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Do Vizela para o Boavista, João Silva, mais conhecido nos relvados por Talocha, é atualmente um dos titulares do onze da formação orientada por Miguel Leal e um dos destaques do campeonato na sua posição. O Bola na Rede esteve à conversa com o jogador sobre o seu percurso e as dissemelhanças entre o Campeonato de Portugal Prio e na Liga NOS.
Bola na Rede (BnR): Começaste a praticar futebol desde muito cedo nas camadas jovens do Famalicão, de onde és natural. O que é que te atraiu particularmente neste desporto? Tens algumas referências?
Talocha (T): Sim, comecei muito cedo no futebol, uma vez que em casa o futebol era um tema muito falado. O meu pai praticava futebol, foi muitos anos jogador do Famalicão e, então, apanhei aí o vício do futebol. Relembro que a alcunha Talocha também foi herdada do meu pai.
BnR: Na temporada 2013/2014 deu-se a tua mudança para o Vizela, clube onde permaneceste durante três épocas e realizaste perto de uma centena de partidas oficiais. Como analisas o teu percurso pelo clube?
T: A mudança foi muito pensada, mas são as opções da vida. Decidi optar pelo trabalho e pelo futebol. Poucas pessoas entendiam e eram contra a minha decisão. Aí surgiu o Vizela, um clube com história e eu não hesitei: disse logo que sim. Estava pronto para a mudança e para dar o meu melhor. Na primeira época cheguei e consegui agarrar o clube. Foi uma época em que superamos as expetativas de toda a gente e ficou muito perto o sonho. Na segunda época superamos tudo na primeira fase, mas, devido a um caso raro, não conseguimos a fase de subida. Na terceira época, aí sim, conseguimos o pleno: a tão desejada subida de divisão que aquele clube merecia por todas as pessoas que o envolvem. Foram muitas partidas. Que me lembre, falhei duas na primeira época e uma na segunda. Na terceira época fui totalista. Resumindo, foram três épocas muito boas e onde posso dizer que fui muito feliz.
BnR: Uma inolvidável prestação individual frente ao Sporting nos oitavos de final da 75ª edição da Taça de Portugal colocou o teu nome em evidência na imprensa desportiva. Sentiste, alguma vez, que estarias próximo de dar um passo maior na carreira?
T: Esse dia vai ficar para a vida, claro. Não são todos os dias que se fazem dois golos ao Sporting. Sentir que poderia dar o salto, uma pessoa sente sempre. Quem anda no futebol tem sempre a esperança de dar o salto na carreira e não ia ser por esse jogo que iria pensar ainda mais. É bom aparecer na imprensa, mas o sonho já estava há muito na cabeça.

Fonte: Vizela Digital
BnR: Foi como lateral esquerdo que te destacaste ao serviço do Vizela e, numa votação da Federação Portuguesa de Futebol, foste, inclusive, considerado o melhor jogador do Campeonato de Portugal nessa mesma posição. Podes ocupar outras posições no terreno de jogo?
T: O prémio de melhor lateral é sempre um motivo de orgulho. No campo, sim, posso ocupar outras posições como, por exemplo, defesa central e também já joguei como lateral direito, mas essa foi mesmo por necessidade.
BnR: Despertaste, também no Vizela, a atenção de outros emblemas, tendo surgido a proposta do Boavista. Como reagiste? Recebeste outras propostas?
T: Fiquei muito contente, de sorriso nos lábios, o normal… O sonho estava ali tão perto, ainda para mais do Boavista, um clube histórico do futebol português. Foi a primeira proposta que recebi e, como estava do meu agrado, assinei logo.
BnR: Colocaste de parte a engenharia para te dedicares exclusivamente ao futebol profissional. Sentiste-te arrependido em alguma ocasião?
T: Arrependido nunca. Era um sonho que tinha, o de chegar à Primeira Liga. A engenharia, apesar de tudo, nunca fica para trás e existem formas de estar sempre em contacto.
BnR: Quais foram, para ti, as principais diferenças que encontraste entre a Liga NOS e o Campeonato de Portugal Prio?
T: Existem muitas diferenças, principalmente o que engloba a logística das equipas, mas as que mais interessam são as do jogo, onde há muitas. O ritmo é totalmente diferente, a qualidade dos jogadores também, entre outras.
BnR: Agarraste prontamente o teu lugar no onze inicial do Boavista. Qual foi o segredo para uma adaptação tão rápida?
T: Depois de chegar à Primeira liga só há uma coisa a fazer: trabalhar e trabalhar. E era assim que eu pensava. Sabia que tinha um longo caminho pela frente, com muitas mudanças, mas só tinha que trabalhar para a frente. Sabia também que ia ser difícil agarrar o lugar visto que tenho um concorrente muito bom, mas felizmente consegui-o. O segredo foi empenho e dedicação.
BnR: Após a saída de Erwin Sánchez do comando técnico do clube, a quebra de rotinas e a assimilação de novos processos afetou, de certo modo, as dinâmicas do grupo. Como têm encarado as novas ideias trazidas por Miguel Leal?
T: Estas mudanças são as coisas do futebol. Resta-nos a nós jogadores assimilar as novas ideias, os novos métodos e continuar a trabalhar para atingirmos os nossos objetivos.
Foto de capa: Boavista FC










