«Fazer a diferença todos os dias» – Entrevista a André Ramos

- Advertisement -

O Bola na Rede teve a oportunidade de entrevistar André Ramos, um jovem atleta de alto rendimento na modalidade de Boccia e que celebrou recentemente os vinte e três anos de idade. O rapaz, natural de Almada, é um dos exemplos de que a Paralisia Cerebral (PC) não é impedimento para ambicionar e concretizar sonhos de vida. Este atleta paralímpico e técnico de informática na Associação de Paralisia Cerebral de Almada Seixal (APCAS) mostrou-nos a importância do Boccia na sua vida – modalidade paralímpica criada para atletas com PC – mas que pode ser praticado por todas as pessoas, com e sem deficiência.

Bola na Rede (BnR): Antes de nos direcionarmos para o Boccia, que outras modalidades desportivas já vivenciou?

André Ramos (AR): Quando era muito pequeno fiz natação e mais tarde pratiquei equitação adaptada.

BnR: Como descobriu o Boccia? Quando e onde iniciou a prática da modalidade?

AR: A minha médica falou-me da Associação de Paralisia Cerebral Almada Seixal (APCAS) como uma forma de encontrar possíveis respostas aos problemas e desafios que um jovem como eu poderia necessitar. Nessa sequência, passei a frequentar a associação e as atividades nela realizadas. Foi nesse âmbito que fiquei a conhecer o boccia, tendo ingressado na escola de boccia da associação aos 13 anos.

BnR: Foi difícil encontrar um clube que respondesse às suas necessidades? Qual a importância do desporto na sua vida?

AR: Acho que foi o boccia que me encontrou a mim e não o inverso. Desde essa altura que jogo e represento a APCAS, e tenho feito um percurso natural e crescente com o apoio da instituição. O boccia tem-me permitido concorrer ao mais alto nível e com os melhores, e representa uma grande fatia de todos os meus sonhos e objectivos pessoais.

Fonte: Ricardo Vaz/Bola na Rede

BnR: Depois de experimentar várias modalidades desportivas, porquê o Boccia? Tendo em conta as suas características, foi necessário algum tipo de adaptações?

AR: Para um jovem com deficiência motora nem todas as modalidades, mesmo que adaptadas, são praticáveis. No meu caso em concreto, não existem muitos desportos que possa fazer. O boccia permite-me praticar desporto, ser ativo e concorrer com os melhores a nível nacional e internacional, coisa que não encontrei noutras modalidades. O boccia está subdividido em cinco classes, iniciei-me como jogador na classe bc2 e atualmente, devido a perdas de motricidade fina nos membros superiores, fui reavaliado e concorro na classe bc1, sendo dos poucos jogadores que joga com o pé, com o auxilio de um sapato fabricado especialmente para mim.

BnR: Nos últimos anos conseguiu ganhar algum destaque na modalidade. Fale-nos sobre o seu percurso até ao momento.

AR: Fundamentalmente atribuo o meu crescendo desportivo ao meu trabalho diário (treinos). Luto diariamente para me tornar num melhor jogador, intensificando os treinos e a qualidade dos mesmos. Claro que sem o apoio da minha família e do meu clube nada disto seria possível. Foi esse árduo trabalho que me permitiu, desde há dois anos para cá, representar as cores do nosso país na Seleção Nacional de Boccia e que me fez alcançar o primeiro lugar no campeonato regional de Boccia e o terceiro lugar na fase final do campeonato nacional.

BnR: Representar a Seleção Nacional é certamente um motivo de orgulho para qualquer atleta, seja em que modalidade for, concorda? Como tem sido essa experiência? Como é ser atleta paralímpico?

AR: Sim. Como todos os desportistas quero ganhar e jogar com e contra os melhores. Tive sempre este objetivo e estou orgulhoso do que alcancei até aqui. Tem sido uma experiência enriquecedora mas ainda tenho muito para aprender e melhorar enquanto atleta. Não posso baixar os braços, tenho que continuar a trabalhar diariamente para mostrar o meu valor e a mais valia que posso trazer para a Seleção de Boccia.

Ser atleta paralímpico/de alto rendimento, significa também fazer alguns sacrifícios a nível pessoal. Por vezes temos de nos privar de certas coisas, com vista a alcançar aquilo que pretendemos. Por exemplo, alguns dos estágios da selecção, competições nacionais e internacionais, decorrem em datas marcantes para mim. No entanto, o esforço acaba por ser sempre recompensado.

Ricardo Vaz
Ricardo Vazhttp://www.bolanarede.pt
Desde sempre que o desporto, e acima de tudo o futebol, representaram uma forma de vida a este jovem. Licenciado em desporto e fascinado pelo Sporting Clube de Portugal, considera uma mais valia poder aliar estas tuas paixões: a escrita e o Sporting.                                                                                                                                                 O Ricardo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Valencia confirma regresso de Umar Sadiq a custo zero

O Valencia anunciou o retorno de Umar Sadiq a custo zero. O avançado nigeriano ajudou o clube a manter-se na La Liga na temporada passada.

Álvaro Pacheco assina pelo Casa Pia e regressa à Primeira Liga

Esta quinta-feira, o Casa Pia anunciou que Álvaro Pacheco irá assumir o comando técnico após Gonçalo Brandão ter deixado o clube.

Mudanças no Sporting: jogador de saída para a Croácia

Rúben Freire foi confirmado como o reforço do Osijek. O ala deixa o Sporting até ao final da temporada, por empréstimo.

FC Porto: mercado de janeiro ainda não está encerrado

O FC Porto está atento ao mercado de transferências, embora não se espera um investimento elevado por parte dos dragões.

PUB

Mais Artigos Populares

Leixões alcança empate frente ao Lusitânia Lourosa aos 90+10′

O Lusitânia Lourosa e o Leixões empataram a duas bolas durante a noite desta quinta-feira, em mais um encontro da Segunda Liga.

Casa Pia confirma saída de Gonçalo Brandão

O Casa Pia confirmou durante esta quinta-feira a saída de Gonçalo Brandão do comando técnico da equipa principal.

Luis Enrique rendido a internacional português: «Um soldado»

Luis Enrique guiou o PSG à vitória frente ao Marselha. O treinador espanhol deixou elogios a Gonçalo Ramos, que fez um golo.