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20 de Janeiro, 2022

Clube Futebol Benfica: A luta pela reafirmação no topo do Futebol Feminino

Um dos principais rostos do Futebol Benfica é a capitã Sílvia Brunheira. Preparada para cumprir a sexta temporada consecutiva no clube de Lisboa, a experiente jogadora sabe da enorme responsabilidade que é envergar a braçadeira de capitã, pois tem de “proteger o grupo e as jogadoras e, ao mesmo tempo, dar-lhes a capacidade de se autodisciplinarem, porque nós estamos aqui a representar um clube e temos uma imagem a defender”, pelo que o pensamento de Sílvia esteja sempre no coletivo em detrimento do brilho individual: “Prefiro sempre ajudar a equipa, porque se a minha equipa não ganhar e eu marcar muitos golos, não faz qualquer sentido pois o meu objetivo não é alcançado. Portanto, para mim, o principal é que a equipa ganhe, independentemente de quem marca os golos”.

Desafiada a descrever a equipa numa única palavra, a resposta da média foi “Persistente”, e a justificação da escolha foi perentória: “Nós (Futebol Benfica) ultimamente temo-nos deparado com esta nova dinâmica que é o profissionalismo do Futebol feminino. Não sendo profissionais temo-nos mantido nos primeiros lugares do campeonato, deparamo-nos sempre com jogos difíceis quando jogamos com as principais candidatas ao título (Sporting, Braga e agora Benfica), e, nesse sentido, nós somos a equipa “Persistente”, a equipa está ali a “bater o pé” às equipas realmente profissionais”.

A história do Fófó no Futebol feminino acaba por ter algum peso, embora a líder veja isso como uma “pressão saudável”, até porque o clube, na visão de Sílvia, já passou por várias fases: “Primeiro, tivemos a fase em que éramos a equipa ganhadora, vencíamos Taças, Supertaças e o campeonato, e depois passámos por uma fase menos boa com a quebra e saída de muitas jogadoras-chave do plantel, ou seja, tivemos um pouco de tudo. Agora, estamos numa fase de crescimento novamente e, por isso, essa pressão acaba por ser saudável, porque só nos traz mais motivação em conseguir alcançar o maior número de pontos possível e lutar contra equipas tão fortes”.

Mesmo tendo arrancado bem no campeonato, o foco da capitã não se altera e defende que o principal objetivo para este ano é “ir o mais longe possível nas provas onde estamos inseridas”, mas sempre com um enorme respeito pela concorrência: “Estamos cientes da realidade, pois temos concorrentes extremamente complicadas e algumas delas profissionais, possuem outras condições e estruturas, outras jogadoras com uma boa capacidade técnica e tática que nos vai complicar a vida”, e até apontou a classificação final desejada: “Quarto e, quem sabe, o terceiro lugar”.

A capitã Sílvia Brunheira está ciente das dificuldades que o Fófó terá de enfrentar esta época
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Houve tempo ainda de abordar as dificuldades que as jogadoras têm de enfrentar ainda nos dias de hoje para ir em busca do sonho de serem atletas profissionais, onde Sílvia defendeu que é possível conciliar perfeitamente a vida futebolista com a profissional ou estudantil “desde que haja realmente uma organização na nossa própria vida, em que consigamos estruturar e ter tempo para tudo”, apesar de reconhecer que as condições oferecidas podiam ser melhores, mas isso levaria a um pequeno “confronto” na opinião da capitã: “No nosso caso, nós saímos sempre daqui do treino às 23h e tal da noite, se nos pudessem oferecer outras condições como iniciar os treinos mais cedo seria positivo para nós, mas depois também temos o ‘reverso da medalha’ que é não puder começar os treinos assim tão cedo porque a maior parte das jogadoras trabalha e/ou estuda”.

E o que falta para ser profissional? A resposta é muito simples: “O que é preciso para ser profissional realmente é não fazer tudo aquilo que às vezes nos dificulta conciliar os treinos com vida profissional e estudantil, ou seja, não podemos fazer mais nada e jogar apenas Futebol, ter treinos bi-diários numa equipa que realmente oferece essas condições, o que infelizmente não acontece no Futebol Benfica, pois seria necessário muito mais investimento para se puder alcançar esse contexto”.