Mauro Jerónimo: «No Vietname há 100 milhões de habitantes e 100 milhões de pessoas apaixonadas pelo futebol»

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Mauro Jerónimo é treinador do PVF-CAND, clube que joga na segunda divisão do Vietname. Na antecâmara da partida histórica da Taça do Vietname, o treinador destacou o peso da caminhada e caracterizou o futebol vietnamita.

Aos 35 anos, Mauro Jerónimo está a um passo de fazer história. O PVF-CAND, clube da segunda divisão do Vietname treinado pelo português, está a um jogo de se tornar na primeira equipa de uma divisão secundária a chegar à final da Taça do país neste século. Ao Bola na Rede, Mauro Jerónimo descreveu o caminho para o regresso, 18 anos depois, de uma equipa da segunda divisão a uma fase tão adiantada da competição.

«É um feito muito grande, normalmente as equipas da segunda liga não têm hipótese. Mas o nosso projeto de longevidade ajudou a equipa a poder competir. Já eliminámos duas equipas da primeira liga o que deu mais confiança aos jogadores. Vai ser um dia bonito para todos», regozijou o treinador português.

Há cinco anos no Vietname, Mauro Jerónimo optou por um caminho diferente para aproveitar a qualidade à disposição. No PVF-CAND, o técnico chamou o protagonimo aos jogadores, principais destaques num futebol mais associativo, quando comparado à norma do país marcada pela procura da transição e da rapidez no desenrolar dos ataques

«Procuramos retirar a bola ao adversário, ficar com a bola e evitar que a equipa adversária bata bolas longas na frente. Jogamos em bloco alto a pressionar a primeira fase de construção e tentamos ter a posse de bola num jogo associativo em que os jogadores desfrutem. Quando chegámos aqui eles estavam talhados para jogar só em contra-ataque. Não queremos ser diferentes só por moda. Como os jogadores do Vietname são baixos, móveis, dinâmicos e com gravidade baixa têm qualidade para jogar um futebol de passe, a dois ou três toques e com muito drible no último terço. Acreditamos que este estilo de jogo é benéfico para o desenvolvimento do jogador e para a própria seleção do Vietname que tem um estilo de jogo parecido», enalteceu Mauro Jerónimo.

Apesar de muito rápido e dinâmico, o futebol no Vietname é praticado em condições adversas. O clima, o horário das partidas e as condições nos jogos fora de casa são fatores que marcaram o percurso do PVF-CAND de Mauro Jerónimo na caminhada até às meias-finais da Taça.

«As condições climatéricas são um fator que influencia muito o nosso trabalho. São nove meses com 40 e tal graus e chove durante meses sem parar. As condições climatéricas obrigam a encontrar soluções para os problemas. Temos jogos durante a semana em horário laboral, durante a tarde com mais de 40 graus. Quando jogamos fora às vezes a relva é alta por estratégia ou por falta de tratamento o que complica o nosso estilo de jogo. Quando jogamos fora de casa, como o Vietname é um país grande, viajam poucos adeptos e sentes que estás mesmo a jogar fora de casa. Mas temos de arranjar soluções e não é por isto que não vamos ganhar», garantiu Mauro Jerónimo.

Num país onde «há 100 milhões de habitantes e 100 milhões de pessoas apaixonadas pelo futebol», Mauro Jerónimo só pensa em deixar o nome na marca dos vencedores. Quanto ao término do contrato, o técnico deixa uma garantia.

«Tenho de estar aberto ao mundo em termos de trabalho. Se voltar a Portugal voltaria a estar perto da família e facilitaria a comunicação. Em termos de trabalho em si é mais fácil trabalhar em Portugal. O treinador estrangeiro sente que só usa 60% das capacidades pelo facto de ser difícil comunicar com as pessoas. Voltar para Portugal é um objetivo mas tem de ser num projeto que valha a pena e com longevidade, que trabalhe para o presente e para o futuro», finalizou o treinador português.

O PVF-CAND defronta o Thabh Hóa esta quarta-feira, dia 16 de agosto, com o apito inicial marcado para as 12:00 portuguesas no jogo da semifinal da Taça do Vietname onde ganhar é sinónimo de dar mais um passo numa caminhada histórica já por si.

Mauro Jerónimo PVF-CAND
Fonte: PVF-CAND

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O Diogo tem formação em Ciências da Comunicação, Jornalismo e 4-4-2 losango. Acredita que nem tudo gira à volta do futebol, mas que o mundo fica muito mais bonito quando a bola começa a girar.

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