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«Esta é a nossa vida, temos de dar tudo e aproveitar a oportunidade» – Entrevista BnR com Diogo Barbosa

José Baptista · 7 min

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Um dos melhores júniores nacionais na época passada, Diogo Barbosa subiu ao escalão seguinte no país vizinho, na equipa amadora da Caja Rural. Nesta conversa com o BnR, o jovem ciclista revela como está a lidar com a adaptação à nova realidade, fala sobre a sua primeira experiência entre os Elites nacionais e pisca o olho à W52/FC Porto.

Bola na Rede (BnR): Este ano, subiste a Sub23 e foste para Espanha, para a Caja Rural. Como está a correr esta experiência?

Diogo Barbosa (DB): Está a ser uma experiência como esperava, tenho umas condições que em Portugal não temos. Temos muitas corridas e essas mesmas são do nosso escalão sub23, o que aqui em Portugal quase não existe, também ainda existe, mas em pequena escala. 

Estou a gostar da experiência e tenho companheiros de equipa que me ajudam a aprender, pois são mais velhos. Tenho até três companheiros de Elites, que me ajudam a aprender, a melhorar a cada dia que passa e que a cada dia de competição que fazemos ajudam-nos a perceber aquilo que é o ciclismo. E isso que faz com que nos evoluamos mais.

BnR: Além do facto de ser uma equipa espanhola, passaste também de Junior para Sub23. Já falaste dos teus colegas que te estão a ajudar. Como está a ser esta adaptação, não só a uma equipa com um tamanho diferente como também a passagem de escalão?

DB: A passagem de escalão era algo que estava muito à espera e ansioso, pois diziam-me que era a passagem mais dura que um ciclista tinha na sua carreira. Estou contente com a passagem, porque é difícil, tudo bem que é difícil, mas não tão difícil como aquilo que as pessoas dizem.

Se nós temos os nossos objetivos, e temos como objetivo ser ciclista, e trabalhamos bem e preparamos bem a época, aí está a diferença. 

Porque, se nós vamos para Sub23 e não estamos com o chip virado que, a partir de agora, esta fase vai ser a nossa vida, a fase de ciclista, não conseguimos ter aquela garra que se tem quando o chip já está trocado. Se lidarmos com o facto que esta é a nossa vida, temos de dar tudo e aproveitar a oportunidade que nos deram, aí sim é mais fácil de nos adaptarmos a esta que é a fase mais difícil de um ciclista, o passar de Junior para Sub23.

Diogo Barbosa e Guilherme Mota (2º e 3º da dir. para a esq. na fila superior) são os dois portugueses na equipa amadora da Caja Rural
Fonte: Team Caja Rural – Seguros RGA

BnR: Falas exatamente da questão da oportunidade. Nos últimos anos temos tido mais portugueses no estrangeiro, também um aumento das equipas continentais e agora até a W52/FC Porto a subir a Pro Continental. É uma boa altura para se ser ciclista em Portugal?

DB: O ciclismo em Portugal acho que baixou muito há uns sete ou oito anos atrás, mas agora, com a vinda do FC Porto e do Sporting para o ciclismo, acho que está novamente a subir aos poucos. Penso que com o ciclismo assim, ser ciclista cá em Portugal melhorou um bom bocado. E, cada vez mais, o ciclismo e os ciclistas portugueses estão a ser reconhecidos lá fora com o devido valor.

BnR: No início do mês, tiveste a tua primeira experiência em Portugal entre os Elites na Clássica Aldeias do Xisto e no Troféu ‘O Jogo’. Qual é o balanço dessas primeiras provas?

DB: Tive as Aldeias do Xisto, em que tive a oportunidade da equipa também estar presente. Foi uma corrida muito dura e muito rápida. Na parte inicial, houve uma fuga e foram uns elementos e a nossa equipa não tinha ninguém e depois na subida, no prémio de montanha de 2.ª categoria, existiu um grupo da frente e fiquei eu e um colega de equipa num grupo mais retirado do pelotão, mesmo aí a acabar de passar no prémio de montanha.

Ficamos aí os dois colegas de equipa, depois ficou um grupo maior atrás e fomos até à meta. Estou muito contente porque vejo que consegui fazer um bom lugar nos Sub23. Fiz décimo lugar nos sub23 e fiz segundo nos Sub23 de primeiro ano. 

