O “General” Pinto – Entrevista a Carlos Pinto

- Advertisement -

entrevistas bola na rede

Caráter, frontalidade e persistência são palavras fundamentais no dicionário de Carlos Pinto. Sem papas na língua, frontal como já é seu apanágio, o técnico falou da sua carreira enquanto jogador e do início da época no Santa Clara. Mais do que isso, ficam aqui os traços gerais de mais um promissor técnico a aparecer no futebol português, que valoriza fortemente a disciplina e a liderança.

 

Bola na Rede (BnR): Como surgiu o gosto pelo futebol?

Carlos Pinto (CP): Desde cedo. Muito pela paixão que o meu pai tinha pelo FC Paços de Ferreira; aliás, sou sócio do Paços desde o momento em que nasci. Depois, aos oito anos, comecei nas escolinhas de futebol.  Vim de uma família de 10 irmãos, muito pobre, mas que tinha a paixão pelo futebol. Infelizmente não consegui prosseguir com os estudos, pois com 10/11 anos já trabalhava nos móveis com o meu pai e com o objetivo de ajudar a família. Mas a partir do momento que ajudei a minha família senti-me muito satisfeito. O meu pai também não cortou as pernas do meu sonho, que era o futebol e consegui sempre conciliar as duas coisas.

BnR: Passou por diversos clubes e por onde passava saltava à vista a sua qualidade técnica. O que acha que falhou para se tornar uma referência ainda maior no futebol português?

CP: Um dos exemplos que dou aos jogadores do meu plantel enquanto treinador. Sou um exemplo para o lado positivo e para o lado negativo. Porque, numa fase inicial da minha carreira, não levei o futebol a sério. Digo que não fui bom profissional. As pessoas quando pensam que um mau profissional associam logo que só ia para a noite, mas eu nunca fui disso, apenas não me dedicava ao futebol e não me dedicava nos treinos; ia ao treino e não treinava. Obviamente foi algo que me marcou na carreira. Eu próprio passo essa mensagem aos jogadores, de que poderia ter ganho muito dinheiro no futebol e não ganhei por responsabilidade minha. A partir dos 28 anos dediquei-me ao futebol e fui profissional, e isso foi reconhecido. Lembro-me que, a partir dos 29 anos, fui capitão em praticamente todas as equipas que passei e obviamente fui muito reconhecido por isso.

BnR: O facto de ter sido jogador ajuda-o hoje em dia como treinador? Para si quais as maiores vantagens?

CP: Sim, ajuda. Ajuda porque indico o caminho aos jogadores. Aliás, umas das coisas que eu faço é definir imediatamente as regras. Uma das minhas preocupações é claramente definir as regras para com os jogadores. Chegámos a um acordo, no início da época, onde eles assinaram por baixo as regras que nós definimos. Obviamente que nunca me posso desviar delas, apesar de ser um dos problemas que muitas vezes acontece, mas nunca me posso desviar daquilo que é fundamental, que é a disciplina e esta é igual para todos. Sou muito rigoroso nesse sentido. Temos jogadores que muitas vezes têm um potencial tremendo e que podem ganhar muito dinheiro no futebol, mas que em termos mentais são fracos e essa é também uma das minhas preocupações. Para além do aspeto mental, gosto de poder moldar os jogadores, poder refiná-los, trabalhar alguns aspetos onde são menos fortes.

Fonte: CD Santa Clara
Fonte: CD Santa Clara

BnR: Há uma relação sobejamente conhecida com Leonardo Jardim, técnico de referência do futebol mundial. Intitula-se como um discípulo ou vê o futebol de uma forma mais emancipada?

CP: Não. Ele é uma pessoa que eu gosto, é uma pessoa que me marcou muito pela disciplina que eu hoje implemento nas minhas equipas. Obviamente que, em termos de jogo, somos diferente; gosto de um futebol muito mais positivo, mais para a frente. O Leonardo é mais calculista, mais rigoroso, mais resultadista também. Mas é uma pessoa que eu gosto muito, uma pessoa que me marcou e vai marcar para a vida inteira.

BnR: Enquanto jogador, qual foi a sua maior referência?

CP: Zidane. Praticamente fui conhecido no final da minha carreira como o Zidane da Feira, o Zidane de Chaves. Era um jogador que tinha muita qualidade. Mesmo estando em brincadeiras, nas peladas com os jogadores eles brincam com essa situação. É uma realidade, também acho que não tinha noção quando jogava na altura. Agora o Zidane foi claramente aquele jogador que me marcou e tenho pena de não ser português, mas francês, mas foi claramente aquele jogador que me cativou.

Raquel Roque
Raquel Roquehttp://www.bolanarede.pt
A Raquel vem dos Açores, do paraíso no meio do Oceano Atlântico. Está a concluir a licenciatura em Estudos Portugueses e Ingleses. Guarda os clássicos da literatura, a Vogue e os jornais desportivos na mesma prateleira.                                                                                                                                                 A Raquel escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

PAOK pede informações por jogador do Braga

O PAOK pediu informações por Vítor Carvalho, jogador que pertence aos quadros do Braga. Há mais interessados.

Foi o principal atacado por Florentino Pérez e não deixou o presidente do Real Madrid sem resposta

Florentino Pérez deixou vários ataques ao jornalista Rubén Cañizares durante a conferência de imprensa que deu esta segunda-feira.

Antecessor de Florentino Pérez comenta conferência de imprensa polémica: «Não sinto pena ou vergonha»

Ramón Calderón foi um dos primeiros nomes a reagir à conferência de imprensa dada por Florentino Pérez.

Florentino Pérez convoca eleições para a liderança do Real Madrid: as condições surreais para se ser candidato

Florentino Pérez anunciou que vão existir eleições para a liderança do Real Madrid, mas nem todos poderão ser candidatos.

PUB

Mais Artigos Populares

Filipe Luís e Oliver Glasner entram na lista de candidatos ao Chelsea

Antigo jogador dos londrinos Filipe Luís, surge entre os nomes apontados ao comando técnico do clube para a próxima temporada.

Borussia Dortmund contrata Joane Gadou até 2031

Defesa francês Joane Gadou, de 19 anos, deixa o Salzburgo e reforça o Borussia Dortmund para a próxima temporada.

Sergio Ramos chega a acordo para comprar o Sevilha

O antigo capitão do Sevilha Sergio Ramos lidera a operação avaliada em mais de 400 milhões de euros. O acordo para a venda está praticamente fechado.