«O FC Shakhtar lutava para ser campeão em Portugal» – Entrevista a Luís Castro (Parte I)

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– A evolução como treinador e as equipas ucranianas –

«Há coisas que estão a mudar na minha cabeça».

BnR: Luís, nesta sua nova aventura na Ucrânia, houve alguma coisa que mudou na sua forma de pensar o jogo e de comunicar com os atletas?

LC: Sim, há coisas que estão a mudar na minha cabeça, como a forma como vejo a saída de bola por trás e como deve haver variabilidade nesse momento. O futebol passou por momentos em que as equipas construíam por trás e onde as equipas que não eram tão poderosas guardavam um bloco atrás, permitindo que a equipa saísse com maior conforto. Depois começaram a aparecer equipas que começaram a pressionar mais alto e isso faz com que as equipas que gostam de sair por trás tenham de encontrar soluções diferentes e linhas de passe mais longas para fugir aos blocos mais altos. Tudo isto e a forma como temos de analisar de forma mais profunda adversários tão complexos como o City ou a Atalanta faz-nos refletir e mudar um pouco a nossa cabeça.

BnR: Deduzo pelo que diz que esta experiência no Shakhtar parece estar a ser a mais enriquecedora até ao momento?

LC: A experiência mais enriquecedora em termos de conhecimento foi a vivência ao longo de dez anos com o professor Vitor Frade, por causa da forma como ele coloca problemas e nos obriga a refletir sobre eles e a adquirir conhecimentos para os resolver. No Shakhtar, fomos obrigados a ir buscar skills das quais não achávamos que íamos precisar, para já. E falo também da minha equipa técnica: ela é muito heterogénea nas suas competências, como a análise de jogo e dos sistemas de vídeo-análise. E este desafio está a ser muito exigente no que diz respeito à estratégia e ao plano de jogo, porque jogamos sábado e depois terça para a Champions e só podemos estar uma vez a treinar no terreno do jogo, o que nos coloca em vivências diferentes. É um momento que nos obriga a dar o melhor de nós.

O FC Shakhtar é líder da Liga Ucraniana com 50 pontos, mais 14 do que o Dínamo Kiev
Fonte: FC Shakhtar

BnR: Que diferenças encontra entre o futebol português e o ucraniano, dentro e fora do relvado?

LC: Dentro do relvado não anda muito longe do futebol português. Há um conjunto de cinco equipas que estão no topo superior da tabela, como Zorya, Desna, Dínamo Kiev e Oleksandriya, que juntamente connosco formam o topo da tabela. Depois há outro conjunto que luta pelo meio da tabela e, depois, as outras mais do fundo da tabela; portanto, muito semelhante a Portugal. A única diferença neste momento é que não temos o Dínamo ou o Zorya colados a nós porque conseguimos uma margem num momento em que estivemos muito bem no campeonato. É por isto que estamos na frente. Pela capacidade que tivemos para abordar a liga de forma forte, ao contrário do que os nossos adversários fizeram na altura. Vamos tentar manter distâncias até ao final. Mas, quanto às equipas, temos equipas que pressionam alto, outras com bloco mais baixo, outras com ataque rápido, outras que tentam atacar instalando-se no meio-campo adversário, como é o caso do Zorya, que é uma equipa com uma ideia de jogo muito boa. Temos também o Desna e o Oleksandriya a jogarem mais em ataque rápido e o Dínamo com duas versões e a jogar consoante o seu adversário. Já nós tentamos jogar com o ataque mais instalado no meio-campo adversário e com mais tempos e maior número de ataques. Portanto, sim, não há uma grande diferença; apenas existe uma maior visibilidade do campeonato português por Portugal ser campeão da Europa, e ter Cristiano Ronaldo e Fernando Santos, o melhor treinador do mundo.

Redação BnR
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