Fiquei um pouco desiludido por chegar fora do controlo, pois no grupo onde vinha, de umas dez unidades, atrás do pelotão, o pessoal também já não estava com aquela pica de querer chegar e apanhámos ali um bocado de tempo. Apanhámos 19 minutos e poucos segundos e o controlo era de 19 minutos. O que também acho ridículo, porque numa clássica como esta ser só de 8% acho que não faz sentido, mas isso aí já não nos cabe a nós atletas. 

Mas, penso que correu bem, foi uma experiência muito boa com os profissionais cá de Portugal. Alguns deles já os conheço desde que nasci, se assim se pode dizer, porque a minha vida sempre foi muito condicionada pelo ciclismo, desde jovem que vejo estes atletas e agora correr com eles…foi algo com que sempre sonhei.

No Troféu ‘O Jogo’, já não posso dizer que correu tão bem. Tive umas avarias mecânicas e depois, como a equipa não estava presente, não tinha bicicleta suplente e não consegui terminar a segunda etapa. 

Foi um pouco desanimador, se assim se pode dizer, porque faltavam já só duas voltas para acabar e sentia-me com força para disputar os primeiros lugares dos Sub23, mas não foi possível e agora é levantar a cabeça e continuar a trabalhar.

Tirar o Dorsal: Troféu ‘O Jogo’ não terminou da forma desejada
Fonte: José Baptista/Bola na Rede

BnR: Falaste há pouco da questão do controlo e no Troféu ‘O Jogo’, nas últimas duas voltas, também estavam a obrigar a encostar quem estivesse para trás do pelotão. Por exemplo, o Iúri Leitão até acelerou e fez uma rasante ao Carro Vassoura para não o pararem…

DB: Sim, aí eu também já estava sem vontade de continuar, porque eu penso que o carro que me apoiava devia tentar recolar-me ao pelotão, como se faz em corridas internacionais. Como não foi possível, pois o comissário não o permitiu, também já estava um bocado desanimado e decidi acabar por ali, porque já não ia a lado nenhum.

BnR: Em termos das diferenças de Espanha para Portugal, além do calendário como já falaste, o que notas mais?

DB: Eu não posso falar muito, porque é o meu primeiro ano de Sub23. Mas eu também já tive experiências em juniores em Espanha, porque em juniores de segundo ano fui convidado por uma equipa, a Fundación Lintxu, no verão para fazer lá a Volta a Pamplona. Tive essa experiência e adorei.

Noto que, além de mais competitividade, há mais corridas e as corridas são organizadas de modo a que nós tenhamos outras oportunidades de ser vistos e outras condições. Na Volta a Pamplona tivemos uma volta com quatro etapas e com muito nível. Foi uma volta muito competitiva e com essa volta consegui dar nas vistas à equipa Caja Rural e a outras e, se calhar, se tivesse ficado cá em Portugal não tinha tido a oportunidade de estar hoje onde estou, na Caja Rural.

E penso que é essa é uma das principais razões de em Espanha haver muitos mais olheiros, o que cá não há. 

BnR: Em termos do teu futuro, queres continuar pelo estrangeiro ou gostavas de voltar para Portugal?

DB: O meu futuro, como o de todos, é muito incerto. Mas, sim, eu gostava de continuar no estrangeiro e poder subir a alguma equipa Pro Continental. Penso que agora com o primeiro ano estou a aprender muito daquilo que é o ciclismo e quero, se for possível, depois subir a uma equipa Pro Continental. Temos cá em Portugal a W52/FC Porto, que já está nesse escalão e se tivesse oportunidade de para o ano estar nessa equipa, seria algo a pensar…

BnR: Contigo tens também o Guilherme Mota na Caja Rural, dois dos teus colegas nos juniores do Feirense também subiram à equipa continental do Feirense. Da tua geração, quem é que tu achas que é o maior talento?

DB: Na minha geração, temos vários talentos. Eu não posso dizer um em concreto, porque penso que somos todos muito iguais e muito regulares.

Temos o Guilherme Mota, que está comigo na equipa, e ele é muito bom contrarrelogista e penso que essa é a melhor vertente dele. Depois, também veio de uma vertente que ajuda muito nisso e na qual ele cresceu, que é o XCO. 

E penso que cá em Portugal temos mais uns cinco ciclistas da minha geração. Dizem que desde a geração dos irmãos Gonçalves, esta geração que saiu de 2000 é uma geração muito boa também. 

Agora, algum em concreto não posso dizer, porque o ano passado tivemos uma época de juniores em que não houve quem que ganhasse mais que três ou quatro corridas e houve, isso sim, vários a ganhar.

Foto de Capa: João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo

José Baptista

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