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Bola na Rede: Filipe, conta-nos como começaste a dar os primeiros passos no futebol?

Filipe Mendes: Começou tudo muito cedo. Lembro-me de ir para o trabalho do meu pai, logo de manhã, e ficar de bola nos pés até ele fechar a loja ao fim da tarde. Ainda faço parte de uma geração que jogava, constantemente, nas ruas, esses eram os nossos estádios. Mais tarde, com oito anos inscrevi-me no Real Sport Clube, mas infelizmente pouco tempo depois comecei a perder o foco na escola e os meus pais viram-se obrigados a tirar-me do futebol. Na altura fiquei mesmo muito triste, mas hoje sei que foi o melhor que me podiam ter feito. Quando finalmente percebi o rumo que queria dar à minha vida, voltei a jogar de forma oficial, sempre com o sonho de poder chegar longe, mas sem nunca abdicar da minha formação profissional.

BnR: Como te defines como jogador? Quais são as tuas mais valias?

FM: Sou um jogador que gosta de jogar simples, com qualidade técnica e rápido. Gosto muito de jogar em equipa e sou o primeiro a incentivar os meus colegas, tanto nos bons como nos maus momentos. Quanto à segunda questão, acredito que as minhas mais valias são ser um extremo combativo e que ajuda muito no processo defensivo, para além de perceber quando devo acelerar ou pausar, nos diferentes momentos do jogo.

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BnR: Recordo que começaste a carreira no Sintra Football. Entretanto saíste do clube e agora regressas ao clube pela segunda vez. Pretendes permanecer no clube ou já pensas mais à frente?

FM: Neste momento só penso em subir de divisão. Tanto eu como os meus colegas sabemos que se não estivermos completamente focados nesse objetivo, tudo vai ser mais complicado. Estou feliz onde estou e isso é o mais importante, neste momento.

BnR: Desde que saíste do Sintra Football passaste por vários clubes: Damaiense, Carcavelos, Futebol Benfica. Qual foi o clube que mais te marcou e o que correu menos bem nestas experiências?

FM: O clube que mais me marcou foi sem dúvida alguma o Damaiense. Tenho um carinho enorme pela instituição e o meu grande desejo é que eles consigam a manutenção este ano. Relativamente à experiência que correu menos bem, não é fácil de destacar um clube: em todos eles guardo momentos bons e momentos menos bons, mas todos, sem exceção, foram importantes para o meu crescimento enquanto jogador e pessoa.

BnR: Começaste esta temporada na Naval, equipa com muita tradição no futebol português, mas que se tem afundado com o passar dos anos. No entanto, as coisas acabaram por não correr muito bem. Como explicas os dois pontos conquistados em 17 jogos?

FM: Não foi fácil. Todos sabíamos a história do clube que íamos representar, e a responsabilidade que era vestir aquela camisola. Infelizmente, a falta de condições, a par das guerras já existentes e o planeamento duvidoso da época desportiva acabaram por meter em causa o nosso rendimento.

Filipe Mendes está de volta ao Sintra Fonte: Ricardo Pereira
Filipe Mendes está de volta ao Sintra
Fonte: Ricardo Pereira

BnR: Quais foram as maiores dificuldades sentidas na Naval? O ambiente no balneário era difícil devido às derrotas?

FM: A primeira dificuldade que senti foi não termos tido pré época. A falta de ritmo competitivo foi evidente nas primeiras jornadas e, por mais que conseguíssemos fazer uma primeira parte interessante, acabávamos sempre por quebrar no segundo tempo. A segunda dificuldade foi não termos tido ninguém que nos falasse em objetivos, e isso nunca me tinha acontecido! A terceira, e talvez a mais importante, foi a falta de acompanhamento, já para não falar de termos de jogar em campos alugados/emprestados, dos treinos com cinco ou seis jogadores e da falta de transparência para com os jogadores relativamente a assuntos do interesse de todos. Quanto ao ambiente no balneário, era incrivelmente bom! Percebemos desde cedo que só unidos poderíamos (tentar) lidar com todas as adversidades e nunca virámos a cara à luta. Naquele balneário esteve sempre um grupo de guerreiros!

BnR: Achas que há condições para a equipa conseguir voltar aos principais escalões do futebol nacional?

FM: Eu gostava muito de poder dizer que sim… mas não estaria a ser honesto. Muita coisa teria de mudar para que tal acontecesse. Hoje, mais do que nunca, sei que o profissionalismo não vem da divisão que disputamos. Já estive em clubes muito mais organizados e ambiciosos em divisões inferiores, e um deles é o caso do Sintra Football, clube que hoje represento.