do Sporting falou.

PUB

Mais Artigos Populares

Eis as 36 equipas que vão jogar a Europa League e a composição dos 4 potes

O Benfica e o Torreense vão estar na fase de liga da Europa League. Vê as 36 equipas presentes, bem como a composição dos potes.

Rui Costa olha à «obrigação» da Europa League e para os nomes em destaque no Benfica, Palhinha e mercado: «As principais peças para reforçar...

Rui Costa falou depois do apuramento do Benfica para a Europa League. Presidente encarnado comentou atualidade do clube.

André Villas-Boas analisa sorteio, fala do mercado, dos polacos e em alvo do FC Porto com certeza: «Uma presença nos quartos de final era...

André Villas-Boas falou à margem do sorteio da Champions League. Presidente do FC Porto olhou aos adversários e ao mercado.